Executivo em felicidade e bem-estar, Rodrigo de Aquino reflete sobre o impacto da chamada era da pós verdade no mercado de trabalho e economia
Por Rodrigo de Aquino
Vivemos em tempos desafiadores, em que a informação, antes sinônimo de verdade, é frequentemente usada como arma para manipulação. Como especialista em felicidade, bem-estar e psicologia positiva, tenho observado os efeitos profundos da desinformação em nossas democracias, na economia e no mercado de trabalho. A era da pós-verdade não apenas ameaça as bases da confiança social, mas também interfere na nossa interpretação dos fatos, minando nosso bem-estar individual e coletivo. A democracia, como sistema político, depende de pilares fundamentais como a liberdade de expressão, a confiança nas instituições e a transparência. No entanto, as fake news colocam esses valores em xeque, corroendo a credibilidade de líderes e instituições. Isso afeta diretamente a confiança do público, um componente indispensável para a coesão social e o desenvolvimento econômico. Dados do Relatório Mundial da Felicidade, publicado pela ONU em 2022, mostram que os países mais felizes são aqueles com democracias robustas e estáveis. Contudo, a disseminação de desinformação compromete esses ambientes, criando climas de incerteza e dificultando a atração de investimentos. Quando consumidores e investidores não confiam nas informações disponíveis, hesitam em agir, prejudicando a produtividade e a inovação. As redes sociais desempenham um papel paradoxal. Por um lado, democratizam o acesso à informação; por outro, amplificam a disseminação de fake news, criando bolhas informativas e polarização. Segundo um levantamento do Pew Research Center, 64% dos adultos nos Estados Unidos acreditam que essas plataformas contribuem mais para a desinformação do que para a disseminação de fatos. Essa dinâmica impacta profundamente o mercado de trabalho e a saúde mental das pessoas. Funcionários expostos a ambientes polarizados e a informações manipuladas frequentemente apresentam maior ansiedade, menor produtividade e dificuldades para colaborar em equipes diversificadas. As empresas, por sua vez, enfrentam desafios para criar culturas organizacionais baseadas na transparência e na confiança. Para enfrentar esse cenário, líderes empresariais precisam assumir um papel ativo na promoção da verdade e do diálogo. Políticas internas que incentivem a educação midiática, o consumo crítico de informações e a valorização de perspectivas diversas são essenciais. Além disso, investir em programas que promovam o bem-estar emocional dos colaboradores é uma estratégia eficaz para reduzir os impactos da desinformação na produtividade e na inovação e, principalmente, para ampliar a capacidade de seus colaboradores terem um olhar mais crítico para os acontecimentos e reações mais virtuosas frente aos embates e conflitos. As empresas que lideram com responsabilidade social e transparência têm mais chances de prosperar em tempos de incerteza. Elas não apenas fortalecem sua reputação, mas também contribuem para um ambiente econômico e social mais estável, criando um ciclo virtuoso entre confiança, inovação e crescimento sustentável. A desinformação é um desafio global, mas não insuperável. Defendê-la exige uma resposta coordenada entre governos, empresas e cidadãos. É imperativo regular as plataformas digitais para limitar a disseminação de fake news, promover a liberdade de imprensa e educar a sociedade sobre o impacto da desinformação. Proteger a democracia é, acima de tudo, garantir o bem-estar das pessoas e a prosperidade das economias. Como costumo dizer em minhas palestras: “Defender a verdade é uma ação poderosa para fortalecer as instituições, promover estabilidade econômica e construir uma sociedade mais confiante.” O futuro das democracias, do mercado de trabalho e da economia depende de um compromisso coletivo com a ética, a transparência e o diálogo.
* Rodrigo de Aquino é comunicólogo e executivo na área do bem-estar, felicidade e entretenimento com impacto social. Estuda o desenvolvimento humano desde os 14 anos. Com formação em Psicologia Positiva, Planejamento estratégico e Coolhunting , se dedica integralmente a mentorias, palestras e consultorias na área de florescimento humano e felicidade corporativa, incluindo FIB (Felicidade Interna Bruta). É embaixador em São Paulo da ONG Doe Sentimentos Positivos, Climate Reality Leadership Corp 22 e fundador do Instituto DignaMente. Temas em que é especialista: felicidade, psicologia positiva e desenvolvimento humano.