Maratona de Chicago transforma corrida em uma viagem pela cidade
Saúde
06/10/2026
Com mais de 55 mil participantes esperados em 2026, prova atravessa 29 bairros e reúne corredores de mais de 100 países
Por Redação
Mais de 55 mil corredores de mais de 100 países são esperados para a edição de 2026 da Maratona de Chicago, marcada para 11 de outubro. Além dos 42,195 quilômetros de prova, o percurso passa por 29 bairros e diferentes comunidades que ajudam a contar a história e a diversidade de Chicago.
Para Maraísa Ferreira, de 41 anos, de São Paulo, a corrida representa a realização de um projeto que começou antes mesmo de conhecer o circuito Abbott World Marathon Majors. “Desde que comecei a correr, antes mesmo de conhecer as Majors ou entender como funcionava o processo de inscrição, eu já sonhava em correr em Chicago”, conta.
A relação com a cidade também começou antes da primeira visita. Fã das séries Chicago Fire, Chicago Med e Chicago P.D., Maraísa acompanhou durante anos imagens das ruas, bairros e do skyline de Chicago pela televisão. A maratona acabou sendo o motivo para conhecer pessoalmente o destino.
Ela não estará sozinha entre os brasileiros. Até o momento, 1.564 corredores do Brasil estão inscritos na edição de 2026, sendo 377 de São Paulo, cidade brasileira com o maior número de participantes.
29 bairros, diferentes faces de Chicago
Chicago é formada por 77 comunidades, e o trajeto da maratona passa por 29 delas, entre as regiões central, norte, oeste e sul. A largada e a chegada acontecem no Grant Park, de onde os corredores seguem por diferentes áreas da cidade.
Entre os bairros do percurso está Pilsen, conhecido pela presença da cultura latina, pelos murais e pela cena musical. Northalsted, também conhecido como Boystown, concentra uma importante comunidade LGBTQ+. Já Little Italy preserva referências da imigração italiana, enquanto Chinatown reúne uma comunidade chinesa estabelecida na cidade há mais de um século. Bronzeville, por sua vez, ocupa um lugar importante na história e na cultura afro-americana de Chicago.
Durante a prova, essas características também aparecem nas ruas. Em Pilsen, grupos de mariachi acompanham os corredores; em Chinatown, apresentações de dança do leão fazem parte da programação; e Northalsted ganha um ambiente de celebração ao longo do trajeto.
Foi justamente essa mudança de cenários que chamou a atenção de Karol Stefanini, de 34 anos, também de São Paulo. Em 2025, ela escolheu Chicago para correr sua primeira maratona.
“Você corre uma única maratona, mas tem a sensação de estar passando por muitas faces diferentes de Chicago. A arquitetura, as ruas, as pessoas e a atmosfera mudam constantemente. Isso fez com que os 42,2 quilômetros parecessem uma verdadeira jornada pela cidade, e não apenas um percurso de corrida”, afirma.

A torcida também faz parte do percurso
Além dos corredores, a maratona movimenta moradores e visitantes. Cerca de 1,7 milhão de espectadores acompanham a prova ao longo do trajeto, enquanto aproximadamente 12 mil voluntários locais participam da organização.
Para Karol, a torcida foi uma das principais lembranças da primeira maratona. “As pessoas incentivavam completos desconhecidos, gritavam os nomes dos corredores e comemoravam a passagem de cada participante. Foi incrível perceber como toda a cidade parecia abraçar a maratona.”
A experiência também foi marcante para Cacá Filippini, de 46 anos, de São Paulo. Ela conheceu Chicago inicialmente como turista e decidiu voltar para correr a prova. Em 2023, conseguiu realizar o plano, mas sofreu uma lesão apenas dez dias antes da maratona.

A dor aumentou por volta do quilômetro 18. Diante da dificuldade, Cacá passou a prestar mais atenção ao que acontecia ao redor do percurso.
“Eu já não estava mais focada nas marcações do percurso. Estava completamente conectada à própria cidade”, relembra.
Em Pilsen, os murais e as cores do bairro ajudaram a mudar o foco. Ao longo do caminho, moradores e espectadores continuavam a incentivá-la.
“Eu sentia que não estava correndo sozinha. Mesmo quando minhas pernas estavam pesadas, sempre havia alguém gritando ‘Vai, Cacá!’, batendo palmas, fazendo alguma brincadeira ou simplesmente me incentivando a continuar”, conta.
Corredores de diferentes partes do mundo
A diversidade da maratona não está apenas no percurso. Os participantes também levam para Chicago diferentes histórias e motivos para correr.
Entre os inscritos estão Randy Burt e Henry Kozlowski, moradores da região de Chicago que participaram da primeira edição da maratona, em 1977, e completaram todas as edições realizadas desde então.
A edição de 2026 também terá corredores como o inglês Giles Ashton-Roberts, que participa de sete maratonas em quatro continentes em homenagem à mãe; o canadense Leodhais Macpherson, que completou 128 maratonas em 128 dias consecutivos; e o neozelandês Lee Wam, atleta cadeirante que participa das provas das World Marathon Majors usando uma fantasia de esquilo para incentivar sorrisos entre os espectadores e outros corredores.
São histórias diferentes que se encontram no mesmo percurso e ajudam a explicar a dimensão internacional da prova.
Para Karol, correr em Chicago também marcou o início de uma jornada pelas World Marathon Majors. Sua primeira maratona foi o ponto de partida para buscar outras provas do circuito.
Três anos depois de sua participação, Cacá ainda guarda na memória os diferentes momentos vividos ao longo dos 42,195 quilômetros.
Em 11 de outubro, será a vez de Maraísa conhecer essa experiência. Entre a largada no Grant Park e a chegada, estarão 29 bairros, diferentes comunidades, milhares de espectadores e corredores de dezenas de países.