O que a Copa do Mundo deixará para os negócios da próxima década?
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26/06/2026
Colaboração de Anderson Cavalcante, CEO e fundador da Buzz Editora
Quando pensamos em uma Copa do Mundo, é natural que nossa atenção se volte para os jogos, os resultados e os momentos decisivos dentro de campo. Mas existe algo que sempre me chama a atenção: nenhuma seleção chega ao torneio preparada em poucos meses. O que vemos durante a competição é apenas a parte visível de um trabalho iniciado anos antes. A Copa de 2026 é um ótimo exemplo disso. Quando a bola rolar, veremos o resultado de decisões estratégicas, investimentos, treinamentos e ajustes feitos ao longo de muito tempo. E, curiosamente, assim que o torneio terminar, as seleções já começarão a olhar para 2030. Nos negócios, acontece exatamente a mesma coisa.
As empresas que serão protagonistas na próxima década não começarão sua preparação em 2030. Elas estão tomando decisões agora, enquanto muitas organizações ainda estão preocupadas apenas com os desafios imediatos do presente. Em minha visão, existem três competências que irão diferenciar os protagonistas dos espectadores nos próximos anos. Eu as chamo de Tríade AAA de 2030: Antecipação, Adaptação e Autoridade.
A antecipação é a arte de quem lê o jogo antes e sai na frente. Assim como as seleções mais competitivas estudam adversários, analisam dados e ajustam estratégias antes de entrar em campo, empresas também precisam desenvolver a capacidade de identificar sinais antes que eles se transformem em tendências evidentes. A velocidade da inteligência artificial mostra isso com clareza.
Segundo a pesquisa State of AI, da McKinsey, o uso de IA nas organizações saltou de 55% para 78% em apenas um ano, enquanto a adoção de IA generativa chegou a 71%. Hoje, o mercado já não discute mais se a transformação vai acontecer, mas quem terá velocidade suficiente para acompanhá-la. Acredito que as grandes oportunidades raramente parecem grandes quando surgem. Elas costumam chegar disfarçadas de curiosidade ou de algo aparentemente irrelevante. Quem aprende a interpretar sinais constrói vantagem, e quem espera a confirmação do mercado normalmente chega atrasado.
Já a adaptação é o entendimento de que mudanças de comportamento constroem o futuro. Em toda Copa, as seleções mais fortes não são apenas as mais talentosas, mas aquelas que conseguem se adaptar mais rápido às mudanças do jogo. Nos negócios, a lógica é a mesma. Mais do que acompanhar tecnologia, empresas precisam observar como as pessoas estão mudando seus hábitos, expectativas e formas de consumir. Uber, Netflix e Airbnb não cresceram apenas por inovação tecnológica, mas porque compreenderam mudanças profundas na relação dos consumidores com conveniência, acesso, velocidade e confiança.
O mercado de 2030 será liderado por quem compreender pessoas melhor do que compreende produtos. A pergunta que faço não é qual mercado está crescendo hoje, mas quais comportamentos estão mudando agora. Toda transformação econômica relevante começa quando as pessoas passam a agir de forma diferente.
E a autoridade é entender que a reputação e confiança serão os ativos mais valiosos. Em uma Copa do Mundo, o favoritismo não depende apenas do talento, mas também da confiança e da credibilidade que uma seleção constrói ao longo do tempo. Nos negócios, acontece o mesmo. Se durante décadas a informação foi uma vantagem competitiva, hoje ela está disponível para todos. Com a expansão da inteligência artificial, o recurso escasso passou a ser a confiança. Segundo a pesquisa The State of Organizations 2026, da McKinsey, 86% dos executivos acreditam que suas organizações ainda não estão preparadas para incorporar plenamente a inteligência artificial ao dia a dia dos negócios. Isso reforça que tecnologia, sozinha, não gera vantagem competitiva.
Avalio que estamos entrando em uma era em que confiança vale mais do que informação, reputação vale mais do que visibilidade e autoridade se tornou um ativo econômico. No futuro, vencerá quem conseguir transformar conhecimento em percepção de valor, experiência em influência e resultados em reputação. As empresas que dominam esses três pontos não apenas acompanharão o futuro, mas ajudarão a construí-lo. Com isso, concluo que o futuro não pertence aos que reagem mais rápido, mas sim aos que conseguem enxergá-lo antes dos outros. E essa construção começa agora.