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De Belém

PARA O MUNDO

FOTOGRAFIA

De Belém para o mundo

Luiz Braga nunca se afastou da cidade onde nasceu. Ali, ele segue promovendo o encontro entre a simplicidade de cenas banais, a luz perfeita e o olhar que transforma tudo em poesia e obras de arte

Por Silviane Neno

Quem vive em Belém, ou até mesmo quem nunca pisou lá, já ouviu falar que os encontros são marcados antes ou depois da chuva. Muitos também sabem que as mangas caem em cima do capô dos carros, vindas de túneis de mangueiras. 

São cenas comuns para os paraenses, aparentemente banais, mas não para o olhar delicado do fotógrafo Luiz Braga. Há mais de 35 anos, ele aponta a câmera em direção ao cotidiano e ao simples – e extrai pequenas joias, como em um milagre afeito a fazer brotar uma luz divina. “Gosto de achar a beleza na aparente precariedade das coisas”, diz Braga. “Muitas de minhas fotos são imagens de ambientes ordinários vistos sob uma luz extraordinária.”

A grande beleza pode estar no vendedor de balões, de pipoca, no homem ribeirinho, no colorido das palafitas à margem do Rio Guamá. Pode ser vista também em coleções particulares, em museus e bienais do Brasil e do mundo, onde seu trabalho é reverenciado por curadores que reconhecem a luz própria de seu talento singular. 

Aliás, em junho, o fotógrafo paraense abre exposição na Galeria Leme, em São Paulo. “A obra de Luiz Braga, cuidadosa, já faz parte do imaginário de representações da Amazônia, pela dignidade com que constitui suas imagens”, avalia o curador Orlando Maneschy. “São décadas de observação, trocas estabelecidas com o outro, que se torna cúmplice de um momento único, em que o comum se desvela sublime.”

Luiz é um paraense do mundo. E o mundo, como ele, não tira os olhos da floresta, e de Belém.  

luizbraga.com.br