Gigantes na pista
Motor
20/03/2026
Cercados de imensa expectativa, Audi e Cadillac iniciam sua trajetória na Fórmula 1 na temporada 2026
Por Redação
Quando os carros entrarem na pista para o primeiro treino do Grande Prêmio da Austrália, dia 6 de março de 2026, Audi e Cadillac vão estrear na Fórmula 1. Cercada de grande expectativa, a entrada desses dois nomes de peso — parte dos grupos Volkswagen e General Motors, gigantes da indústria automobilística global — é uma das muitas novidades da temporada.
Será o ano com as maiores mudanças no regulamento técnico da categoria, com carro e unidade de potência (conjunto dos motores a combustão e elétrico) totalmente novos. É um cenário que gera imprevisibilidade na ordem de forças — momento propício para a estreia de uma nova equipe. Apesar disso, ninguém espera que elas briguem por vitórias logo de cara.
O vínculo direto com as montadoras faz com que o desafio vá além das pistas, envolvendo a gestão de uma marca valiosa e conhecida. “Por um lado, estar em uma plataforma global, muito bem administrada, as coloca em evidência”, explica Marcelo Toledo, professor de marketing esportivo da Escola Superior de Propaganda e Marketing (ESPM). “Mas, caso haja muitas quebras e a performance seja muito abaixo da média, há um risco para a reputação das marcas.”
Para a Fórmula 1, a chegada de Audi e Cadillac está alinhada à estratégia da Liberty Media, grupo detentor de seus direitos comerciais desde 2017. “Seu trabalho é um grande case global de sucesso, principalmente pelo curto período. Parte da estratégia é a associação com marcas globais, como Louis Vuitton e Heineken. A entrada de Audi e Cadillac segue esse roteiro”, afirma Toledo.
Além disso, o fato da Cadillac ser um time americano — que já está preparando um piloto local para assumir uma vaga de titular no futuro — é muito relevante. “Os Estados Unidos tornaram-se o foco da Fórmula 1 no momento. São três corridas realizadas lá”, lembra o professor da ESPM. No lado esportivo, um grid mais cheio, com 22 carros, atrai mais a atenção do público — assim como a presença de marcas conhecidas e associadas com automobilismo.
Outro ponto importante é que as duas estreantes vão desenvolver motores, um ativo que sempre foi perseguido pela categoria — e ganhou mais relevância com o anúncio do fim do programa de motores da Renault. A equipe Alpine (marca de esportivos do grupo Renault) irá correr com motores Mercedes a partir de 2026.

Roteiros distintos
O caminho percorrido pelas duas novas equipes até essa primeira corrida na Fórmula 1 foi bastante diverso. A Cadillac conta com inúmeros títulos no IMSA (endurance americano) e participação no WEC (endurance). A GM é fornecedora de motores para a IndyCar (monopostos) e para a NASCAR (turismo). Sua entrada na categoria se deu a partir de uma nova vaga, sem a aquisição de uma estrutura existente.
Na verdade, tudo começou como um projeto da Andretti, família tradicional do automobilismo americano, com equipes na Fórmula Indy e na Fórmula E. A Cadillac seria a parceira fornecedora de motores. Mas um imbróglio político, com pitadas de guerra pessoal, quase inviabilizou o projeto — que só foi adiante quando a GM assumiu a frente do negócio como uma equipe de fábrica.
O time tirou muita gente de outras equipes, mas é preciso criar todas as engrenagens e fazê-las funcionar em conjunto — desde coisas simples, como a montagem dos boxes e dos carros, até uma troca rápida de um componente entre um treino e outro, passando pelas estratégias de corrida e o desenvolvimento do carro ao longo do ano. Por isso, a expectativa em relação aos resultados é baixa — classificar-se no grid e chegar ao final das primeiras provas já será uma vitória.
A Cadillac já está desenvolvendo as próprias unidades de potência, mas seu cronograma prevê que entrem na pista somente em 2028. Até lá a equipe vai utilizar motores fornecidos pela Ferrari — além de outros componentes como câmbio e suspensão traseira, que pelo regulamento podem ser adquiridos de outro time. Esta, por sinal, pode ser a sua única vantagem em relação à outra rival estreante.

Já a Audi tem um histórico exemplar nas pistas, com títulos mundiais na Fórmula E (monopostos elétricos), WEC e WRC (rally), além de vitória no lendário Rally Dakar. Tal histórico traduz experiência em competição, mas também coloca pressão para que resultados venham mais cedo.
A chegada à Fórmula 1 se deu por meio da compra da equipe suíça Sauber, que está na categoria desde 1993. Isso significa que a Audi partiu de uma estrutura já funcional e acostumada a competir na categoria. Na verdade, a Audi assumiu o controle da equipe em 2025. A mudança de nome, alçando-a a time oficial de fábrica, só ocorrerá em 2026.
O grande desafio da Audi está na unidade de potência. Embora todas as demais fornecedoras também tenham desenvolvido novos motores, neste ponto específico a Audi partiu da folha em branco. Seu desempenho dependerá muito da defasagem — ou não — em relação às fabricantes que já estavam no grid, sobretudo Ferrari e Mercedes.
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