IA sem investimento em capital humano leva à frustração

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26/08/2026

IA sem investimento em capital humano leva à frustração

Por Denise Rendtorff, Partner & Managing Director Talenses Human Capital

Mais de 80% de um grupo de 137 líderes utilizam ferramentas de Inteligência Artificial (IA) pelo menos uma vez por dia. Destes, 59% fazem uso da solução várias vezes a cada expediente. Três atividades se destacam entre as mais realizadas com o apoio dessa tecnologia inteligente: pesquisa e síntese de informações; resumo de documentos; e criação de apresentações.

O achado faz parte do mapeamento “Liderança Orquestradora na Era da IA”, conduzido pela Talenses Human Capital, empresa do Talenses Group, em junho de 2026. Uma sondagem que também revelou que o uso de Inteligência Artificial no trabalho tem beneficiado uma parcela significativa dos líderes com economia de tempo, aumento de produtividade e redução de atividades repetitivas. Por outro lado, a percepção de ganhos relacionados à colaboração entre equipes e redução de custos ainda é baixa.

Em termos de investimentos por parte da empresa, apenas 24% dos líderes declararam terem recebido treinamento formal em IA. A maioria (62%) aprendeu por iniciativa própria, enquanto 23% informaram que sua empresa ainda não possui um projeto estruturado nesse sentido. Além disso, 38% admitiram que receberam pouco ou nenhum suporte para conduzir processos de adoção e uso de IA.

Esses e outros dados nos permitem supor que o líder que mais orquestra IA e humanos hoje é, em grande medida, um autodidata sob pressão. Por um lado, é bom saber que alguns desses gestores estão assumindo o protagonismo nesse momento e indo em busca de conhecimento. No entanto, essa realidade também expõe uma lacuna nos quesitos capacitação, governança e suporte para a adoção de novas ferramentas.

O levantamento me preocupa, mas, infelizmente, não me surpreende. Digo isso por ter conhecimento de que muitas empresas realmente estão implantando IA sem nenhuma preparação prévia. Como consequência, não conseguem entregar os resultados esperados e gerar impacto. E é importante observar que, se a companhia tem gargalos em estrutura, processos, sistemas e modelo de gestão, a IA opera como um amplificador de todo esse gap.

A Era da IA pede líderes orquestradores. Aqueles capazes de coordenar inteligências humanas e artificiais em prol do negócio. Gestores que estão sendo convocados a reavaliar as próprias habilidades, capacidades e práticas. Precisam estar mais atentos a aspectos da cultura e da estrutura corporativa para receber as novidades de agora e que estão por vir. E, tão importante quanto isso tudo, ser exemplo na construção de uma Learning Organization, de forma que profissionais de todos os níveis hierárquicos sejam incentivados a acompanhar a velocidade da transformação por meio da aprendizagem contínua.

O capital humano se tornou mais estratégico do que nunca. Afinal, quando a tecnologia absorve parte das tarefas e atividades dentro das empresas, o mais estratégico é potencializar as melhores capacidades humanas de cada membro da equipe. Paralelamente a isso, é fundamental refletir sobre como evoluir a cultura corporativa para que ela sustente esse novo momento. Que tipo de organização, negócio e time estamos construindo por meio das escolhas tecnológicas que fazemos hoje?

Transformações corporativas afetam mais do que áreas. Elas impactam a rotina, a confiança e a sensação de segurança das pessoas que trabalham em cada departamento da companhia. Novas tarefas surgem, enquanto outras são modificadas ou extintas. Um processo que exige abertura para aprender, experimentar e se adaptar na medida em que as mudanças acontecem. Uma jornada que está longe de ser simples.

Tudo isso reforça em mim uma certeza: sem investir em capital humano, veremos muito mais frustrações do que resultados na implementação da IA.