Empregando eficiência e governança no trabalho social, Alcione Albanesi, fundadora e CEO da ONG Amigos do Bem, impacta milhares de vidas
Por Redação
Fotos Marcelo Spatafora
“Se não posso fazer tudo que devo, devo ao menos fazer tudo que posso.” Esse é o lema de Alcione Albanesi, fundadora e CEO da ONG Amigos do Bem, uma das maiores iniciativas sociais do Brasil. Criada em 1993, a organização atua no sertão nordestino, transformando vidas e oferecendo oportunidades para romper ciclos de miséria secular. A inspiração para essa jornada vem de sua mãe, Guiomar de Oliveira Albanesi, descrita por Alcione como a “grande árvore do bem”. Desde pequena, ela acompanhava Guiomar em ações sociais em creches em São Paulo, aprendendo na prática o significado da solidariedade. Tal dedicação moldou sua visão de mundo e, anos depois, seria o alicerce para a criação da Amigos do Bem. A primeira viagem ao sertão nordestino foi um divisor de águas. Motivada pelo cenário de extrema pobreza que via no noticiário, Alcione reuniu amigos para levar ajuda a famílias em situação de miséria extrema. A realidade que encontrou – casas de barro, ausência de água e energia, fome severa – despertou sua indignação e o desejo de transformar aquelas vidas. Em paralelo à fundação da ONG, Alcione mantinha uma carreira de sucesso como fundadora da FLC Lâmpadas, pioneira na introdução das lâmpadas econômicas no Brasil. Sob sua gestão, a empresa se tornou líder de mercado, inaugurando a primeira fábrica de LED do país e atingindo quase 40% de market share. “Além de importar, investi na criação de fábricas para produzir lâmpadas, o que deu maior controle sobre a qualidade dos produtos e a capacidade de atender à crescente demanda do mercado brasileiro”, lembra. Em 2014, com o crescimento da empresa e do seu projeto social, Alcione tomou a decisão mais difícil de sua vida: vender a FLC para se dedicar integralmente e de forma voluntária à Amigos do Bem. “Fazer o bem é um exercício diário de amor, trabalho e resiliência”, reflete Alcione, que a partir de então passa de dez a 14 dias do mês no sertão nordestino. Desde o princípio, a empresária levou para a ONG as mesmas eficiência e governança que aplicava em sua empresa, criando um modelo de gestão inspirado no universo corporativo. Na Amigos do Bem, os resultados não são medidos em lucros, mas em vidas transformadas. Hoje a organização atende regularmente 150 mil pessoas, em 300 diferentes povoados de Alagoas, Pernambuco e Ceará, com projetos focados em educação, saúde, moradia e geração de renda. O modelo de desenvolvimento social sustentável é um dos pilares do trabalho. A ONG implantou 15 unidades produtivas no sertão, gerando empregos e aproveitando matérias-primas locais para criar produtos cujo lucro é revertido totalmente para projetos sociais. Além disso, mais de 10 mil crianças e jovens recebem educação de qualidade, enquanto 1,5 mil pessoas têm acesso a trabalho digno. Os resultados são impressionantes. Em 30 anos, a Amigos do Bem já transformou uma geração inteira. Jovens formados com bolsas de estudo hoje se tornam agentes de mudança em suas comunidades. Casas de barro deram lugar a moradias dignas nas Cidades do Bem, enquanto poços artesianos e caminhões-pipa garantem água para milhares de famílias. Na área da saúde, o projeto oferece atendimento médico (em especial, o oftalmológico) e odontológico a quem mais precisa. Para a empreendedora social, a única maneira de romper os ciclos de miséria é por meio do investimento em educação e trabalho. “Em rio seco, não se pesca”, diz ela, ressaltando que o trabalho da ONG vai muito além da ajuda pontual: trata-se de criar oportunidades que oferecem dignidade, trabalho e a chance de um futuro melhor. Esse impacto só é possível graças à atuação de 11 mil dedicados voluntários, além do apoio de empresas, parceiros e amigos, que compartilham a crença no poder transformador do projeto. Alcione acredita que o empresariado tem um papel essencial na redução das desigualdades no Brasil. “Temos a capacidade e os recursos para promover mudanças significativas, indo além do lucro e impactando positivamente a sociedade.”