The President

Ambidestria Organizacional

como adotá-la nas empresas

Um desafio inadiável

Por Wilson Medeiros

Equilibrar as demandas do presente com as ações necessárias para o futuro. A dificuldade em resolver essa equação, conhecida como ambidestria organizacional, é algo que tenho observado repetidamente nas minhas conversas e interações com executivos. Percebo que é um dilema amplamente discutido nos círculos de inovação e que exige uma mudança fundamental na forma como as empresas se estruturam e operam.

Para harmonizar sobrevivência e prosperidade, as organizações precisam desenvolver a ambidestria —a habilidade de explorar o presente enquanto preparam o futuro. Este conceito, que surgiu nos estudos acadêmicos da década de 2000, tornou-se essencial na gestão moderna.

A Quarta Revolução Industrial, afinal, chegou trazendo desafios inéditos. No passado, o foco das empresas estava na maximização da produção e na otimização dos processos internos, herança da Segunda Revolução Industrial. No entanto, no mundo de hoje, é preciso manter a eficiência do negócio em tempo real enquanto se constrói a base para o futuro —um horizonte moldado por avanços tecnológicos velozes e mudanças no comportamento do consumidor.

Essa nova revolução, com o uso crescente da tecnologia e da conectividade, mudou completamente o nosso cenário. Startups e empresas digitais, com uma visão externa das dores do mercado, têm se destacado ao oferecer soluções disruptivas. Empresas tradicionais enfrentam a ameaça de novos concorrentes capazes de redesenhar mercados inteiros.

Empresas como Natura, 3M e Amazon são exemplos de organizações que adotaram a ambidestria corporativa em suas operações. A Natura investe em sustentabilidade e inovação enquanto expande globalmente. A 3M equilibra operações tradicionais com a busca por novos produtos. Já a Amazon mantém sua liderança ao diversificar seus negócios com áreas como computação em nuvem e inteligência artificial.

Mas como implementar a ambidestria na prática? Em primeiro lugar, todos os envolvidos precisam estar alinhados: líderes, equipes e investidores devem entender a importância de investir em inovação sem comprometer o negócio atual. Isso requer uma jornada que envolve bastante estudo, para a familiarização com gestão de mudanças e novas ferramentas.

Além disso, a transformação começa no individual. Existe o “mentoring de ambidestria”, um processo que auxilia líderes a superar barreiras mentais e desenvolver habilidades comportamentais e gerenciais. Com ferramentas como o IAG (Índice de Análise de Gestão), é possível mapear o perfil dos executivos para liderar uma organização ambidestra, avaliando sua capacidade de adaptação e flexibilidade diante das incertezas.

Líderes que escutam muito e ouvem pouco, enxergam muito e veem pouco, leem muito e compreendem quase nada, podem prejudicar a implementação da ambidestria corporativa. Para enfrentar esses desafios, é vital conversar com especialistas e ter neles uma boa escuta, com foco na abordagem reflexiva e estratégica. Destaco aqui três princípios que podem clarear o caminho:

  1. Equilibrar inovação e eficiência: Desenvolver estruturas que permitam a coexistência de atividades exploratórias e operacionais.
  2. Investir em pessoas e cultura: Promover um ambiente que valorize tanto a eficiência quanto a inovação.
  3. Planejamento de longo prazo: Implementar estratégias que considerem os desafios futuros, garantindo a adaptabilidade.

Então, sua empresa está preparada para essa jornada de ambidestria? Aquelas que não forem capazes de se tornar ambidestras correm o risco de ser ultrapassadas por competidores mais ágeis. Identificar o ponto em que está nesse momento é o primeiro passo para definir os caminhos estratégicos e abraçar esse desafio inadiável.