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Somos vítimas de fake science e não sabemos?

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Somos vítimas de fake science e não sabemos?

Sim, pesquisas ditas científicas podem partir da má-fé e da manipulação de dados

Por André Chaves

Estamos passando por um momento épico, em que a ciência tem uma crescente presença e um impacto significativo na pauta dos noticiários em geral. Vários temas chegam como ondas arrebatadoras (o metaverso, a inteligência artificial e muitos outros). Entretanto, existe um conceito pouco falado e debatido: a fake science. 

A fake science se refere a qualquer forma de atividade científica que envolva engano intencional e manipulação ou fabricação de dados, resultados e metodologias. Essa conduta enganosa compromete os princípios da genuína investigação científica, que se baseia na aplicação sistemática do método científico, do pensamento crítico e da adesão a padrões éticos. Existem várias formas de manifestações de fake science, e algumas das mais comuns são: 

1 – Pseudociência: Refere-se a crenças e práticas que afirmam ser científicas, mas carecem de evidências empíricas e não seguem os rigorosos processos de investigação. As ideias pseudocientíficas muitas vezes se baseiam em evidências anedóticas, dados selecionados seletivamente e alegações infundadas, levando a conclusões enganosas;

2 – Dados fictícios ou fantasiosos: Em alguns casos, pesquisadores desonestos criam ou alteram dados para apoiar um resultado ou uma hipótese em especial. Essa falsificação pode ter consequências graves, pois deturpa os verdadeiros resultados de um estudo e induz outros pesquisadores e o público a erro;

3 – Pesquisas enviesadas: O viés pode ser introduzido em várias etapas do processo de pesquisa, como no desenho do estudo, na coleta de dados ou na análise. Quando os pesquisadores têm noções preconcebidas ou interesses pessoais, podem apresentar ou interpretar seletivamente os dados para apoiar suas crenças, resultando em resultados tendenciosos e não confiáveis; 

As consequências da fake science podem ser danosas, profundas e abrangentes e minar a confiança do público na pesquisa científica, prejudicando o genuíno progresso e desperdiçando recursos em práticas ineficazes e prejudiciais. Como saber se estamos sendo enganados? Quem audita os programadores e assegura os vieses estruturais? Quem faz essa curadoria? 

Outra pergunta: a comunidade científica, os formuladores de políticas e o público estão atentos para distinguir a genuína investigação científica da fake science? A transparência na divulgação dos métodos e resultados da pesquisa e a avaliação crítica de evidências são etapas cruciais para salvaguardar a integridade da pesquisa científica. Estamos seguindo essas premissas? Enfim, há uma série de perguntas clamando por respostas. Deixo o canal aberto para esse debate mais que urgente, pois, além de consumirmos fake news, podemos colocar mais um ingrediente venenoso e pernicioso em nossos pratos.  

*André Chaves, fundador do Future Hacker e CGO da Leme Growth