Primeiro superesportivo elétrico da Ferrari foi feito por ex-designer da Apple
Motor
26/05/2026
Com mais de 1.000 cavalos e tração integral, modelo traz linhas minimalistas assinadas por Jony Ive, ex-designer da Apple, e resgata controles físicos no interior
Por Redação | Foto: Divulgação/Ferrari
A Ferrari deu oficialmente o seu passo mais audacioso em direção ao futuro da mobilidade de luxo. Em um evento emblemático realizado na Vela di Calatrava (Città dello Sport), em Roma, a lendária montadora italiana revelou o Ferrari Luce, o primeiro veículo totalmente elétrico de sua história. O lançamento marca o início de uma nova era para a marca de Maranello, combinando engenharia de altíssima performance com uma filosofia de design revolucionária.
O grande destaque estético e conceitual do Luce é a sua assinatura de design. O desenvolvimento exterior e interior do superesportivo foi inteiramente capitaneado pela LoveFrom, a prestigiada agência de criação fundada por Jony Ive — o icônico ex-designer da Apple responsável pelas linhas originais do iPhone — ao lado do renomado designer Marc Newson.
O resultado é uma silhueta que redefine as diretrizes estéticas clássicas da Ferrari na era da eletrificação. Adotando um conceito “retro tecnológico”, o visual traz linhas limpas, fluidas e minimalistas, que remetem sutilmente aos modelos históricos da marca das décadas de 1960 e 1970, mas com uma roupagem aerodinâmica ultra-avançada. O modelo ostenta o menor coeficiente de arrasto da história da Ferrari, auxiliado por defletores de ar ativos e uma suspensão inteligente que reduz a altura do solo em 10 milímetros automaticamente em altas velocidades.
Menos telas, mais botões na Ferrari Luce
Contrariando a tendência atual da indústria automobilística de concentrar todas as funções em gigantescas telas sensíveis ao toque, Jony Ive e sua equipe projetaram uma cabine focada na usabilidade tátil e na conexão humana com a máquina. O interior do Luce é uma celebração de botões físicos, interruptores e seletores analógicos meticulosamente esculpidos em alumínio anodizado.
O habitáculo, construído com couro de altíssima qualidade e revestimentos em Gorilla Glass, combina harmoniosamente o minimalismo digital com a frieza elegante dos comandos mecânicos. O espaço interno também surpreende pela versatilidade: o Luce foi configurado com tração integral, quatro portas e capacidade para acomodar confortavelmente até cinco ocupantes — o que o torna um dos modelos mais espaçosos já criados pela marca, sem abrir mão do DNA de pista.
Desempenho e engenharia
Para quem temia a perda de esportividade com o fim dos motores a combustão, os números do Luce impressionam. Projetado inteiramente dentro de Maranello, o trem de força elétrico é composto por quatro motores independentes. O arranjo permite um controle de torque instantâneo e milimétrico através de um sistema dinâmico que analisa a superfície da pista a cada 5 milissegundos. O modelo é capaz de acelerar de 0 a 100 km/h em impressionantes 2,5 segundos e despeja uma potência combinada que supera os 1.000 cv.
Alimentando o conjunto está um pacote de baterias de 880V montado na parte inferior do chassi, melhorando a distribuição de peso e rebaixando o centro de gravidade. A Ferrari equipou o carro com uma arquitetura de recarga ultra-rápida de até 350 kW, permitindo reabastecer a energia em poucos minutos, garantindo uma autonomia estimada de 530 km no ciclo WLTP europeu.
Para resgatar a emoção mecânica, a engenharia da marca desenvolveu um sistema acústico autêntico e funcional. Em modos de condução manuais e esportivos, o som do carro se altera para informar o motorista sobre as trocas de marcha simuladas pelas aletas atrás do volante, garantindo o envolvimento clássico que consagrou os modelos de Maranello.
A exclusividade do modelo
Com o Luce, a Ferrari pretende provar que a emoção da pilotagem pura e a sustentabilidade com emissão zero podem coexistir no topo do mercado automotivo mundial. Embora os preços para os mercados internacionais ainda não tenham sido totalmente detalhados, o modelo teve seu valor confirmado na Itália em 550 mil euros (cerca de R$ 2,9 milhões em conversão direta), posicionando-se como um dos veículos de produção mais caros e exclusivos do atual portfólio da fabricante.