“Empresas grandes são construídas por consistência”, diz CEO da PINATI

Entrevista

17/06/2026

“Empresas grandes são construídas por consistência”, diz CEO da PINATI

Waldemiro Pereira, fundador e CEO da PINATI, fala sobre a construção de uma marca nacional

Por Redação

Quando fundou a PINATI, em 2013, Waldemiro Pereira já tinha uma meta carregada de ambição: transformar a empresa em um negócio de R$ 100 milhões. Com faturamento atual na casa dos R$ 40 milhões e um plano para alcançar R$ 200 milhões até 2028, o empresário pretende disputar espaço com grandes marcas da indústria brasileira e afirma: “Não queremos apenas disputar market share. Queremos mudar hábitos de consumo.”

Nesta entrevista, fala sobre estratégia, construção de marca e as lições aprendidas em sua jornada empreendedora.

Quais metas você definiu, como CEO, para chegar onde chegou?

Desde o começo, eu defini que a PINATI não seria apenas uma empresa de alimentos. A meta sempre foi construir uma marca relevante, com escala nacional e capacidade de disputar espaço com grandes players da indústria tradicional. Sempre quis deixar uma marca no mercado, uma mudança positiva para as pessoas.

No início, a prioridade era sobreviver. Depois, estruturar a operação, distribuição e consistência financeira. Hoje, o foco está em construir uma marca forte, aumentar a recorrência de consumo e ganhar relevância no mercado brasileiro de wellness.

Sempre trabalhei com metas muito claras:

  • Desenvolver produtos com qualidade comparável às maiores marcas do mercado.
  • Construir uma cultura interna de alta performance.
  • Ganhar distribuição massiva no Brasil.
  • Tirar o saudável de um nicho e transformar em consumo do dia a dia.

Acredito que empresas grandes são construídas muito mais por consistência do que por momentos extraordinários. A PINATI cresceu porque evoluiu produto, branding, operação e execução comercial ao mesmo tempo. Assim continuamos hoje em dia. A linha não é reta, ela tem altos e baixos, mas sempre apontada para o caminho certo.

Mais do que vender alimentos, nosso objetivo sempre foi construir uma marca que representasse atitude, evolução e movimento.

Como a PINATI pretende sair de R$ 40 milhões para R$ 200 milhões até 2028?

O crescimento de R$ 40 milhões para R$ 200 milhões não depende de um único produto. Depende da construção de constância na construção marca forte e disruptiva, aumento de distribuição e expansão das ocasiões de consumo.

Hoje, enxergamos três grandes avenidas de crescimento:

  • Proteicos
  • Doces saudáveis
  • Snacks naturais com castanhas e sementes

O mercado saudável deixou de ser nicho. O consumidor moderno quer conveniência, prazer e funcionalidade no mesmo produto. E é exatamente nessa convergência que a PINATI quer liderar.

Nossa estratégia está baseada em cinco pilares:

  • Expansão nacional da distribuição
  • Crescimento forte nos canais alimentar e farma
  • Inovação orientada pelo comportamento do consumidor
  • Ganho de escala industrial
  • Construção de marca com posicionamento forte e comunicação relevante

Também existe uma mudança importante acontecendo no mercado: o consumidor está substituindo categorias antigas por versões melhores. Foi exatamente isso que provocamos com campanhas como “O fim da barra de cereal”.

Não queremos apenas disputar market share. Queremos mudar hábitos de consumo.

Acredito que as marcas que mais crescerão nos próximos anos serão aquelas que conseguirem unir saudabilidade, conveniência e desejo de consumo em produtos acessíveis para o dia a dia.

Nosso objetivo é transformar a PINATI em uma das marcas de snacks saudáveis mais relevantes do Brasil.

Qual categoria hoje gera mais receita e qual deve liderar o crescimento?

Hoje, a categoria que mais representa receita dentro da PINATI é a proteica, que também é a principal aposta do varejo no mercado de snacks saudáveis. Já temos três linhas diferentes para diferentes consumidores e momentos de consumo, e lançaremos nas próximas semanas a quarta linha proteica, provavelmente uma das mais inovadoras do país.

Mas a história da PINATI foi construída olhando diferentes movimentos de consumo.

Quem abriu nossa distribuição nacional foram os snacks naturais com castanhas e sementes. Depois, durante a pandemia, os doces sem açúcar cresceram muito impulsionados pela busca do consumidor por indulgência com melhor composição nutricional.

Por isso, acreditamos que o próximo ciclo de crescimento será liderado pelas marcas que entenderem a transformação do comportamento alimentar como um todo, e não apenas pela ótica da proteína.

Com o avanço das canetas emagrecedoras e a mudança da relação das pessoas com alimentação, saciedade e consumo diário, surgirão novas demandas que boa parte da indústria saudável ainda não está olhando.

Nós estamos preparados para essa adaptação massiva do consumo.

A PINATI continuará investindo nas três categorias porque entendemos que o futuro do wellness será construído por marcas que consigam unir conveniência, prazer, funcionalidade e recorrência de consumo.

Qual era a meta de faturamento quando a empresa nasceu, em 2013?

Quando a PINATI nasceu, em 2013, eu já tinha uma meta muito clara na cabeça: um dia transformar a empresa em um negócio de R$ 100 milhões de faturamento.

Na época, parecia algo extremamente distante. A empresa ainda estava começando, com estrutura pequena, poucos recursos e muitos desafios operacionais. Mas eu sempre tive a visão de construir algo grande, com escala nacional e relevância no mercado.

Com o passar dos anos, essa visão foi evoluindo junto com a maturidade da empresa.

Em 2019, depois de participar do programa Scale Up da Endeavor, minha mentalidade mudou bastante. Passei a entender que empresas realmente relevantes precisam pensar grande desde cedo. Foi ali que comecei a enxergar a possibilidade de construir uma empresa de R$ 1 bilhão.

Hoje, os R$ 100 milhões já parecem uma etapa natural da jornada. E acredito que a PINATI tem potencial para atingir R$ 1 bilhão nos próximos 10 anos.

O mercado saudável ainda está no começo da transformação que vai viver no Brasil. O consumidor mudou, os canais mudaram e as novas gerações terão uma relação completamente diferente com alimentação, conveniência e bem-estar.

Nosso desafio agora não é apenas crescer. É construir uma marca que continue relevante durante toda essa transformação do consumo.

Agora, três lições para quem quer começar a empreender:

  1. Não espere estar pronto e não tenha plano B.

Muita gente passa tempo demais tentando criar o cenário perfeito. Empreendedorismo é
execução, adaptação e capacidade de seguir em frente mesmo sem garantia. Quando você
realmente decide construir algo grande; o comprometimento precisa ser total.

  1. Empreender exige resiliência, coragem e paixão pelo processo.

Construir uma empresa também transforma o ser humano que está por trás dela. Você
aprende a lidar com pressão, incerteza, responsabilidade e tomada de decisão diariamente.
Quem permanece no jogo por muitos anos normalmente é quem aprende a gostar do
processo de evolução, e não apenas das conquistas.

  1. Construa uma empresa preparada para se adaptar, mas que busque ser relevante no
    mercado.

O mercado muda o tempo inteiro. Comportamento do consumidor muda, canais mudam e
categorias mudam. Empresas que crescem de forma consistente são aquelas que
conseguem evoluir rápido sem perder essência, posicionamento e relevância.