Ferraz Neto é sócio fundador da RFM Construtora, RFM Incorporadora e Develop Brasil. Além disso, preside o Txai Resorts, um dos principais nomes da hotelaria de luxo no Brasil
Por Amélia Whitaker
José Romeu Ferraz Neto é engenheiro civil e administrador de empresas formado pela Universidade Mackenzie, com MBA pela Fundação Getúlio Vargas (FGV). Tem uma trajetória de 45 anos tendo iniciado sua atuação profissional em 1979. Desde então participou de centenas de construções de prédios residenciais e comerciais. Em 1997 passou a se dedicar também à área de construção de hotéis, onde atua há 27 anos. Ferraz Neto é sócio fundador da RFM Construtora, RFM Incorporadora e Develop Brasil. Além disso, preside o Txai Resorts, um dos principais nomes da hotelaria de luxo no Brasil. Sua relação com o Txai começou com a construção do empreendimento em Itacaré, Bahia, e se consolidou com a aquisição do hotel em 2007. No ano 2000, foi responsável pela construção do Club Mediterranée em Trancoso, também na Bahia. Ao longo de sua carreira, desempenhou papéis de liderança em diversas entidades do setor. Foi presidente da Fiabci-Brasil, do Sinduscon-SP, vice-presidente da Câmara Brasileira da Indústria da Construção (CBIC), Diretor Titular do Departamento da Construção Civil (DECONCIC) da FIESP. Atualmente é vice-presidente do Conselho Superior da Indústria da Construção Civil (CONCIC) da FIESP, diretor do SECOVI SP além de ser conselheiro da CBIC, SENAI, Sinduscon SP e da Associação para o Desenvolvimento Imobiliário e Turístico do Brasil (ADIT).
Desde pequeno sempre quis ser engenheiro,ficava maravilhado com a construção de casas e prédios , portanto nunca tive dúvidas da minha inclinação. Fiz engenharia civil na Universidade Mackenzie tendo me formado em 1979 , em 1982 fiz no Mackenzie o curso de administração de empresas e em 1984 tive a oportunidade de dar aulas de Administração de Empresas no curso de Engenharia Civil também no Mackenzie. Na sequência participei de diversos cursos na FGV , Instituto de Engenharia e Poli. Em 2006 fiz o MBA na FGV. Sempre gostei muito da vida acadêmica, pois é através dela que conseguimos nos atualizar. Há 17 anos também participo dos Congressos Mundiais da FIABCI tendo desta forma a oportunidade de conhecer as tendências globais.
2. Qual o motivo de entrar no setor de hotelaria?
Em 1997 iniciamos a construção do Txai em Itacaré , em 2000 o Club Med Trancoso e vários outros na sequência .Em 2016 tivemos a satisfação de iniciar as obras do Hotel Rosewood em São Paulo finalizando em 2022. Na operação hoteleira entramos em 2007 com a aquisição do Txai em Itacaré.Foi uma oportunidade que surgiu e como no Brasil temos poucos produtos comparado com a extensão de nosso território achamos que seria interessante nos abrirmos para mais um tipo de negócio.
3. Qual foi a decisão de adquirir o Txai?
Na verdade, nosso DNA é imobiliario e vimos no início dos anos 2000 uma tendência mundial de desenvolvimentos imobiliários turísticos ancorados em hotéis. Vários deles na Grécia, Espanha , Portugal etc e fomos os pioneiros aqui no Brasil. Porém, este modelo de negócio só pode prosperar se o produto hoteleiro for de excelência,este o motivo de investirmos em uma marca e operarmos ,assim temos controle total do que oferecemos aos nossos hóspedes.E como temos o desenvolvimento imobiliário em nosso DNA estamos sempre atualizando o hotel , tanto é que em 2025 faremos 25 anos e o hotel está totalmente restaurado pois investimos muito todos os anos nas instalações e mobiliários. Hoje temos 3 condomínios ligados ao Txai de Itacaré: Txai Residences, Txai Vilas do Norte e Txai Vilas Sul. Não teríamos sucesso nos nossos condomínios se o hotel não estivesse perfeito.
4. Como presidente de diversas entidades do setor da construção civil, quais são os principais desafios que o mercado enfrenta atualmente, e como as associações têm trabalhado para superá-los?
Tenho tido a oportunidade de frequentar sindicatos e associações desde 1989.Esta participação é fundamental para sabermos o que está ocorrendo no nosso mercado e quais são os desafios e angústias. E o mais importante é que unidos podemos superar estas dificuldades. Sem dúvida nosso maior inimigo é esta taxa de juros exorbitante que estamos vivendo,o perigo da inflação,a falta de mão de obra e a expectativa da reforma fiscal e tributária que podem piorar ainda mais este cenário. As associações estão sempre,incansavelmente,dialogando com os entes públicos mostrando as nossas dificuldades e levando soluções para saná-las.
5. A sua experiência abrange tanto o setor imobiliário quanto a hotelaria. Como você enxerga a integração desses dois mercados no Brasil, especialmente em relação às tendências futuras e sustentabilidade?
Interessante que seguimos os modelos globais há 25 anos e só agora este produto, o de agregar os serviços de hotelaria ao residencial está se consolidando tanto na área turística como nos centros urbanos .É um modelo que acreditamos pois alivia os proprietários em relação a contratação de funcionários e manutenção dos imóveis deixando para a hotelaria este trabalho.Sem dúvida é uma tendência que veio para ficar e a sustentabilidade destes produtos está sendo incorporada naturalmente.