Carmem Alvim fala sobre o festival que transformou Campos do Jordão em palco do design

Entrevista

29/07/2026

Carmem Alvim fala sobre o festival que transformou Campos do Jordão em palco do design

Por Redação

O design tem ampliado seu espaço na estratégia de desenvolvimento de destinos turísticos, aproximando arquitetura, hotelaria, gastronomia e economia criativa. Em Campos do Jordão, esse movimento ganha força com o Campos do Jordão Design Festival, que chega à quarta edição propondo uma ocupação da cidade por meio de exposições, instalações e experiências. Idealizadora do projeto, a curadora, artista plástica e empresária de comunicação Carmem Alvim explica como o festival evoluiu ao longo dos últimos anos, o impacto na economia local e o papel do design na valorização da identidade da Serra da Mantiqueira. Confira:

THE PRESIDENT_ Campos do Jordão Design Festival chega à quarta edição consolidando um posicionamento muito próprio ao associar design e hospitalidade. Como essa ideia surgiu? 

    Quando comecei a desenhar o festival, percebi que Campos do Jordão já possuía um patrimônio extraordinário. A cidade sempre foi reconhecida pela arquitetura, pela hotelaria, pela gastronomia e pela capacidade de receber bem. O que faltava era conectar esses elementos por meio do design. Não fazia sentido criar um evento que acontecesse isoladamente dentro de um centro de convenções. A proposta sempre foi transformar a cidade na principal protagonista. Hoje, cada hotel, cada espaço cultural, cada rua e cada edifício histórico passam a integrar essa narrativa. O design deixa de ser apenas uma disciplina para se tornar parte da experiência de quem visita Campos do Jordão. 

    TP: O festival também ajuda a fortalecer Campos do Jordão como destino de negócios. Qual é o impacto dessa movimentação? 

    O turismo de lazer já faz parte da identidade da cidade, mas o design amplia esse calendário e cria oportunidades para hotéis, restaurantes, galerias, lojistas e profissionais criativos. O festival movimenta a economia, estimula conexões e aproxima empresas, especificadores, estudantes e investidores. Existe um impacto direto na cadeia produtiva, mas também um ganho importante de posicionamento. Campos do Jordão passa a ser lembrada como um destino onde arquitetura, design e hospitalidade caminham juntos, fortalecendo sua imagem durante todo o ano e não apenas na temporada de inverno.  

    TP: A arquitetura da cidade tem papel importante nessa construção. Como ela contribui para a identidade do festival? 

    Campos do Jordão tem uma identidade arquitetônica muito própria, construída ao longo de décadas. Lugares como o Boulevard Genève traduzem essa história. Inspirado na arquitetura enxaimel, ele representa uma forma de ocupação urbana que ajudou a consolidar a imagem da cidade e continua sendo um espaço de encontro, convivência e permanência. O festival valoriza esse patrimônio porque entende que a arquitetura também comunica hospitalidade. Quando ocupamos hotéis, museus, parques e espaços históricos, mostramos que o design já faz parte da cidade e que ele pode ser percebido em diferentes escalas, da paisagem ao detalhe. 

    TP: Depois de quatro edições, qual é o principal legado que você espera deixar para Campos do Jordão? 

    Meu maior objetivo é que o festival seja reconhecido como um projeto permanente de valorização da cidade. É muito gratificante receber grandes nomes do design e apresentar lançamentos importantes, mas acredito que o verdadeiro legado está em fortalecer uma cultura de projeto. Quando profissionais, empresários, moradores e visitantes passam a enxergar o design como ferramenta de desenvolvimento, inovação e qualidade de vida, criamos um movimento que permanece muito além dos quatro dias de programação. Quero que Campos do Jordão seja cada vez mais reconhecida como uma cidade que respira design e hospitalidade, onde a forma de receber também faz parte de sua identidade cultural e de seu potencial econômico.