The President

entrevista

Luiz Eduardo Batalha, fundador da Azeites Batalha

ENTREVISTA

Das oliveiras, o elixir

Tradicionalmente importados, os azeites de produção nacional ganham destaque no mercado brasileiro, especialmente pela inflação ocasionada pelos problemas climáticos na Europa

Batalha. Substantivo feminino que define qualquer combate ou luta. Batalha também é o sobrenome de Luiz Eduardo, o Senhor Batalha, fundador da companhia de azeites que também leva seu sobrenome. Podemos definir por batalha a luta para conquistar o lugar ao sol em meio a tantos azeites importados.

Com o início de produção marcado há 15 anos, a companhia é uma das pioneiras no País. Após pesquisas, idas para a Europa foram cruciais para descobrir os melhores maquinários e profissionais para produção e elaboração do azeite extra virgem.

Atualmente, o parque industrial Batalha é equipado com o que existe de mais moderno disponível no mercado, o que auxilia na obtenção de um azeite de altíssima qualidade, detentor de diversos títulos e premiações – são mais de 50 – conquistados em países como Japão, Estados Unidos, Israel, Espanha, Portugal, Grécia e demais países tradicionalmente produtores de azeite.

Confira, abaixo, a entrevista que fizemos com Luiz Eduardo Batalha, fundador da Azeites Batalha.P

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THE PRESIDENT - Houve um aumento exponencial no preço do azeite em todo o mundo, impulsionado pelos problemas climáticos nas regiões produtoras da Europa. De que forma esta inflação influencia o preço do mercado Brasileiro? Nossa safra também sofreu com influências climáticas?

Luiz Eduardo Batalha – De fato os problemas climáticos que assolaram a Europa – e que vem acontecendo com certa frequência, fizeram com que os preços dos azeites aumentassem muito também por aqui, já que os principais produtores mundiais de azeite são, principalmente, de Portugal, Espanha e Itália. Os preços tiveram cerca de 40 a 50% de aumento e infelizmente 99% do azeite consumido no Brasil vem de fora.

Aqui no Brasil o mercado é obrigado a vender pelo preço mais alto, e estamos recebendo alguns lotes de azeites mais envelhecidos, para que os produtores mantenham seus acordos comerciais. Recentemente foram realizados testes e 87% dos produtos que chegaram aqui não são extra virgem. Os extra virgem têm duas formas de serem identificados: quimicamente ou por meio de teste sensorial. Esse é um painel de degustação que todos os países têm, em que são desclassificados os azeites com “defeitos” – esses não são extra virgem porque o extra virgem não tem defeito – cheiro de ranço, mofo, cheiro de máquina, cheiro de metal, e mais uma série de critérios técnicos.

O Brasil esteve na segunda onda de forte calor em cerca de dois meses. A região de plantio das oliveiras Batalha sofreu com as altas temperaturas? Elas influenciam a qualidade dos frutos que serão usados na extração do azeite?

A oliveira aguenta o calor sem nenhum problema. Depois que é uma árvore adulta e dá início à produção, é ideal que não chova na florada pra não perder a produção. Aqui na nossa Fazenda, onde produzimos o azeite Batalha, o terroir pra plantio é fantástico e diferenciado, perfeito para produção, não precisamos nem irrigar. Nosso objetivo era 100 quilos de azeitona por pé/ano e pra isso precisa ter frio: a oliveira precisa ter 400 horas de frio por ano, abaixo de 7˚ C. Essa é a métrica pra competir com o mercado com quantidade e preço. E isso alcançamos na nossa fazenda.

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Como se compara o azeite nacional dos importados?

É difícil comparar os extra virgens importados do mercado com os azeites premium brasileiro atualmente, porque são duas mercadorias totalmente diferentes; o Batalha é de fato um azeite extra virgem premium e muito superior aos produtos importados que chegam ao mercado; a nossa qualidade é superior, nosso azeite é mais fresco, da colheita ao consumidor o tempo para a venda e consumo é muito menor.

Há um trabalho de educação e conscientização a respeito do azeite nacional para o público consumidor brasileiro? E para o mercado estrangeiro?

Atualmente a cultura de plantio do azeite vem crescendo e ficamos animados, pois queremos quer o mercado cresça, que tenha mais gente plantando. Hoje somos o azeite nacional que mais vende no Brasil e um dos únicos Brasileiros, presentes em grandes supermercados, além dos empórios e mercados menores. A nossa intenção sempre foi trazer a cultura de se utilizar um bom azeite para se ter um resultado melhor em seus pratos, nosso objetivo maior é que cada vez mais os brasileiros experimentem e percebam o quão melhor é o azeite nacional premium, seja qual for.

Os azeites Batalha já contam com 50 medalhas em diversos concursos internacionais e acaba de receber outras quatro em Nova York, nos EUA e Olivinus, em Mendoza, na Argentina. Fale um pouco mais sobre os rótulos reconhecidos.

Como pioneiros comerciais desse segmento e atualmente responsáveis por grande fatia da produção nacional de azeites premium, ficamos muito felizes e lisonjeados por mais esses importantes e relevantes prêmios internacionais conquistados recentemente. Só em 2023, o azeite Batalha colheu a maior safra da sua história, com mais de 200 mil litros produzidos, e recebeu o selo Produto Premium Origem e Qualidade RS, importante certificação reservada apenas aos azeites mais nobres.

Somos o maior produtor brasileiro de azeite e o Rio Grande do Sul — mais especificamente a região da Campanha, no sudoeste do estado, tem tudo para se tornar uma potência mundial nesse agronegócio. Trabalhamos fortemente pra isso e já possuímos a maior área de plantio de oliveiras do Brasil, com cerca de 100 mil pés, 2 lagares Pieralisi e alta tecnologia, o que facilita o processo de extração de azeites de altissima qualidade, frescor, aromas e sabores.