A mesa que constrói destinos

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19/08/2026

A mesa que constrói destinos

Nos novos tempos, a gastronomia tornou-se um dos principais ativos do turismo

Por Reila Criscia*

O turismo também é regido pelo potencial cultural e pela capacidade de hospitalidade de cada destino. Os atributos que compreendem essas vocações e as incorporam de forma genuína às experiências com os clientes conseguem se diferenciar e estabelecer vínculos mais verdadeiros tanto com a comunidade local quanto com os visitantes.

Nesse contexto, a gastronomia ocupa um lugar singular. Ela traduz a história, os saberes, os ingredientes, os costumes e a identidade de um povo. O gastrônomo francês Jean Anthelme Brillat-Savarin escreveu: “Dize-me o que comes e te direi quem és”. É a partir dessa convicção que defendo: a comida é um bem que fala todas as línguas.

Essa visão encontra respaldo na pesquisa Caminhos para Potencializar os Setores de Eventos e Turismo, estudo da Evviva Planet compartilhado recentemente pela Resorts Brasil. O levantamento aponta que a competitividade do turismo brasileiro passa pela Economia da Experiência, em que cultura, inovação, sustentabilidade e identidade se consolidam como diferenciais dos destinos. É nesse cenário que a hospitalidade gastronômica se afirma como uma das expressões mais completas da experiência turística, reunindo acolhimento, identidade cultural e desenvolvimento econômico. 

A hotelaria brasileira já demonstra que essa transformação é possível. Cases apresentados durante o 2º Encontro de Gestores de Alimentos & Bebidas da Resorts Brasil evidenciam que a gastronomia deixou de ser um centro de custo para assumir um papel estratégico dentro do negócio turístico. 

No Grupo Tauá, uma gestão orientada por indicadores reduziu em 49% o desperdício de alimentos por hóspede e gerou economia superior a R$ 2,2 milhões, além de ampliar as doações para instituições parceiras. No Ipioca Beach Resort, na Costa do Sauípe, no Japaratinga Lounge Resort e no Japy Golf Resort iniciativas voltadas à inovação, economia circular, melhoria contínua dos processos, uso inteligente de dados e redução de desperdícios reforçam uma mesma direção: investir em gastronomia é investir em eficiência, sustentabilidade e valor para o destino.

Mais do que um diferencial, a gastronomia tornou-se um dos ativos mais valiosos do negócio do turismo. Ao investir em hospitalidade gastronômica, um empreendimento fortalece produtores locais, preserva a cultura alimentar, qualifica equipes, impulsiona a inovação, reduz desperdícios e transforma a experiência do visitante. É assim que o ESG deixa de ocupar apenas os relatórios corporativos para integrar o cotidiano da operação.

A hospitalidade gastronômica talvez seja uma das poucas experiências capazes de reunir cultura, negócios e ESG em um único gesto: sentar-se à mesa. É ali que um destino revela sua essência, fortalece sua economia e constrói valor para o futuro. Quando isso acontece, o turismo deixa de oferecer apenas hospedagem e passa a entregar pertencimento.  

*Reila Criscia é CEO da Anagrama Comunicações e Eventos, agência especializada  nos segmentos de inovação, gastronomia hospitalidade e turismo