Empreendedorismo feminino: do crescimento à sustentabilidade

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21/10/2026

Empreendedorismo feminino: do crescimento à sustentabilidade

Mulheres movimentam bilhões, mas o desafio agora é transformar crescimento em negócios sustentáveis

Por Tatyane Luncah, fundadora e CEO da Escola Brasileira de Empreendedorismo Feminino (EBEM)

O empreendedorismo feminino tem conquistado cada vez mais espaço na economia brasileira. No ecossistema da Escola Brasileira de Empreendedorismo Feminino (EBEM), já são mais de 40 mil empresárias. Em 2025, os negócios ligados a essa comunidade movimentaram aproximadamente R$ 1 bilhão em faturamento e geraram mais de 100 mil empregos. Os números mostram a força dessas mulheres na economia, mas também levantam uma reflexão importante: como transformar crescimento em negócios sustentáveis?

Abrir uma empresa e conquistar clientes são etapas importantes, mas os desafios se transformam à medida que o negócio cresce. Gestão financeira, planejamento e liderança passam a exigir ainda mais atenção. Muitas empreendedoras começam concentrando diferentes funções e decisões, mas, com a expansão, delegar responsabilidades, desenvolver equipes e estabelecer processos se tornam fundamentais para garantir que a empresa continue evoluindo sem depender exclusivamente da atuação de sua fundadora.

A tecnologia também tem um papel importante nesse processo. Ferramentas de inteligência artificial podem otimizar tarefas, organizar processos e aprimorar o relacionamento com clientes. No entanto, sua utilização precisa estar alinhada aos objetivos de cada negócio. Em um mercado cada vez mais competitivo, também é necessário investir no posicionamento da marca, na personalização e na construção de relacionamentos duradouros com os consumidores. Mais do que vender, é preciso criar valor e desenvolver vínculos que contribuam para a fidelização.

Outro aspecto que não pode ficar de fora dessa discussão é a economia do cuidado. Para muitas mulheres, administrar uma empresa significa conciliar decisões profissionais com responsabilidades domésticas e familiares. Essa sobreposição de tarefas interfere no tempo disponível para planejamento, capacitação e desenvolvimento de novas oportunidades. Por isso, fortalecer o empreendedorismo feminino também passa pela construção de redes de apoio, pelo acesso ao conhecimento e por condições que permitam às mulheres desenvolver seus negócios de maneira mais estruturada.

Estamos vivendo um momento importante para a economia feminina. Precisamos incentivar e mostrar caminhos para que essas mulheres transformem suas realidades e as das pessoas ao seu redor. Na EBEM, acreditamos que a capacitação e a troca de experiências são fundamentais para que as empreendedoras enfrentem novos desafios, ampliem suas possibilidades e tomem decisões mais estratégicas. O crescimento de uma empresa precisa ser acompanhado de preparo para lidar com as mudanças e aproveitar as oportunidades que surgem ao longo da jornada.

Crescer é importante, mas prosperar exige planejamento, organização e visão de futuro. O sucesso não deve ser medido apenas pelo faturamento, mas também pela capacidade de manter uma operação saudável, gerar empregos e se adaptar às transformações do mercado. O próximo passo do empreendedorismo feminino é garantir que cada vez mais mulheres não apenas conquistem seu espaço, mas construam negócios preparados para permanecer nele e gerar impacto positivo ao longo do tempo.

@ebemoficial