A rota de Amyr Klink ganha um novo navegador brasileiro 42 anos depois

Especial

25/08/2026

A rota de Amyr Klink ganha um novo navegador brasileiro 42 anos depois

Raphael Garcia partiu da Namíbia em abril e chegou a Salvador após 136 dias no mar; na chegada, foi recebido pelo navegador que realizou a travessia original, em 1984

Por Redação

Quarenta e dois anos depois de Amyr Klink atravessar sozinho o Atlântico Sul em um pequeno barco a remo, outro brasileiro refez a mesma rota. Aos 34 anos, Raphael Garcia deixou Lüderitz, na Namíbia, no dia 8 de abril, a bordo do Sater, e chegou a Salvador no último sábado (22), após 136 dias de navegação.

Na chegada, encontrou justamente o homem que havia inspirado a travessia. Em uma publicação no Instagram, Amyr Klink contou que foi até Salvador para receber Raphael e acompanhar de perto a conclusão da jornada. “Fui até Salvador receber o Raphael Garcia, que acaba de atravessar o Atlântico Sul a remo, refazendo o mesmo trajeto que fiz há 42 anos atrás entre Lüderitz, na Namíbia, e a Bahia”, escreveu.

Klink afirmou ainda que acompanhou a viagem desde a partida, por meio do rastreamento via satélite do Sater. Segundo o navegador, Raphael foi a primeira pessoa a refazer sozinho e a remo o mesmo trajeto realizado por ele em 1984. “Fico feliz em saber que o registro de uma história, como Cem Dias Entre Céu e Mar, inspiraram outras histórias como a do Raphael”, publicou. Ao final, parabenizou o brasileiro: “Estamos orgulhosos de você Raphael!”

Em 1984, Amyr Klink fez história ao atravessas o Atlântico pela primeira vez

Em 1984, aos 28 anos, Amyr Klink partiu de Lüderitz com um projeto que ainda parecia improvável: cruzar sozinho o Atlântico Sul em um barco a remo. Foram cerca de 6.500 quilômetros e 100 dias no mar até chegar à Praia da Espera, no litoral da Bahia.

A experiência deu origem ao livro Cem Dias Entre Céu e Mar, publicado em 1985, que se tornou uma das principais obras brasileiras de literatura de aventura. Mais do que registrar a travessia, o livro apresentou aos leitores o planejamento, os riscos, o isolamento e os desafios envolvidos em uma viagem desse tipo. Foi essa história que inspirou Raphael Garcia a colocar o próprio projeto no oceano.

As duas travessias aconteceram em contextos diferentes. Em mais de quatro décadas, mudaram os barcos, os equipamentos e as tecnologias de comunicação e navegação. O mar, porém, continuou impondo ao navegador uma rotina marcada pelo esforço físico, pelo isolamento e pela imprevisibilidade.

Depois de mais de quatro meses sozinho no Atlântico, Raphael chegou a Salvador ainda sentindo os efeitos da viagem. “É pegado, hein?! Eu me perguntava: ‘Por que ele não fez mais viagens como essa?’. Agora eu sei a resposta”, afirmou.

Para ele, o encontro com Klink na chegada representou a conclusão de um ciclo que começou muito antes da partida. “Indescritível ser recebido por quem me inspirou a realizar essa travessia”, disse Raphael.

Do livro ao mar e agora ao cinema

A nova travessia acontece em um momento em que a história de Amyr Klink também ganha uma nova adaptação. 100 Dias, filme dirigido pelo brasileiro Carlos Saldanha e protagonizado por Filipe Bragança no papel do jovem navegador, levará a aventura aos cinemas em 29 de outubro de 2026.