Quando menos esperamos, o futuro tecnológico bate à nossa porta. é preciso estar preparado para encará-lo de frente
Por André Chaves, fundador do Future Hacker e diretor comercial da Vibra Digital
Muitos me perguntam qual é o maior propósito da criação do Future Hacker. Respondo de primeira: trazer discussões profundas e transversais sobre os grandes dilemas do futuro. Como seria isso? Resolvi escrever um texto para exemplificar melhor as intenções do Future Hacker.
Crossing the Chasm (Atravessando o Abismo) é um clássico livro de marketing escrito pelo consultor de gestão americano Geoffrey A. Moore e publicado em 1991 pela HarperCollins Publishers. Na obra, ele examina a dinâmica de mercado enfrentada por produtos inovadores, com um foco particular no “abismo” – ou seja, na lacuna de adoção que existe entre os mercados iniciais e os convencionais.
Crossing the Chasm é uma adaptação de um modelo de adoção de inovação chamado Teoria da Difusão de Inovações, criado por Everett Rogers, outro teórico americano. Moore acredita que visionários e pragmáticos têm expectativas muito diferentes e tenta explorar essas diferenças e sugerir técnicas para cruzar o “abismo” entre eles com sucesso, incluindo a escolha de um mercado-alvo, a compreensão de todo o conceito do produto e seu posicionamento, a construção de uma estratégia de marketing, a escolha do canal de distribuição e o ajuste a preços adequados.
Ainda de acordo com o autor de Crossing the Chasm, qualquer pessoa com uma inovação ou um novo produto deve se concentrar em um grupo de clientes por vez, usando cada grupo como base para o marketing do grupo seguinte. O passo mais difícil é fazer a transição entre visionários (os adotantes iniciais) e pragmatistas (a maioria). Esse é o abismo a que se refere o título do livro.
Agora vamos colocar mais um elemento na história, com uma pergunta decisiva: e se essa inovação atravessa o abismo, mas a sociedade não está preparada para adotá-la?
É exatamente o ponto em que nos encontramos. A Inteligência Artificial, agora popularizada pelo Chat GPT, chegou, e logo mais desembarcará o Bard, do Google. E então? Como usar, o que podemos usar, quais são os limites?
Em tese, a Inteligência Artificial pode ser aplicada em criação de arte, poesia, letras de música, trabalhos escolares e muitas outras utilizações que a sociedade não previa. Isso abre a discussão: como lidar com os dilemas éticos inéditos que ela provoca? Retomando: quais são os limites de aplicação?
Por motivos como esses, é importante que a sociedade entenda que discutir o futuro não é elocubrar aos deuses, tampouco consultar oráculos. Mas sim se preparar devidamente para enfrentar os dilemas que a evolução tecnológica nos apresenta de forma abrupta.
Se não fizermos isso, quem cairá no abismo será a sociedade como um todo. Precisamos impedir que ela se torne uma nave desgovernada, perdida no espaço e no tempo.