Troca de CEOs no mundo cai ao menor nível em nove anos, aponta estudo
Destaque
06/10/2026
Levantamento da Russell Reynolds Associates registra queda de 14,4% nas saídas de executivos no primeiro semestre de 2026, enquanto nomeações permanecem estáveis
Por Redação
A rotatividade de CEOs nas principais empresas globais atingiu, no primeiro semestre de 2026, o menor nível para o período desde o início da série histórica, há nove anos. Segundo o Índice Global de Rotatividade de CEOs da Russell Reynolds Associates, as saídas de executivos-chefes caíram 14,4% em relação ao mesmo intervalo de 2025, após dois anos de intensa movimentação no comando de companhias ao redor do mundo.
Apesar da redução nas saídas, as nomeações permaneceram estáveis. Entre janeiro e junho deste ano, foram registrados 131 novos CEOs, ante 126 no primeiro semestre de 2025.
Para Flávia Leão, sócia-diretora da Russell Reynolds Associates e country manager da consultoria no Brasil, os dados indicam uma mudança na forma como os conselhos de administração conduzem a sucessão executiva.
“O estudo confirma uma mudança de postura dos Conselhos de Administração, que estão tratando a sucessão de CEOs como um processo contínuo e estratégico, em vez de reagir a crises”, afirma. Segundo ela, o aumento no tempo de permanência no cargo e a preferência por executivos com experiência prévia refletem a busca por estabilidade na liderança em um cenário de incerteza econômica global.
O tempo médio de permanência dos CEOs que deixaram seus cargos também aumentou. No primeiro semestre de 2026, o período chegou a nove anos, ante 6,65 anos no mesmo intervalo do ano anterior, uma alta de 35,3%.
O levantamento identificou ainda uma mudança no perfil dos profissionais escolhidos para assumir o comando das empresas. A participação de executivos que já haviam ocupado o cargo de CEO em outra companhia chegou a 22,3% das nomeações globais no primeiro semestre, praticamente o dobro da registrada um ano antes.
Na direção oposta, as promoções internas perderam participação. A parcela de CEOs escolhidos entre profissionais que já trabalhavam na própria empresa recuou de 77,8% para 73,8% no período. Os dados apontam para uma presença maior de executivos com experiência anterior no cargo entre os novos líderes.