Você conhece a tradição portuguesa do Vinho dos Mortos?
Destaque
28/10/2026
Associado às invasões napoleônicas, o costume de enterrar garrafas é preservado por uma vinícola em São Roque
Por Redação
O nome chama a atenção, mas a tradição do Vinho dos Mortos tem origem em um episódio da história portuguesa. Em 1807, durante a invasão das tropas de Napoleão Bonaparte, produtores das regiões de Trás-os-Montes e Beira Alta teriam enterrado garrafas de vinho para protegê-las de saques. As covas eram abertas sob as videiras e nas proximidades das adegas.
Com a retirada dos invasores, meses depois, as garrafas foram desenterradas. Segundo a tradição popular, o vinho havia mantido suas características e, em alguns casos, apresentado melhora após o período sob a terra. A prática atravessou gerações e passou a integrar a cultura vinícola portuguesa. O nome Vinho dos Mortos faz referência justamente às garrafas que ficam enterradas antes de serem recuperadas.
No Brasil, o costume é preservado pelo empresário e produtor de vinhos Olivardo Saqui, na Quinta do Olivardo, em São Roque, no interior de São Paulo. Há cerca de dez anos, a propriedade realiza eventos que reproduzem o ritual, com enterro de garrafas, procissão à luz de tochas e música portuguesa. Os visitantes acompanham a cerimônia e podem retornar posteriormente para desenterrar os próprios vinhos.
“A história do Vinho dos Mortos está morrendo e por isso passei a revivê-la por aqui”, explica Olivardo. A iniciativa também se tornou uma oportunidade de reunir famílias e amigos em torno da cultura portuguesa, com atividades que integram a programação da propriedade.
Onde provar o Vinho dos Mortos em São Paulo?
A tradição também chegou à capital paulista. A Quinta do Olivardo mantém uma unidade em Pinheiros, onde é possível conhecer e provar os rótulos elaborados na propriedade de São Roque. A carta inclui diferentes versões do Vinho dos Mortos, entre elas o Chardonnay Reserva, vendido por R$ 276 a garrafa de 750 ml ou R$ 68 na dose de 150 ml, e o Merlot Touriga, com preços de R$ 188 (750 ml) e R$ 49 (150 ml).
Na vinícola, as garrafas da linha permanecem enterradas por períodos que variam de seis a 12 meses. A produção própria da Quinta do Olivardo chega a aproximadamente 20 mil litros por ano, majoritariamente com uvas cultivadas na propriedade.
Fundada por Olivardo Saqui, a Quinta do Olivardo se tornou um destino de turismo gastronômico em São Roque, com culinária portuguesa e atividades ligadas às tradições lusitanas. Em 2020, a marca chegou à capital paulista. Após funcionar no Brooklin, o restaurante mudou de endereço em janeiro de 2026 e passou a atender na Rua Ferreira de Araújo, em Pinheiros, mantendo no cardápio referências à gastronomia portuguesa e à história da casa.