O avanço das pesquisas genéticas e a possibilidade de personalização de tratamento
Por Mariela Silveira
Nos últimos anos, os avanços nas pesquisas genéticas abriram novos horizontes para a medicina preventiva e preditiva, permitindo um olhar mais refinado e personalizado sobre o cuidado com a saúde. A capacidade de analisar o DNA de forma acessível possibilita mapear predisposições genéticas e ajustar intervenções de acordo com a individualidade de cada paciente. Contudo, esses avanços vêm acompanhados de um alerta: os exames genéticos devem ser solicitados e interpretados por profissionais especializados. Agir por conta própria pode ser arriscado e levar a interpretações inadequadas e escolhas prejudiciais. Um exemplo de avanço é o risco genético de desenvolvimento de lipedema e trombofilia, condições que podem ser identificadas precocemente. Essa detecção permite intervenções terapêuticas capazes de retardar o progresso da doença. Também é possível identificar o DNA das bactérias intestinais para otimizar a digestão, a absorção de nutrientes e a produção de vitaminas essenciais. A tecnologia Shot Gun, por exemplo, mapeia desequilíbrios microbianos associados a doenças inflamatórias intestinais, obesidade, autismo, diabetes, câncer e distúrbios do humor, como ansiedade e depressão. Exames genéticos também auxiliam na compreensão do metabolismo de carboidratos, proteínas e lipídeos, permitindo a personalização de orientações nutricionais e contribuindo para a manutenção de um peso saudável. Além disso, possibilitam identificar o exercício mais adequado e quais fármacos apresentam maior compatibilidade. Pesquisas recentes sobre epigenética reforçam a influência do estilo de vida na expressão dos genes. Por exemplo, elas mostram que a prática regular de atividade física e uma alimentação balanceada podem ativar genes protetores e silenciar aqueles relacionados ao desenvolvimento de doenças crônicas, como diabetes e hipertensão. Apesar dos benefícios, a ciência demonstra que a saúde é um mosaico de fatores. De acordo com um estudo da Universidade de Stanford, a contribuição da genética à saúde é de cerca de 17%. Já estilo de vida (53%), ambiente (20%) e medicina (10%), em conjunto, desempenham papéis ainda mais expressivos. O grande valor do exame genético, portanto, não está só na identificação de vulnerabilidades, mas na possibilidade de intervenções eficazes. Essas iniciativas só alcançam o pleno potencial quando conduzidas em um contexto médico global e integrativo. Aprendi esse conceito desde cedo, vivenciando o Método Kur, criado em 1971 pelo meu pai, o doutor Luís Carlos Silveira, que enfatiza a importância da prevenção e do estilo de vida.