O que uma experiência nos Himalaias revela sobre a formação de líderes

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25/03/2026

O que uma experiência nos Himalaias revela sobre a formação de líderes

Colaboração de Daniel Spinelli, especialista em liderança, palestrante, mentor e autor do livro best-seller A potência da liderança consciente

Especialista em liderança relata aprendizados nos Himalaias e aponta lacunas na formação de líderes nas organizações

Após algumas semanas de estudos nos Himalaias, voltei ao Brasil com uma reflexão que tem me acompanhado: não acredito que estamos formando líderes à altura dos desafios reais que as organizações enfrentam hoje.

Falamos muito sobre estratégia, inovação e gestão. Frameworks, metodologias e ferramentas ganharam espaço nas empresas e nas escolas de negócios. Ainda assim, algo essencial segue sendo tratado de forma muito menor do que sua importância exige. Refiro-me à dimensão da autoliderança.

Entre os aprendizados que revisitei durante esse período de estudo, uma constatação se torna cada vez mais evidente: a capacidade de lidar com a própria mente, com as emoções e com a forma como respondemos às situações está se tornando uma competência central para quem ocupa posições de liderança. Apesar disso, o tema ainda é abordado de forma incipiente dentro das organizações.

Os sinais aparecem de forma cada vez mais evidente nas organizações. Culturas que não se consolidam, equipes com baixo engajamento, redução da colaboração entre áreas e líderes emocionalmente sobrecarregados tornaram-se situações recorrentes. Em muitos contextos, a pressão constante começa a afetar a saúde mental, a confiança entre as pessoas e a qualidade das decisões.

Grande parte desses problemas ainda é considerada característica normal dos nossos tempos. No entanto, muitos deles também estão relacionados à necessidade de continuarmos atualizando as prioridades de aprendizagem nos programas de desenvolvimento de liderança. Também percebo que, em muitas organizações, a liderança estratégica ainda não conecta a relevância dessa pauta com os resultados, a capacidade evolutiva e a longevidade da organização.

O momento que vivemos exige dos líderes um nível mais profundo de desenvolvimento humano. Não se trata apenas de ampliar o repertório técnico, mas de fortalecer a capacidade de compreender a própria forma de agir, pensar e reagir diante dos desafios. Desenvolver presença, autorresponsabilidade e maturidade emocional são elementos que podem fundamentar uma liderança verdadeiramente capaz de mobilizar pessoas em direção a um propósito e inspirar confiança.

Voltei dos Himalaias com uma convicção ainda mais clara: o futuro da liderança dependerá não apenas de novas ferramentas de gestão, mas também da capacidade de cada líder desenvolver habilidades humanas e compreender melhor sua própria mente.