Para um mundo melhor
Entrevista
07/07/2026
Katia Souza, diretora da Mars Petcare, líder em alimentos para cães e gatos, trabalha em prol de uma integração mais harmoniosa com os pets
Por Cris Berger
A Mars Petcare é uma empresa líder no mercado de alimentos para cães e gatos, com marcas campeãs, como Pedigree, Whiskas e Sheba. Sediada em Michigan, nos Estados Unidos, tem forte presença no Brasil, onde construiu nada menos que três fábricas. Tanto lá fora quanto aqui, um dos orgulhos da companhia é oferecer nutrição balanceada, com qualidade e segurança em todo o processo de produção.
Saudável é também a vida de Katia Souza, diretora de assuntos corporativos da Mars Petcare. Quando não está trabalhando por um mundo melhor para os pets, ela pratica beach tennis, corre, viaja, devora livros, assiste a filmes e cuida do filho de 8 anos. “Não importa o quanto eu esteja cansada nem quão difícil tenha sido meu dia, levo o meu melhor para o meu filho”, revela. “Isso me faz ficar mais relaxada e divertida.”
É na corrida que ela encontra seu refúgio. No começo, exercitava-se para desestressar. Hoje, encontra prazer na prática. Katia sabe que não pode ser perfeita como diretora, mãe, filha, irmã, esposa e amiga, mas acredita que a beleza da vida está justamente no desafio de equilibrar todos os pratinhos, pois acredita que todas as frentes se completam.


THE PRESIDENT _ Você é formada em economia com MBA, pós-graduada em marketing em gestão pública. O que a fez se especializar nessa área?
Katia Souza – Sempre fui movida pela vontade de entender como decisões públicas ou privadas podem gerar impacto real na sociedade. Acredito profundamente na força da colaboração entre empresas, sociedade e governo para criar mudanças estruturais e duradouras. Políticas públicas eficazes não nascem isoladas. São construídas a partir do diálogo, da escuta ativa e da cooperação entre diferentes atores.
Como foi a sua trajetória na Mars?
Começou há sete anos. Logo no início, liderei um projeto estratégico para a construção da fábrica de Ponta Grossa, no Paraná. Seis anos depois, tive a honra de inaugurá-la como diretora de assuntos corporativos. Foi um momento carregado de significado. Estavam presentes associados da Mars, família Mars, imprensa e autoridades. Para mim, foi a materialização de uma jornada construída com consistência, confiança e colaboração, e um dos momentos de maior orgulho da minha jornada na Mars.
Que desafio a motiva mais?
A oportunidade de fazer um mundo melhor para os pets todos os dias, vivendo intensamente os cinco princípios da Mars: responsabilidade, mutualidade, qualidade, eficiência e liberdade. São valores que orientam decisões, relações e a forma como construímos negócios, pessoas e times fortes e sustentáveis no longo prazo. Pesquisas globais indicam que 94% dos tutores consideram seus pets membros da família, e 51% afirmam preferir se desestressar com seus animais do que com parceiros, amigos ou família, o que mostra o efeito emocional positivo do convívio com pets no bem-estar das pessoas.
Qual é o seu trabalho como diretora de assuntos corporativos?
Transformar a vida dos pets e de seus tutores é mais do que uma missão profissional. É um compromisso diário. Meu papel é liderar e integrar o trabalho de quatro frentes fundamentais: comunicação externa e interna, políticas públicas, e o atendimento direto aos tutores de pets. Juntas, essas áreas atuam de forma conectada para fortalecer a presença dos pets na sociedade e contribuir para a construção de um mundo mais sustentável e mais pet friendly.
Qual é o tamanho do mercado pet no Brasil?
Cerca de 48 milhões de lares têm pelo menos um cão ou gato, o que supera o número de lares com crianças, segundo dados do IBGE. Isso mostra o tamanho e a relevância desse vínculo e a necessidade de políticas públicas que acompanhem essa transformação social.
Qual é a importância de incluir os pets em políticas públicas?
Elas geram efeitos concretos na redução do abandono, por meio de incentivo à castração e adoção responsável; melhoria na saúde pública, considerando os benefícios emocionais comprovados da interação humano-animal; e cidades mais inclusivas e pet friendly, com infraestrutura adequada de espaços públicos e serviços.
Quais países servem de modelo?
Reino Unido, Alemanha, Canadá e Estados Unidos apresentam políticas mais avançadas de bem-estar animal e de integração dos pets em agendas públicas, incluindo programas de controle populacional ético, parcerias com organizações não governamentais e incentivos a adoções responsáveis. Esses modelos mostram que as ações colaborativas e estruturadas produzem resultados sustentáveis e replicáveis.
Quais são os maiores desafios do Brasil?
O Brasil é o terceiro maior mercado pet do mundo, com mais de 120 milhões de cães e gatos, mas cerca de 30 milhões vivem em situação de abandono, o que representa 25% da população total pet do país, segundo o Índice do Abandono Animal, realizado pela Mars Petcare em 2024. O principal desafio é estrutural: precisamos de ações integradas que combinem prevenção, controle e adoção, e não apenas atuação reativa, focada no resgate. Ainda temos oportunidades em políticas públicas integradas, financiamento contínuo para ONGs, programas amplos de castração, educação para adoção responsável e um olhar mais estratégico sobre o perfil do tutor e o tipo de pet mais compatível com seu estilo de vida. Sem isso, o ciclo do abandono se perpetua, mesmo em um país que ama seus animais.
Como a Mars contribui diretamente para uma vida melhor para os pets?
No Brasil, apenas 42,7% de cães e 55,6% das de gatos são atendidas por alimentos comerciais completos e balanceados. Em mercados mais maduros, esse número já ultrapassa 80%. Isso significa que uma parcela significativa dos animais vive em déficit calórico ou nutricional, o que impacta diretamente a imunidade, a vitalidade e a longevidade. A Mars incentiva o acesso a uma alimentação adequada, equilibrada e orientada às necessidades de cada fase da vida.
Como prevê o futuro de políticas públicas no Brasil envolvendo os pets?
Temos o ambicioso objetivo de acabar com o abandono animal. Nenhum setor resolve esse desafio sozinho. A escala necessária para atingirmos esse objetivo exige união. Apoiamos no final do ano passado a criação do Projeto de Lei de Incentivo à Adoção e Proteção Animal e o PLP do CEBAS Animal. O poder público lidera com políticas permanentes, a iniciativa privada contribui com investimento, inovação e dados, e a sociedade civil segue como protagonista na execução.
O que é o projeto Better Cities for Pets?
Trata-se de uma iniciativa global da Mars Petcare, criada em 2017 para apoiar cidades na construção de ambientes mais acolhedores para pessoas e pets viverem melhor juntos. O projeto parte do princípio de que cidades pet friendly têm menos abandono, mais adoções e comunidades mais saudáveis. A iniciativa atua a partir de quatro pilares: ONGs e abrigos estruturados e apoiados; lares preparados para receber pets e engajados com a adoção responsável; parques e espaços públicos pet friendly; e empresas que acolham pets em seus ambientes. No Brasil, desde 2021 o Programa Melhores Cidades para os Pets se conecta com governos locais, empresas e organizações sociais para transformar esse conceito em ações concretas.
Quais foram as grandes realizações do BCFP no Brasil?
Entre elas, a criação de um curso inédito e autoral de políticas públicas para cidades, que já capacitou 15 municípios da região de Holambra em 2024; o treinamento de mais de 250 hotéis e restaurantes para adoção de práticas pet friendly, incluindo grandes redes como Accor, Atlântica e McDonald’s; e a formação de 19 cidades nos últimos dois anos, como Fortaleza, São Roque e municípios dos Circuitos das Frutas e das Águas no Estado de São Paulo. O programa também promove soluções urbanas sustentáveis, como a construção de parques pet, como em Mogi Mirim e Extrema, feitos a partir da reciclagem de 36 mil embalagens flexíveis de ração.
O que a Mars faz para que seu slogan “Um Mundo Melhor para os Pets” seja realidade?
Significa ir além do cuidado básico e atuar para que cães e gatos tenham alimentação adequada, saúde, um lar responsável e uma sociedade preparada para acolhê-los. Hoje, a Mars alimenta e cuida de 400 milhões de pets em todo o mundo — o equivalente a 50% da população pet global —, oferecendo nutrição de qualidade por meio de marcas top of mind como Pedigree, Whiskas, Dreamies e Sheba. Esse alcance nos traz uma grande responsabilidade, que se traduz em investimento contínuo em ciência, inovação e desenvolvimento de produtos, sempre colocando o tutor e o bem-estar do animal no centro da estratégia.
O que é o Waltham Petcare Science Institute?
O Waltham conduz e apoia pesquisas avançadas em nutrição, saúde, comportamento e relação humano-animal, colaborando com universidades e especialistas. Esse conhecimento científico orienta tanto a inovação dos nossos produtos quanto iniciativas de impacto social, além de embasar estudos como o Índice de Abandono Animal, que nos ajuda a compreender, de forma estruturada, as causas do abandono e a desenvolver soluções mais eficazes e preventivas.
O que é o programa “Adotar é Tudo de Bom”?
O Pedigree Adotar é Tudo de Bom é o maior programa de adoção do país e atua há mais de 17 anos no Brasil. Já ajudou mais de 87 mil cães a encontrarem um lar, apoiou mais de 1,6 mil ONGs e protetores, doou cerca de 2,5 mil toneladas de alimentos e viabilizou mais de 13 mil eventos de adoção. O programa combate o abandono não apenas promovendo adoções, mas atuando em educação, conscientização, doação de alimentos e mais de 2 mil animais castrados em mutirões, atacando as causas do problema, e não apenas suas consequências.
Qual é a estratégia da Mars para reverter os dados trazidos pelo Índice de Abandono Animal?
O Índice de Abandono Animal foi criado para trazer dados, visibilidade e base técnica para o debate. A estratégia da Mars é atuar de forma integrada: apoiar políticas públicas estruturantes, fortalecer ONGs, investir em educação para adoção responsável e incentivar modelos de financiamento sustentável para a causa animal. Acreditamos que só será possível reverter esses números quando o Brasil migrar de um modelo reativo para um modelo preventivo, com foco em controle populacional via castração e microchipagem, informação, adoção consciente e políticas de sustentabilidade para ONGs.
Como você vê a crescente relação humano-pet?
Estudos do Waltham demonstram que a convivência com pets está associada à redução de sentimentos de solidão, ao fortalecimento de vínculos sociais, ao apoio ao desenvolvimento emocional infantil e até a benefícios fisiológicos, como a diminuição de níveis de estresse.