Para Líbera Costabeber, que aprendeu a pilotar ainda criança, na fazenda em que cresceu, a moto é muito mais que paixão: ela dá sentido à vida
Dona de um inconfundível sotaque do interior gaúcho, Líbera Costabeber já perdeu as contas da quilometragem que rodou em duas rodas. Ela aprendeu a pilotar ainda criança e fez a sua primeira trilha aos 13. Depois, participou de inúmeras competições, de enduros ao Rally dos Sertões. Além disso, a atual embaixadora da Honda Motos e influencer do mundo sobre duas rodas sempre que pode está com o pé na estrada Brasil afora. Neste papo, ela fala de sua trajetória, e como a paixão pelas motos nasceu, e compartilha lições valiosas que o motociclismo ensinou.
THE PRESIDENT _ Uma espiada nas suas redes, mesmo para quem não a conhece, faz concluir que você tem uma forte conexão com as duas rodas. O que significa estar pilotando uma moto?
Líbera Costabeber – Acima de tudo, liberdade! Saber que eu posso conquistar o mundo e a minha escolha foi em cima de uma moto. É uma sensação de plenitude, pois me coloca vivendo no mundo e não na posição de espectadora, só vendo ele passar. É fazer parte do cenário, da natureza. Você vai rodando, paisagens passando, você sente cheiros diferentes. É de arrepiar. É quando você sorri sozinha, debaixo do capacete.
E como a paixão pelas motos começou?
Eu tinha 9 anos e morava com o meu pai em Santa Maria (RS), em uma fazenda bem isolada. Então ele achou por bem me ensinar a andar de moto, pois se acontecesse algo eu poderia pedir ajuda. Aquele momento está marcado: na hora que acelerei sozinha pela primeira vez, senti algo difícil de explicar, alguma coisa acendeu dentro de mim. Às vezes, penso que, naquela hora, eu entendi quem eu era nessa vida.
O que você fez, desde então, sobre duas rodas? A paixão dura até hoje?
São 27 anos sentindo o vento no rosto e a adrenalina nas veias. Fiz a primeira trilha aos 13 anos e, com 30, corri o Rally dos Sertões. Nesse meio-tempo, disputei enduros Brasil afora, fiz expedições na América do Sul e muitas viagens em duas rodas. Eu acho que experimentar coisas diferentes é necessário para descobrir do que gostamos. Eu até me afastei das motos quando tinha 20 anos, buscando viver outras coisas e enxergar tudo de outro ângulo. E esse afastamento me fez ter a certeza de que a moto não era só uma paixão, mas uma das coisas que dão sentido à minha vida.
Com um currículo cheio desses, você deve ter aprendido várias lições com o motociclismo. Pode compartilhar algumas?
Acho isso que mencionei, de ver as coisas de uma perspectiva mais afastada, é a primeira. Ajuda a entender as fraquezas e potencializar nossas fortalezas. Além disso, humildade, simplicidade e leveza tornam tudo mais fácil. Em muitas ocasiões, um sorriso sincero e um “me ajuda, por favor” me tiraram de situações difíceis. E eu também levei muitos tombos, no sentido literal e no metafórico. Quando isso acontece, é preciso se levantar, entender onde erramos e buscar formas de mudar isso.
Você comentou das muitas viagens de moto. Os motociclistas dizem que a viagem é mais importante que o destino. Isso é verdade?
Do meu ponto de vista, tento viver os momentos de uma forma única e presente, em uma cachoeira à qual só dá para chegar com a moto de trilha, em uma parada na estrada para comer bergamota no pampa gaúcho ou em um restaurante bem simples, lá no meio do nada, no Peru. Para mim, não importa aonde vamos chegar, mas sim fazer com que as experiências no trajeto sejam únicas e bem vividas. São pessoas, histórias, lugares e sensações que cruzam o nosso caminho e eu tento não deixar passar, pois eles nos fazem aprender a viver a vida de um jeito melhor.