Por Messina Neto
Crescemos ouvindo rádio, vimos a TV ficar colorida, usamos pager, navegamos na internet discada e estamos cercados de telas. Mas e o conteúdo?
De 1950 para cá, desde que foi parida, a TV deu um salto tecnológico. Do tubo catódico ela se transformou na garota das telas de LED. Lá nos primórdios da TV Tupi, uma parcela da população brasileira foi abduzida pela então caixa de válvulas que emitia ondas e modismos. Foi da sua telinha que nasceram as primeiras propagandas, os jingles e as telenovelas, onde foi transmitido o primeiro beijo técnico. Ao longo do tempo, nossa relação com as telas se tornou cada vez mais dependente e ela mais onipresente em nossa vida. Caixa eletrônico, notebook, kindle, tablet, celular, TV. Seja de 5, 8, 15, 60, 80 ou mais polegadas, a verdade é que estamos cercados de telas. O público, cada dia mais fiel, foi batizado de tevente, depois virou telespectador, internauta, usuário e agora assinante. Em outras palavras, ele deixou de ser passivo e assumiu finalmente o papel de cliente. Ele é quem paga a conta. É ele quem decide o conteúdo que deseja ver, qual canal vai assistir, qual vai assinar e quanto vai pagar pelo serviço. Olhando pelo viés do Território Criativo, dá para imaginar que só a tecnologia não basta e esse pastel tem que ter recheio. Falta liga para fazer essa conexão entre a plataforma e o assinante dar match. É a hora e a vez do que se instituiu chamar de Conteúdo Premium. Trocando miúdos por algoritmos, significa jogar a isca certa para fisgar a audiência, esse cardume de usuários à deriva na imensidão do oceano de imagens, alimentado pela maré da IA, mas pescando conteúdo com seu controle remoto em busca de entretenimento de qualidade para preencher seu tempo e alimentar sua existência. Clientes satisfeitos geram receitas vitaminadas. O Conteúdo Premium impulsionado pelo avanço da tecnologia é capaz de atrair públicos seletos, como os de mulheres e homens com 60+. No Brasil, até 2030, esse público será a quinta maior população do planeta. Pergunto: o que existe voltado para ele? Muito pouco, se considerarmos o seu enorme potencial. A boa notícia é que produtoras especializadas já sinalizam criações voltadas para esse exigente perfil de consumidor, independente, consciente, sofisticado e ávido por entretenimento de primeira. Curioso? Em breve, novos capítulos dessa série. A gente se lê!
*Messina Neto é diretor de cinema e TV, roteirista e showrunner. Também é sócio do 16×9 Lab