Mercado de madeira cresce na construção civil no Brasil
Destaque
18/08/2026
Por Mario Ciccone
É improvável que JRR Tolkien imaginaria uma toca dos hobbits numa versão de um edifício de madeira, com seis casas em quatro andares, numa posição privilegiada para ver o pôr do sol em plena metrópole. Mas é isso que vemos surgir em São Paulo e outras cidades do mundo.
Projetos como o edifício Arvoredo, na Vila Madalena, e a unidade sustentável do McDonald’s em São Paulo mostram que a madeira deixou de ser apenas um elemento decorativo e passou a ocupar papel estrutural em empreendimentos de grande porte. “A construção em madeira já venceu a etapa da validação técnica”, afirma Elaine Guedes, diretora comercial da Montana Química. Para ela, o setor vive agora uma fase de aceleração, marcada pela industrialização e pela confiança crescente de arquitetos, engenheiros e investidores.
Segundo Elaine, a evolução tecnológica foi decisiva. Sistemas como CLT (Cross Laminated Timber), MLC (Madeira Laminada Colada) e Wood Frame ampliaram as possibilidades de aplicação, garantindo desempenho estrutural, rapidez construtiva e previsibilidade. Diz ela: “Hoje a madeira é reconhecida pela capacidade de responder a desafios contemporâneos como descarbonização, eficiência produtiva e qualidade de vida”.
A executiva destaca que a transformação não se resume à estética. O avanço dos processos de preservação e acabamento trouxe maior durabilidade e resistência, reduzindo riscos e ampliando a confiança no material. “A sustentabilidade da madeira começa pela sua durabilidade”, lembra. “Uma estrutura que permanece em serviço por décadas entrega o verdadeiro valor ambiental e econômico.”
Com mais de 70 anos de atuação, a Montana acompanha de perto essa evolução. A empresa investe em tecnologias de preservação e proteção, dissemina conhecimento técnico e fortalece boas práticas de especificação. “Não basta usar mais madeira, é preciso usar melhor a madeira, com inteligência e responsabilidade”, ressalta Elaine Guedes.
Ela lembra que o Brasil reúne condições únicas para se tornar referência global. Temos uma das maiores bases florestais plantadas do mundo, com ciclos curtos de crescimento e alta produtividade de espécies como pinus e eucalipto. “Poucos países têm simultaneamente ampla base florestal, conhecimento dessa cultura e uma indústria capaz de agregar valor”, observa.
Entre as questões que ainda precisam ser superadas, podem-se citar as ideias de que madeira “estraga”, “pega fogo” ou “é cara”. Elaine Guedes rebate: “Hoje contamos com conceitos consolidados de durabilidade pelo projeto, preservação industrial e sistemas de proteção que permitem que estruturas alcancem vidas úteis de várias décadas”.
Sobre incêndios, lembra que o comportamento da madeira é estudado e normatizado, permitindo atender requisitos rigorosos de segurança. Já em relação ao custo, defende que o mercado deve avaliar valor e não apenas investimento inicial: “Quando analisamos produtividade, velocidade de execução e manutenção, a discussão se torna muito mais ampla”.
A madeira desempenha, ainda, papel importante na agenda climática. “Uma construção em madeira funciona como um cofre de armazenamento de carbono”, afirma. Durante o crescimento das árvores, o dióxido de carbono é capturado e permanece estocado na edificação por décadas. Segundo Elaine, preservar bem significa ampliar a vida útil das estruturas e garantir que esse carbono continue armazenado.
Para os próximos anos, a previsão é a expansão em vários segmentos da economia. No residencial, a madeira deve ganhar espaço com acabamentos naturais. No comercial e na hospitalidade, será protagonista na criação dos ambientes. Isto, aliás, já acontece em projetos da Dengo Chocolates e do restaurante Torra. “A madeira combina desempenho técnico, renovação e experiência sensorial”, conclui Elaine Guedes.
Acredite. Existe todo um ecossistema empresarial que defende e acredita que a madeira faz parte de uma ideia de construção moderna e sustentável. E a Montana quer estar na frente dessa corrida.