Ricardo Noda e o potencial do Mogno Bahia
Entrevista
20/10/2026
Cofundador da GWG, o empresário aposta na combinação entre genética e manejo florestal para produzir o Mogno Bahia em ciclos mais curtos e abrir espaço nos mercados de arquitetura e design
Por Redação
Plantar uma árvore para os netos colherem sempre foi uma imagem familiar a quem pensa em investir em madeira nobre. Ricardo Noda enxergou nesse horizonte uma possibilidade de mudança. Ao conhecer o potencial de uma variedade que permite trabalhar com um ciclo de dez anos, decidiu transformar pesquisa florestal em negócio. A convicção foi suficiente para trazer os filhos para perto: convidou-os a empreender e investir com ele na GWG, sigla de Genome Wood Group.
Com operações em Serra Dourada, Santana e Sítio do Mato, no Oeste da Bahia, a companhia desenvolve florestas cultivadas de Mogno Bahia. Segundo Noda, a combinação entre a genética da variedade e o manejo adotado permite uma primeira colheita no quinto ano e outra no décimo. A proposta é construir uma oferta de madeira nobre com origem conhecida e produção planejada por safras anuais, como alternativa à extração de florestas nativas.
Entre o potencial da árvore e sua chegada ao mercado, há um caminho de testes, caracterização técnica e aproximação com quem transforma a matéria-prima. Os primeiros ensaios de laminação, realizados em outubro, revelaram desenhos que animaram a empresa a explorar novas aplicações em arquitetura e interiores. Outra frente é o Atelier Mogno Bahia, programa curatorial que aproxima designers e artesãos da madeira.
O desafio, reconhece o empresário, é conciliar o tempo da floresta com o do capital e ampliar a produção mantendo a qualidade do trabalho em campo. Nesta entrevista à THE PRESIDENT, Noda fala sobre as possibilidades do Mogno Bahia, a construção da confiança em uma madeira nova e os planos da GWG para conectar ciência florestal, investidores e mercados de maior valor.
THE PRESIDENT — Como surgiu a GWG e qual é o propósito que orienta a atuação da empresa no mercado?
Ricardo Noda — A GWG nasceu do encontro entre décadas de pesquisa e desenvolvimento em campo e uma visão de negócio.
Durante muito tempo, plantar madeira nobre era coisa para os netos herdarem. Eram trinta, quarenta anos até a colheita. Quando percebi que esse ciclo poderia ser reduzido para dez anos, entendi que a madeira nobre deixava de ser uma herança distante para se tornar um projeto da nossa geração. Um ativo real, que cresce no campo e ganha valor com o tempo.
Acreditei tanto nesse potencial que convidei meus filhos para empreender e investir comigo nesse negócio.
Nosso propósito é transformar ciência florestal em prosperidade, conectando genética, silvicultura e mercado. Queremos produzir madeira nobre em florestas cultivadas, com ciclos mais curtos, escala e origem conhecida, oferecendo uma alternativa à extração de florestas nativas.
Estamos criando uma nova origem para a madeira nobre.
THE PRESIDENT — O Mogno Bahia tem características que despertam interesse no mercado madeireiro. Quais são os principais diferenciais dessa madeira e o que a torna relevante em seu segmento?
Ricardo Noda — O que mais chama a atenção no Mogno Bahia® é uma combinação rara: uma árvore que cresce e amadurece rápido, produz uma madeira com características nobres, além de ser muito bonita.
Para se ter uma ideia, o eucalipto destinado à celulose costuma ser colhido por volta dos sete anos. Já a madeira nobre tradicionalmente exige décadas de espera. Com o Mogno Bahia®, trabalhamos com um ciclo de dez anos, com uma primeira colheita no quinto ano e outra no décimo, graças à genética dessa variedade seminal e ao manejo que desenvolvemos.
A nossa madeira apresenta formação precoce de cerne, densidade média, características físicas e mecânicas compatíveis com outras madeiras nobres e uma riqueza estética impressionante. Tem potencial para mobiliário, portas, janelas, revestimentos e até instrumentos musicais.
Agora em outubro fizemos os primeiros testes de laminação. Os desenhos revelados nas lâminas nos entusiasmaram muito e abriram novas possibilidades para os mercados de design e arquitetura.
THE PRESIDENT — Em um mercado cada vez mais atento à qualidade, à procedência e à sustentabilidade dos materiais, como a GWG posiciona o Mogno Bahia diante das novas demandas de consumidores e empresas?
Ricardo Noda — A pergunta que o mercado faz hoje é: de onde vem essa madeira? E nós temos uma resposta. O Mogno Bahia® é madeira nobre cultivada, com origem conhecida. Nossas operações florestais estão localizadas em Serra Dourada, Santana e Sítio do Mato, no Oeste da Bahia.
Quem especifica a madeira — o arquiteto, o designer, o marceneiro — quer conhecer sua origem, suas características e suas possibilidades de aplicação. Por isso abrimos nossas florestas, mostramos o trabalho em campo e aproximamos esses profissionais do material.
Mas procedência, sozinha, não basta. É preciso oferecer qualidade e segurança de abastecimento. Por isso planejamos nossos plantios em safras anuais, construindo uma base de produção contínua e previsível.
THE PRESIDENT — Quais são os principais desafios para desenvolver o mercado do Mogno Bahia e ampliar o reconhecimento de seu potencial no Brasil e no exterior?
Ricardo Noda — Sendo bem honesto, o maior desafio de uma madeira nova é provar o que ela entrega. O mercado é exigente, e tem razão em ser. Então precisamos avançar na caracterização técnica, fazer muitos testes de aplicação e colocar a madeira na mão de quem entende do assunto.
O Atelier Mogno Bahia®, nosso programa curatorial, nasceu um pouco disso. Quando um designer ou um artesão transforma a madeira numa peça, ele mostra coisas que nenhuma ficha técnica consegue mostrar. Lá fora, o caminho é o mesmo, com uma exigência a mais: documentação técnica sólida e capacidade de fornecimento à altura de cada mercado.
THE PRESIDENT — A origem e a rastreabilidade da madeira são questões cada vez mais relevantes para o mercado. Como a GWG trabalha esses aspectos para garantir transparência e confiança em suas operações?
Ricardo Noda — Aqui a gente tem uma vantagem: toda a nossa madeira vem de florestas próprias, que acompanhamos desde o plantio. Organizamos tudo por safra, com registro do material genético, da implantação e do manejo. A ideia é que essas informações sigam junto com a madeira, para que quem está na ponta saiba de onde ela veio e como foi produzida.
Conforme a operação cresce, organizar esses registros e controles virou prioridade. Confiança, no fim do dia, se constrói com informação que dá para verificar.
THE PRESIDENT — Na visão da GWG, como é possível conciliar o aproveitamento econômico dos recursos florestais com a conservação ambiental e a responsabilidade de longo prazo?
Ricardo Noda — Eu não vejo essas duas coisas como opostas. Tudo começa no planejamento: escolher bem as áreas, respeitar o que precisa ser protegido e pensar no ciclo inteiro da floresta, não só na colheita.
A madeira nobre cultivada amplia a oferta de matéria-prima de alto valor sem pressionar as florestas nativas. E, com ciclos mais curtos, essa oferta fica muito mais previsível. Agora, responsabilidade ambiental não pode ser discurso: tem que estar no plantio, no manejo e na colheita. Quem trabalha com floresta aprende a pensar em décadas, e isso vale para o negócio e para a terra.
THE PRESIDENT — Quais são os principais mercados e segmentos de clientes atendidos pela GWG atualmente? Há oportunidades de expansão para novas aplicações do Mogno Bahia?
Ricardo Noda — Estamos numa fase de estruturação e expansão da base florestal e, ao mesmo tempo, desenvolvendo o mercado da madeira. Hoje, uma frente importante é a aproximação com investidores — pessoas físicas, family offices e parceiros estratégicos — que querem participar dessa história desde o começo.
Do lado da madeira, estamos construindo relações com arquitetos, marcenarias, designers e moveleiros. Vejo muito espaço em peças autorais, portas, painéis e, principalmente, em lâminas para projetos de arquitetura. O próximo passo são os testes de tonalização. Mas cada aplicação a gente testa antes de afirmar. É assim que se avança com segurança.
THE PRESIDENT — Em um setor no qual a qualidade do produto e a confiabilidade dos fornecedores são fatores decisivos, quais são os diferenciais competitivos da GWG?
Ricardo Noda — Acho que o nosso grande diferencial é ter tudo integrado: o conhecimento do Mogno Bahia®, o manejo e o mercado. Pouca gente controla, ao mesmo tempo, a genética, a floresta e a conversa com quem vai usar a madeira. Isso muda tudo, porque a decisão que tomamos no campo já pensa na madeira que queremos entregar lá na frente.
Confiabilidade, para mim, não se declara: se constrói. É fazer o que prometemos, safra após safra.
THE PRESIDENT — Qual é o papel da inovação e da tecnologia na estratégia da GWG, seja no desenvolvimento do produto, na gestão das operações ou no relacionamento com o mercado?
Ricardo Noda — A inovação começa no campo, na combinação entre genética, manejo e medição dos resultados. Não adianta ter uma boa árvore se você não consegue repetir o resultado em escala. Nosso esforço é transformar conhecimento em prática que possa ser medida, melhorada e replicada.
Mas ela não fica só na floresta. Está nos novos usos da madeira — a laminação e o Atelier nos ensinam muito, porque a gente aprende com quem põe a mão no material. E está também na forma de trazer o investidor para perto da produção florestal, de um jeito mais transparente. Essa conversa entre floresta, aplicação e capital é o coração da nossa estratégia.
THE PRESIDENT — Quais são os principais desafios enfrentados pela GWG no cenário atual e como a empresa vem se preparando para lidar com as mudanças do mercado?
Ricardo Noda — O desafio clássico do setor florestal é casar o tempo da floresta com o tempo do capital. Mesmo com ciclos bem mais curtos que os da madeira nobre tradicional, floresta exige paciência e investidores que entendam esse horizonte.
O outro é crescer sem perder a mão: ganhar escala mantendo a mesma qualidade de trabalho no campo. Por isso estamos organizando a expansão por safras, fortalecendo processos e escolhendo bem os parceiros. Gente que pense no longo prazo como a gente.
THE PRESIDENT — Quais são as prioridades da GWG para os próximos anos e que oportunidades a empresa pretende aproveitar para ampliar sua presença no mercado?
Ricardo Noda — Temos três grandes prioridades: ampliar nossa base de florestas cultivadas, aperfeiçoar continuamente nossos protocolos de produção e desenvolver os mercados de maior potencial para o Mogno Bahia®.
Queremos conhecer cada vez melhor a madeira, suas características e aplicações, aproximando o material dos profissionais e das empresas que poderão transformá-lo em produtos de alto valor.
Vejo oportunidades especialmente na arquitetura, no design e no mobiliário. Os primeiros testes de laminação, por exemplo, revelaram possibilidades muito interessantes de aproveitamento dos desenhos naturais da madeira.
Ao mesmo tempo, queremos aproximar capital e floresta, atraindo investimentos que permitam expandir nossa produção de forma contínua e planejada.
THE PRESIDENT — Que mensagem o senhor gostaria de transmitir a empresários, investidores e parceiros que desejam conhecer melhor a GWG e o potencial do Mogno Bahia?
Ricardo Noda — Eu diria que a GWG é um projeto de longo prazo, que começa na floresta e chega ao mercado da madeira nobre. Não é uma aposta, é uma construção. Acredito tanto nesse projeto que trouxe minha própria família para empreender e investir comigo.
Meu convite é simples: venham conhecer de perto. Em breve teremos o lançamento da madeira em uma galeria em São Paulo e participaremos também de algumas feiras e eventos no próximo ano. Recebemos visitas em nossas florestas, onde é possível conversar com as pessoas que estão fazendo isso acontecer.
E quem quiser acompanhar nossas próximas oportunidades de investimento pode entrar em contato pelos nossos canais digitais, especialmente pelo WhatsApp, e registrar seu interesse na lista de espera do nosso futuro produto financeiro voltado a investidores.
Estamos construindo uma nova origem para a madeira nobre. E queremos reunir pessoas que compartilhem dessa visão de futuro.