Por Marcella Argolo
Empresa norte-americana mostra como colocar em prática a teoria do capitalismo regenerativo
No cenário contemporâneo, em que as crises ambientais e sociais se intensificam a cada dia, surge a necessidade de reavaliarmos nossos modelos econômicos, empresariais e de consumo. Nesse contexto, o conceito de capitalismo regenerativo tem ganhado destaque como uma alternativa promissora. A empresa Patagonia exemplifica admiravelmente esse modelo de negócio do século 21.
Fundada na Califórnia em 1973 por Yvon Chouinard, a Patagonia não é apenas uma marca de roupas e equipamentos outdoor, mas um ícone do ativismo ambiental e do capitalismo regenerativo. A missão da empresa expressa claramente seu compromisso: “Estamos no negócio para salvar nosso planeta”. Suas iniciativas ambientais e a abordagem criativa da marca impulsionaram sua popularidade, tornando-a uma gigante do varejo que defende práticas de negócios sustentáveis. Isso é especialmente desafiador, ao considerarmos que o setor têxtil é o segundo maior poluente do mundo. Curiosamente, a empresa cresce ao convencer seus clientes a consumir menos.
A visão da Patagonia sobre o mundo e o mercado está centrada na valorização do consumo consciente. A empresa acredita que um futuro mais sustentável significa comprar menos coisas, mas com maior qualidade e durabilidade, o que gera maior fidelização e rentabilidade. Em 1994, a Patagonia decidiu que até 1996 iria utilizar 100% de algodão orgânico em sua linha de roupas esportivas. Essa não foi uma decisão simples, já que o algodão orgânico custa o triplo do preço do convencional, resultando em prejuízos financeiros nos primeiros dois anos.
Por meio do programa Worn Wear, a Patagonia incentiva seus clientes a reparar, reutilizar e reciclar suas roupas, prolongando sua vida útil e combatendo o consumo desenfreado. Além disso, a companhia utiliza materiais reciclados e orgânicos, reduzindo a dependência de recursos não renováveis e diminuindo a pegada de carbono.
Em 2022, os acionistas da Patagonia decidiram transferir todos os lucros da companhia – cerca de 3 bilhões de dólares – para entidades que combatem as mudanças climáticas. Essa decisão reforçou o propósito e a missão da empresa desde a sua fundação: redefinir a forma como os negócios são feitos, principalmente em prol do meio ambiente. Esse movimento sublinhou a importância de transformar os princípios ESG (ambientais, sociais e de governança) em ações concretas, mais do que apenas adotá-los na teoria.
A Patagonia exemplifica como o capitalismo regenerativo pode ser implementado com sucesso, ao combinar a lucratividade com a responsabilidade ambiental e social. É um modelo que, se adotado por mais empresas, pode levar a um futuro mais equilibrado e sustentável.