“Mente quieta, espinha ereta e coração tranquilo”, já cantava Walter Franco. Mas a IA nos inquieta, o celular nos deixa curvo e o coração bate acelerado
Por Messina Neto*
Será a mente elástica? O pensamento, curvo? A lógica, esférica? A razão, aguda e a intuição, esotérica? Quanto de ideias cabe em uma mente?
Provavelmente, uma quantidade proporcional ao quanto você a estimular a crescer e evoluir. Depois de um dia de trabalho intelectual intenso, sentimos a cabeça pesada, pois fomos muito exigidos no exercício das funções. Tivemos que ler, pesquisar, escrever, memorizar, argumentar, contrapor, excluir, incorporar para depois processar, calcular e extrair um raciocínio que gera a ideia a ser posta em prática por um ou por muitos.
O trabalho intelectual, o pensamento, a reflexão, o insight, que leva da compreensão mental à Visão Chapliniana e, a partir daí, à execução de um plano para tornar real o imaginário, é um processo estressante – mas que ao final nos liberta.
É na mente que nossos conhecimentos se deparam com novos desafios, e isso nos leva a ampliar nosso universo em busca de inimagináveis coisas, palavras, imagens e lugares que não sabíamos, mas estavam em nossa mente. Mas como pode? De onde Júlio Verne tirou toda aquela ficção científica?
A aventura está na mente, nos lugares inexplorados que existem e nos quais nem sequer acendemos uma luz para enxergar mais adiante. Agora, só nos resta evoluir. Estamos no limite dessa decisão. Não é mais possível abstrair e seguir sem a certeza de que ficaremos obsoletos diante dessa nova dimensão e realidade.
E não se trata apenas desse futuro com óculos virtuais, órgãos impressos em 3D, chips cerebrais, pessoas sendo mais felizes no metaverso do que na vida.
Quando a Embraer anuncia o carro voador, eu dobro a aposta na ciência para nos tirar desse sufocante estágio de estagnação evolutiva e nos projetar para algo sem precedentes.
Não serão poucos os desafios que teremos pela frente. E isso é ótimo.
Shake! Shake! Shake! Shake your mind!
Só espero que ciência e tecnologia se unam para garantir que o futuro esteja em comunhão com a natureza. Não precisa ser uma IA para entender que derrubar florestas é coisa do passado, pois uma árvore é mais valiosa de pé do que transformada em móveis e carvão. Isso já é sinal de evolução.
Um dia Bogart disse a Ingrid, num discurso político e de amor: “Sempre teremos Paris”. Hoje, em vez deles, seria um casal do povo originário às margens do Rio Tapajós, e ela diz para ele: “Sempre teremos a Amazônia”.
A gente se lê.
*Messina Neto é diretor de cinema e TV, roteirista e showrunner. Também é sócio do 16×9 Lab