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o novo capítulo do mercado imobiliário brasileiro

entrevista

O novo capítulo do mercado imobiliário brasileiro

Empresário Alexandre Lafer reflete sobre o mercado imobiliário brasileiro e o pontapé inicial para criar a Housi

Alexandre Lafer Frankel, CEO da Housi, compartilha a inspiração por trás da criação da empresa, que nasceu dentro da Vitacon ao identificar uma demanda crescente de investidores que adquiriam apartamentos, mas não tinham experiência ou estrutura para administrá-los e gerar renda de forma eficiente. Hoje, a Housi se transformou em um modelo inovador de moradia por assinatura.

“Nosso objetivo é nos consolidarmos como uma gigante do setor imobiliário, com ambições de nos tornarmos a empresa mais valiosa do mercado nos próximos dois anos, liderando a transformação digital desse segmento globalmente.”

1. O que o desenvolveu a criar a Housi e como essa ideia evoluiu desde o início?

A ideia da Housi surgiu dentro da Vitacon, onde percebemos uma demanda crescente de investidores que adquiriam apartamentos, mas não tinham experiência ou estrutura para gerenciar esses imóveis e gerar renda de forma eficiente. A maior parte desses investidores era composta por médicos, dentistas e advogados, que enfrentavam dificuldades para administrar seus ativos. Assim, criamos uma área na Vitacon dedicada a cuidar de todos os aspectos da locação e administração para esses clientes, transformando a experiência em algo descomplicado. Com o tempo, percebemos que a cultura de moradia estava mudando. Cada vez mais pessoas optavam pelo uso em vez da posse de imóveis. Estudos recentes indicam que 25% da população já vive em imóveis alugados ou por assinatura, evidenciando essa tendência. Esse movimento nos levou a transformar essa área de apoio em uma nova empresa independente, a Housi, que começou com uma operação modesta em um apartamento de 20 m², uma real startup. Apesar dos desafios iniciais, como o impacto da pandemia, adaptamos nosso modelo de negócios, focando em licenciar nossa marca e tecnologia para incorporações em todo o Brasil. Hoje, a Housi é a primeira bandeira residencial digital do país, com atuação em mais de 200 cidades e uma base de mais de 200 mil apartamentos.

2. Na sua visão, em qual estágio o mercado imobiliário brasileiro se encontra atualmente e quais são os maiores desafios e oportunidades?

O mercado imobiliário brasileiro atravessa um momento de alta demanda, impulsionado por um déficit habitacional expressivo e pelo crescimento da população em busca de moradia. O ano de 2024 destacou-se por recordes de vendas, mesmo diante de desafios econômicos. Esse desempenho reforça a resiliência do setor e sua relevância na economia, sendo responsável por quase 10% do PIB nacional e ocupando a posição de segundo maior gerador de empregos, atrás apenas do agronegócio. Entre os principais desafios estão os impactos da taxa de juros, que afetam tanto o financiamento imobiliário quanto os custos de produção. Apesar disso, surgem oportunidades significativas com a digitalização do mercado, o desenvolvimento de soluções para aprimorar a experiência do consumidor e o apoio governamental ao segmento econômico. Nos próximos anos, a expectativa é de aquecimento contínuo, com o mercado expandindo sua capacidade para atender à demanda crescente, tanto em moradias novas quanto já existentes. A tendência de “morar em vez de comprar” tem se consolidado no Brasil, impulsionando soluções de locação por assinatura. Simultaneamente, a adoção de novas tecnologias e a maior flexibilidade no acesso a propriedades surgem como fatores-chave para esse avanço. O cenário é de otimismo, com o mercado imobiliário demonstrando dinamismo e capacidade de atender às novas demandas. Nesse contexto, a atuação da Housi na digitalização do setor ganha destaque, ao transformar operações e oferecer soluções inovadoras que atendem às necessidades de incorporadores e moradores.

3. Como a Housi está posicionada para liderar a transformação do mercado imobiliário nos próximos anos?

A Housi se posiciona como protagonista na digitalização do mercado imobiliário, trazendo uma revolução que outros setores, como o bancário e o automobilístico, já vivenciaram. Nosso objetivo é transformar prédios analógicos em plataformas multifuncionais, integrando tecnologia e serviços que tragam praticidade ao dia a dia dos moradores. Recentemente, realizamos uma captação significativa de recursos, mesmo em um momento desafiador para o setor de tecnologia, o que reforça a força do nosso modelo de negócios. Atuamos tanto em novos empreendimentos quanto no mercado secundário, embarcando tecnologia em prédios já existentes. Com presença em mais de 200 cidades e escritórios regionais em 10 localidades, seguimos expandindo nossa atuação no Brasil e planejamos nossa internacionalização em breve.

4. Fora do trabalho, quais atividades ou hobbies você gosta de praticar para relaxar e se desconectar?

Sou apaixonado por esportes e pratico triathlon há mais de 30 anos. Essa atividade é quase uma forma de meditação para mim, ajudando a organizar pensamentos e a recarregar as energias. Também gosto de ler, especialmente livros sobre negócios e desenvolvimento pessoal, e de jogar xadrez, um hobby que estimula o pensamento estratégico. Essas práticas me ajudam a equilibrar a intensidade do trabalho com momentos de introspecção e relaxamento. Este ano estou inserindo a meditação como prática diária.

5. Quais são os seus planos para a Housi nos próximos cinco e dez anos, tanto em termos de expansão no Brasil quanto internacionalmente?

Nos próximos cinco anos, queremos que a Housi seja vista como o “sistema operacional” dos prédios, conectando imóveis a serviços, tecnologias e produtos. Acreditamos que todos os empreendimentos imobiliários precisam dessa integração para se tornarem mais eficientes e práticos. Nosso foco está em digitalizar o máximo de empreendimentos no Brasil, tanto os novos quanto os já existentes. Em termos de expansão internacional, iniciamos estudos para operações na América do Norte e na Europa, mercados que consideramos estratégicos. Além disso, estamos desenvolvendo soluções financeiras, como um braço de fintech, para facilitar o acesso a crédito para incorporadoras e compradores finais. Nosso objetivo é nos consolidarmos como uma gigante do setor imobiliário, com ambições de nos tornarmos a empresa mais valiosa do mercado nos próximos dois anos, liderando a transformação digital desse segmento globalmente.