Um novo olhar para a gestão empresarial e o ambiente de trabalho
Por Nei Calderon
Diante da complexidade das relações humanas atuais, a análise de situações concretas sob o enfoque linear e binário, fundado em mera “causa e efeito”, não é mais suficiente. Tornou-se necessário adotar um olhar que leve em consideração múltiplas equações de “causas, efeitos, causas”, que se interrelacionam e irradiam os mais variados efeitos, de caráter positivo ou negativo, superando a fronteira das partes direta e imediatamente envolvidas.
Essa proposição não é uma mera assertiva, pois encontra cientificidade em conceitos emprestados da física, mais precisamente o entrelaçamento quântico, e da filosofia, em especial a Teoria do Pensamento Complexo. É possível então entender o impacto das interações humanas e a consequente necessidade de criar ciclos virtuosos de relações que propiciem a irradiação e a multiplicação de efeitos para satisfazer os interesses dos diversos agentes sociais.
No ambiente corporativo, o aumento dos casos de depressão, síndrome de burnout e até mesmo de suicídio, por vezes decorrentes de condutas assediadoras, produz efeitos prejudiciais, que se irradiam para a família do empregado, para a sociedade, para o Estado, e afetam, em última análise, a própria empresa, em virtude da queda de produtividade, da elevação de custo operacional e de eventuais prejuízos de imagem em relação ao mercado.
A atividade empresarial deve ser planejada com base em um modo de pensar complexo, tendo por premissas e objetivos, em especial, a tutela sobre o princípio da dignidade da pessoa humana do empregado, a preservação dos direitos humanos, a busca da felicidade pela pessoa do funcionário e sua família, a irradiação de efeitos positivos para a sociedade, a redução de despesas assistenciais (em especial, relacionadas à saúde do empregado) e o aumento da arrecadação por parte do Estado. São situações que repercutirão no incremento do resultado da própria empresa, que assim se tornará beneficiária desse ciclo virtuoso.
A adoção de um modelo de gestão de caráter humanista e humanizado, com a valorização e o respeito à pessoa do empregado, tendo por premissa a irradiação de efeitos para a sociedade e o modo de pensar complexo, é fundamental para que as corporações obtenham os melhores resultados no exercício da atividade empresarial, e assim atuarem de forma determinante na construção de um mundo mais humano e mais justo.