Sete dias, 566 km e uma pergunta: o que acontece com o corpo do atleta na Brasil Ride Paraíba?
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05/10/2026
Ultramaratona de mountain bike estreia no litoral e no Agreste paraibano de 10 a 17 de outubro. Pela primeira vez, os ciclistas vão receber, ao fim de cada etapa, uma leitura de como o próprio corpo respondeu ao percurso
Por Amélia Whitaker
Sete dias, 566 km e uma pergunta: o que acontece com o corpo do atleta na Brasil Ride Paraíba?
Para quem larga numa prova por etapas, a linha de chegada é só metade do dia. Depois dela vêm a comida, a massagem, a mecânica da bike, poucas horas de sono e a certeza de que, na manhã seguinte, será preciso pedalar de novo, com as pernas de ontem.
É esse o cotidiano que espera os atletas da Brasil Ride Paraíba 2026. Depois de 15 anos na Bahia, uma das principais provas de MTB por etapas da América Latina estreia na Paraíba, com sete etapas, 566 km e 8.900 metros de subida acumulada. No pelotão, atletas de elite e amadores experientes enfrentam o mesmo percurso, numa prova integrada ao calendário da União Ciclística Internacional (UCI).
Do mar à serra, dia após dia
A semana começa com um prólogo curto, de 26 km, em João Pessoa, que já define as primeiras posições. No dia seguinte vem o choque: 146 km de travessia entre o litoral e a Serra da Raiz, a etapa mais longa da prova.
Nos três dias seguintes, o pelotão fica na serra. A terceira etapa concentra 2.300 metros de subida em 84 km, e a quarta e a quinta somam outros 3.672 metros de altimetria acumulada. É ali que a fadiga acumulada começa a separar quem administrou bem o esforço de quem gastou cedo demais.
O sexto dia traz 128 km de volta a João Pessoa, com as pernas já carregando quase uma semana de prova. A sétima etapa, de 25,6 km, fecha a disputa na capital paraibana.
O cronômetro diz quem chegou. E o corpo?
Numa prova assim, a classificação conta só parte da história. Dois atletas podem cruzar a linha no mesmo minuto em situações completamente diferentes: um ainda tem reserva para o dia seguinte, o outro está no limite. Até agora, essa diferença ficava na cabeça de cada um e, com sorte, na do treinador.
Nesta edição, a prova tem como parceira oficial de tecnologia e inteligência de prova o TrainGO, tecnologia brasileira de Athlete Intelligence que escolheu a Brasil Ride para seu lançamento oficial no país. O conceito parte de um olhar integrado para o atleta, reunindo diferentes dados para transformá-los em informações que ajudem atleta e treinador a decidir o que fazer a seguir. Os atletas que entrarem na prova pelo app terão acesso à Race Intelligence, que transforma os dados de cada etapa em leitura fisiológica, sem substituir a cronometragem oficial.
Na prática, funciona assim: o ciclista termina a etapa, a atividade chega ao TrainGO pelo relógio ou ciclocomputador, e o sistema reconhece automaticamente de qual etapa se trata. Dentro da comunidade da Brasil Ride no TrainGO, os participantes terão acesso às informações sobre seu desempenho na prova e às recomendações do Coach DNA. Antes do jantar, o atleta já pode ver:
- Onde o percurso mais exigiu, com subidas categorizadas e o quilômetro mais duro do dia;
- Como o corpo respondeu, com ritmo e recuperação analisados pelo Coach DNA, que segue a metodologia do treinador do atleta;
- A biometria da noite comparada à sua própria média dos últimos 28 dias;
- O que fez bem, o que pode melhorar e o que esperar das próximas etapas.
Também é possível comparar até cinco atletas no mesmo trecho e consultar, antes da largada, uma leitura antecipada do perfil de cada etapa e dos pontos decisivos do percurso.
A conversa do jantar ganha um telão
Em provas por etapas, o jantar é parte do ritual: é onde se contam as quedas, as subidas que não acabavam e as ultrapassagens do dia. Na Paraíba, a conversa vai ter apoio de um telão com o percurso do dia, a fisiologia do grupo e os destaques.
A análise também será levada ao palco por Ulysses, treinador que trabalha com atletas de destaque em provas de MTB por etapas e estará na Brasil Ride Paraíba para comentar o desempenho dos participantes ao longo da competição.
Os dados são anônimos por padrão. Informações individuais só aparecem com consentimento dado pelo próprio atleta, e números do grupo só são exibidos com pelo menos cinco atletas. Nada é publicado sem homologação da organização.
Da prova para o treino de terça-feira
A lógica vale também fora da competição. É aí que entra o conceito de Athlete Intelligence: em vez de olhar o atleta em partes, o TrainGO reúne informações de treino, sono, recuperação, alimentação durante o exercício, aspectos mentais, ciclo menstrual e prova para ajudar a orientar as próximas decisões. No dia a dia, o TrainGO cruza frequência cardíaca, potência, sono, variabilidade cardíaca e o histórico do atleta para sugerir o próximo treino, sempre aprovado pelo treinador. Se o atleta perde uma sessão por uma viagem, a semana se reorganiza e o coach é avisado.
Com uso de inteligência artificial e tecnologia aplicada ao treinamento, o TrainGO vai além da prescrição de uma planilha. A proposta é não apenas registrar o que já aconteceu, mas usar as informações disponíveis para ajudar a decidir o que fazer a seguir. O TrainGO também incorpora recursos voltados ao lado mental do atleta, como exercícios de respiração, além de ferramentas que identificam falhas em sensores de frequência cardíaca e potência.
Durante os treinos, uma narração guiada acompanha o atleta, anuncia os blocos e orienta a sessão tanto em ambientes fechados quanto ao ar livre. Para usuários Garmin, o TrainGO também oferece um aplicativo que fornece alertas relacionados à hidratação e ao consumo de carboidratos durante a atividade.
Para o TrainGO, a inteligência artificial não substitui o treinador. Ela funciona como apoio ao trabalho do profissional, levando sua metodologia para o dia a dia dos atletas e ajudando a interpretar as informações disponíveis. A inteligência propõe, o coach decide.
Para treinadores e assessorias esportivas, o TrainGO também passa a oferecer uma estrutura completa de gestão. É possível distribuir alunos entre os profissionais da equipe, organizar a gestão de cada treinador e acompanhar o atendimento dos atletas da assessoria. A proposta é concentrar essas tarefas em um mesmo ambiente e liberar mais tempo para que o treinador se dedique ao acompanhamento de cada aluno.
Os treinadores também podem criar treinos por voz, enquanto o atleta conta com um chat disponível 24 horas por dia com o Coach DNA para tirar dúvidas e receber orientações sobre o treinamento.
“O atleta não precisa de mais um gráfico. Precisa saber o que fazer amanhã e ter alguém do lado dele quando o plano sai do roteiro”, afirma Diogo Malagon, fundador do TrainGO. Para ele, a ideia é que ninguém treine no escuro, “seja numa terça-feira qualquer ou no sexto dia de uma Brasil Ride”.
É essa combinação entre tecnologia e acompanhamento humano que resume a proposta do TrainGO: o atleta inteiro, o coach no comando.
Como usar o TrainGO na prova?
O TrainGO está disponível para iPhone, Android e navegador, em traingo.ai. Os atletas inscritos entram na prova pelo app, em Comunidade > Provas.
Durante a semana da Brasil Ride, quem fizer o cadastro no TrainGO terá acesso gratuito por três meses ao plano máximo do TrainGO, que reúne em um único ambiente os recursos oferecidos aos atletas.