Faria Lima troca escritórios por eventos corporativos de golfe para fechar negócios

Destaque

08/07/2026

Faria Lima troca escritórios por eventos corporativos de golfe para fechar negócios

Empresários do mercado financeiro usam o golfe para fortalecer o relacionamento com clientes e gerar negócios

Por Redação

Durante muito tempo, o mercado financeiro construiu seus relacionamentos em escritórios, almoços executivos e reuniões. Esse modelo, porém, começa a dividir espaço com outro cenário: os campos de golfe. O esporte passou a fazer parte da estratégia de algumas instituições financeiras que enxergam nesses encontros uma forma de conhecer melhor clientes, investidores e empresários antes de falar sobre negócios.

A mudança acompanha uma transformação no relacionamento corporativo. Confiança e reputação pesam tanto quanto os números; o tempo de convivência passou a ter valor. Em vez de uma reunião de uma hora, empresas apostam em experiências que permitem conversas ao longo de uma manhã ou de uma tarde. O golfe é um exemplo, mas não o único. Tênis, squash e até boliche também vêm sendo usados para aproximar executivos fora do ambiente tradicional de trabalho.

A Ouro Preto Investimentos faz parte desse movimento. A instituição promove eventos de golfe para reunir clientes, parceiros e empresários interessados em mercado de capitais, gestão patrimonial e soluções financeiras. Mais do que um evento de relacionamento, os encontros passaram a integrar a estratégia comercial da empresa. Segundo a instituição, as últimas edições resultaram em mais de R$ 100 milhões em negócios originados a partir dos contatos feitos durante os eventos.

O formato também muda a dinâmica das conversas. Em vez de apresentações formais, investidores e empresários passam horas no mesmo ambiente, compartilhando café da manhã, prática esportiva, almoço e momentos de interação. Para Leandro Turaça, sócio da Ouro Preto Investimentos, esse tempo de convivência favorece a construção da confiança antes das negociações.

“O golfe cria uma dinâmica diferente da reunião tradicional, porque permite que o investidor e o empresário conheçam melhor quem está do outro lado antes de falar de produto, alocação ou estrutura financeira. No mercado financeiro, a confiança quase sempre vem antes da negociação.”

Na Golf & Fun, empresa especializada em eventos corporativos ligados ao esporte, essa mudança já faz parte da rotina. Segundo Jacques Wladimirski, presidente da empresa, cada edição reúne cerca de 150 participantes, e a maioria nunca havia jogado golfe. A proposta é justamente usar o esporte como ponto de encontro entre empresas, clientes e patrocinadores.

Mais do que uma tendência ligada ao golfe, esse movimento revela uma mudança na forma como empresas constroem relacionamentos. No mercado em que a confiança continua sendo um dos principais ativos, o networking deixa de acontecer apenas entre quatro paredes e passa a ocupar espaços em que as conversas têm mais tempo para acontecer.