Dermatologia estética propõe beleza sem padronização dos rostos

Saúde

22/09/2026

Dermatologia estética propõe beleza sem padronização dos rostos

Tratamentos que estimulam colágeno e cuidados com a saúde da pele ganham espaço diante do excesso de preenchimentos e da busca por resultados cada vez mais naturais

Por Redação

Há uma diferença entre parecer mais jovem e envelhecer bem. Na dermatologia estética, essa distinção aparece na avaliação da qualidade da pele, na preservação dos traços e na escolha de procedimentos de acordo com as características de cada paciente. Firmeza, textura, manchas, perda de volume e capacidade de regeneração são avaliadas junto a hábitos, alimentação, sono, exposição solar, alterações hormonais e momento de vida. A pele não envelhece isoladamente. “A pele passa a ser vista como um biomarcador. Isso significa que vamos olhar para ela cada vez mais como um espelho de como as nossas células e o nosso metabolismo estão funcionando”, explica a dermatologista Laíse Leal.

Médica dermatologista, Laíse Leal defende uma abordagem que prioriza a saúde da pele, respeita a anatomia e recusa a padronização da beleza. Foto: Divulgação

O conceito de beleza metabólica, apontado pela consultoria Mintel como uma das tendências que devem orientar o mercado nos próximos anos, amplia essa avaliação. Em vez de considerar apenas os sinais visíveis do envelhecimento, a proposta leva em conta os processos que influenciam a saúde e o funcionamento da pele.

Entre os recursos utilizados estão tecnologias e procedimentos voltados à produção de colágeno. O Hipro Unyque Pro, por exemplo, atua em diferentes profundidades para estimular a produção da proteína e melhorar a firmeza. Os bioestimuladores, entre eles os formulados com hidroxiapatita de cálcio, também favorecem a formação de colágeno novo ao longo dos meses.

“Os bioestimuladores trabalham a favor da fisiologia da pele. É uma abordagem que trata a qualidade do tecido, e não apenas o sinal visível do envelhecimento”, afirma a médica. Os preenchedores continuam indicados em situações específicas. Podem recuperar suporte e corrigir perdas pontuais, mas não devem ser utilizados como resposta automática para flacidez ou outros sinais do envelhecimento.

A indicação individual também se contrapõe à repetição de técnicas e proporções que podem produzir resultados semelhantes em diferentes rostos. Lábios, maçãs do rosto e contornos mandibulares passaram a seguir padrões reconhecíveis, enquanto características individuais podem acabar em segundo plano.

Personalizar o tratamento significa avaliar o que cada pele precisa. Nem toda ruga precisa ser apagada, assim como nem toda perda de volume precisa ser corrigida. Dependendo do caso, a indicação pode envolver estímulo de colágeno, tratamento de manchas ou fortalecimento da barreira cutânea.

Em outros, a melhor escolha pode ser não intervir. O objetivo, nessa abordagem, também passa pela preservação das expressões e dos movimentos do rosto. O procedimento não deve ser o elemento mais evidente do resultado, mas parte de um cuidado que mantenha a aparência saudável e as características de cada pessoa. “Quando associamos tecnologias a uma rotina adequada de skincare, alimentação equilibrada, proteção solar e hábitos saudáveis, os resultados costumam ser mais naturais e duradouros”, aponta Laíse.

O cuidado preventivo também ganha espaço. Em vez de esperar que os sinais do envelhecimento se tornem incômodos para então buscar uma correção, a proposta considera o acompanhamento contínuo da pele e as necessidades de cada fase da vida. Nesse cenário, envelhecer bem não significa interromper o processo ou recuperar uma aparência anterior. Significa cuidar da pele, preservar seus traços e escolher intervenções de acordo com as características de cada pessoa.