O CEO do futuro é o que decide melhor

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30/06/2026

O CEO do futuro é o que decide melhor

Colaboração de Junior Rozante, CEO da RZ3

O maior risco das empresas não está no mercado. Está na qualidade das decisões. Durante décadas, experiência, intuição e capacidade de execução foram os principais atributos esperados de um líder. Hoje, continuam importantes, mas já não são suficientes para conduzir empresas em um ambiente marcado por transformações rápidas, excesso de informação e pressão constante por resultados.

Nesse cenário, a diferença entre organizações que crescem e aquelas que perdem competitividade está cada vez mais ligada à forma como tomam decisões. Não por acaso, estudos mostram que apenas 20% das empresas consideram seus processos decisórios altamente eficazes. Ao mesmo tempo, cerca de 70% das transformações estratégicas falham por problemas relacionados à execução e à tomada de decisão.

Esses números ajudam a explicar por que muitas empresas enfrentam dificuldades mesmo quando possuem bons produtos, equipes qualificadas e oportunidades de mercado. O problema raramente está em uma única grande decisão. Ele costuma surgir da soma de pequenas escolhas feitas sem informação adequada, análise suficiente ou avaliação de riscos.

Uma expansão realizada no momento errado. Um investimento sem retorno esperado. Uma contratação equivocada. Uma estratégia construída sobre percepções em vez de evidências. Os impactos aparecem na rentabilidade, na produtividade, na capacidade de inovação e, muitas vezes, na própria sobrevivência do negócio.

Isso não significa que a experiência perdeu valor. Significa apenas que ela deixou de ser suficiente por si só.

O CEO moderno precisa combinar experiência com dados, análise de cenários, tecnologia e governança. Precisa transformar informação em inteligência e inteligência em ação.

O desafio é que as empresas nunca tiveram acesso a tantos dados quanto agora. E, paradoxalmente, nunca enfrentaram tanta dificuldade para decidir. O excesso de informação se tornou um obstáculo. Relatórios, indicadores e dashboards se multiplicam, mas nem sempre geram clareza sobre o que realmente importa.

Por isso, a principal pergunta para os líderes não deveria ser quantos dados a empresa possui, mas se ela consegue transformá-los em decisões melhores.

Empresas orientadas por dados tendem a responder mais rapidamente às mudanças, identificar riscos com antecedência e executar estratégias com maior precisão. Mais do que uma questão tecnológica, trata-se de uma vantagem competitiva.

Nesse contexto, o papel do CEO também está mudando. O líder deixa de ser apenas o responsável por tomar decisões e passa a ser o responsável por construir um ambiente em que decisões de qualidade aconteçam de forma consistente.

Isso exige processos claros, informações confiáveis, gestão de riscos, visão de longo prazo e capacidade de adaptação. Também exige novas competências. Interpretar dados, compreender impactos sistêmicos, lidar com incertezas e acompanhar a evolução tecnológica passam a fazer parte do repertório básico de qualquer executivo.

No final, a vantagem competitiva não estará apenas na tecnologia, no capital ou nos produtos. Estará na capacidade de transformar informação em direção e direção em resultados.

Por isso, acredito que o CEO do futuro não será necessariamente aquele que sabe mais. Será aquele que possui competências para usar a sua experiência, visão estratégica e capacidade de leitura do mercado, tanto para traçar os rumos de crescimento, como também para evitar ou minimizar eventuais riscos.