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R-Evolução humana

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R-EVOLUÇÃO HUMANA

Um século depois de Oswald de Andrade lançar o Manifesto Antropofágico, tudo ganhou explicação algorítmica. Hoje talvez o poeta dissesse: “Só a Tecnofagia nos une”

Por Messina Neto*

O meteoro caiu bem na nossa certeza antropocêntrica. Não se fala em outra coisa a não ser em Inteligência Artificial e sua capacidade de nos varrer do mapa – dinossauros que viramos, do dia pra noite. 

Aconteceu justo agora que uma parte da humanidade estava aprendendo a lidar melhor com a internet das coisas, tagarelar com a Alexia, fazer um pix atrás do outro e achar que inovação é trocar de iPhone todo ano. 

Chips neurais, passar férias na Lua, realizar nanocirurgias, carros voadores sem motoristas são ideias que até então nem passavam por nossas analógicas cabeças.

Tenho pensado até onde tudo isso vai nos levar. E como irá interferir na sétima arte, já que o cinema é fruto da imaginação, do sonho. E, até onde eu sei, robôs não sonham — ainda. 

Na órbita do Planeta Cinema, a IA já impactou todas as camadas do processo criativo, mas o que ainda está em jogo é a mensagem contida na experiência. Aquilo que a gente leva conosco depois de sermos arrebatados pela arte. 

No escurinho do cinema, partimos em busca da catarse, queremos sentir algo mais. E fazer esse sentimento aflorar, contagiar o público, levá-lo do riso às lágrimas, tem sido tarefa árdua, produzida por mãos hábeis de dedicados roteiristas e autores.

Mas como serão escritos os roteiros daqui pra frente? E até onde o ChatGPT pode nos ajudar com isso? Assim como a mecanização da produção nos séculos 18 e 19 nos levou à rápida industrialização, com os chatbots agora podemos aumentar a velocidade de processamento dos meios e acelerar nosso salto tecnológico e evolutivo. E já não me refiro somente ao cinema, e sim a todas as artes, à medicina, à ciência, no sentido da cura de nossas doenças e da expansão das capacidades intelectuais do ser humano.

Robô não sonha. E, se sonhar, qual o sonho de um robô? Será que é se tornar um humano? Ganhar um “coração de verdade pra colocar no peito de lata”, como em Oz?

Na dúvida, perguntei para o próprio ChatGPT e ele me confidenciou: “Robôs não têm a capacidade de sonhar ou ter desejos. São máquinas programadas para realizar tarefas. Mas, se interpretarmos sonhos como metas, um robô explorador espacial fará a melhor coleta de dados possível sobre o cosmo. Já o robô médico quer salvar vidas e não vai descansar enquanto não melhorar a saúde das pessoas. Embora os avanços na Inteligência Artificial possam permitir que os robôs sejam cada vez mais sofisticados em termos de interação e imitação do comportamento humano, eles continuam sendo máquinas programadas sem uma experiência subjetiva de desejar ser algo que não são”.

Depois de tanta sinceridade, fiquei mais tranquilo. Enquanto não tivermos implantes no cérebro e os robôs ainda não sonharem, é melhor fazermos a deglutição dessa nova cultura para sermos ainda mais fortes, como nos ensinaram os Modernistas. 

Tupi or not Tupi. Lembram? 

A gente se lê!.