Bacalhau, vinho e tradição

Gourmet

24/06/2026

Bacalhau, vinho e tradição

À frente do Rancho Português, Valdeci Castro comemora o crescimento da gastronomia lusitana em São Paulo

Por Ney Ayres

Retratos de Anna Carolina Negri

A trajetória de Valdeci Castro acompanha a expansão de um dos restaurantes portugueses mais conhecidos de São Paulo. Depois de iniciar a carreira no setor de hospitalidade ainda jovem, o executivo tornou-se um dos responsáveis pela consolidação do Rancho Português, casa inaugurada em 2013, na Vila Olímpia, e que ajudou a aproximar a culinária lusitana do público paulistano.

O restaurante surgiu como uma extensão do trabalho desenvolvido pelo Grupo Graal no tradicional Rancho 53, localizado na Rodovia Castello Branco. A proposta era trazer para a capital um endereço especializado em pratos portugueses, sobretudo receitas à base de bacalhau, em uma região mais próxima do ambiente corporativo da cidade. O projeto cresceu rapidamente e abriu caminho para novas unidades, além da criação de um espaço de eventos, da implantação de uma importadora própria de vinhos e operações em outras cidades.

Foto: Anna Carolina Negri

Hoje, o Rancho Português reúne restaurante, adega, empório e salões para eventos corporativos e sociais. A casa também se consolidou como uma das principais referências em vinhos portugueses no Brasil, com cerca de 800 rótulos e forte atuação na importação direta. O grupo ainda mantém relação com marcas como Barbacoa, Due Cuochi, Adega Santiago e Pinguim.
Além do crescimento do negócio, Castro, atuando como gerente geral, acompanha de perto mudanças no comportamento do consumidor. Datas comemorativas, festivais temáticos e experiências ligadas à gastronomia portuguesa se transformaram em eventos de grande procura. O Festival da Sardinha, realizado periodicamente pelo restaurante, chega a reunir cerca de 2 mil pessoas em um único dia.

THE PRESIDENT — Como surgiu o Rancho Português em São Paulo?

Valdeci Castro – Nasceu a partir da experiência que já tínhamos no Rancho 53, na Rodovia Castello Branco. Antes disso, ainda em Cordeirópolis, existia o Manjar do Marquês, uma casa de bacalhau dentro da operação do Grupo Graal. Em 2013 percebemos que havia uma demanda muito forte por culinária portuguesa em São Paulo, principalmente em uma região mais próxima do centro financeiro da cidade. Muitas pessoas gostavam da nossa comida, mas não conseguiam se deslocar até o restaurante da estrada durante a semana. Então surgiu a ideia de abrir uma unidade na Vila Olímpia, permitindo reuniões de negócios, encontros familiares e almoços em um endereço mais acessível para quem trabalha na capital. Desde o início, o retorno foi muito positivo. O restaurante cresceu rapidamente e acabou se tornando um case de sucesso dentro do grupo.

Qual era a proposta do restaurante desde a abertura?

A ideia sempre foi oferecer uma experiência ligada à tradição portuguesa, tanto na gastronomia quanto no atendimento. Queríamos trazer pratos clássicos, ingredientes importados, vinhos portugueses e um ambiente que remetesse a Portugal.

Ao mesmo tempo, existia uma preocupação muito grande com hospitalidade. O cliente precisava se sentir acolhido, seja em um almoço executivo, em uma reunião de família ou em uma comemoração.
Esse conceito acabou funcionando muito bem porque conseguimos unir gastronomia tradicional, serviço e estrutura.

O restaurante passou por uma expansão importante nos últimos anos. Como aconteceu esse crescimento?

De forma natural. Em 2014 abrimos uma unidade no Rio de Janeiro, na região da Lagoa Rodrigo de Freitas. O espaço anteriormente funcionava como pizzaria. A resposta do público foi muito boa. Recebemos premiações importantes e o restaurante passou a ser reconhecido como uma referência de culinária portuguesa no Rio.
Depois vieram novas operações. Em 2019 inauguramos o Rancho Português em Mairiporã (SP), dentro da estrutura da Graal. Em 2024 abrimos outra operação em Pindamonhangaba (SP), dividindo estrutura com o Pinguim.
Hoje temos diferentes modelos de negócio funcionando de maneira integrada.

Recentemente vocês também investiram em eventos. Como surgiu essa ideia?

O espaço de eventos surgiu a partir de um pedido constante dos clientes. Muitas pessoas queriam realizar casamentos, aniversários, batizados, confraternizações e eventos corporativos dentro do Rancho Português.
Em 2023, decidimos criar duas salas específicas para isso: a Sala Douro e a Sala Lisboa. Uma comporta cerca de 70 pessoas e a outra aproximadamente 200 convidados. O resultado foi muito positivo. Hoje temos uma procura muito grande por esses espaços, principalmente para eventos empresariais e celebrações familiares.

Qual é o diferencial desse espaço?

O principal diferencial é a integração entre gastronomia, atendimento e estrutura. O cliente consegue realizar um evento com a mesma experiência que encontra no restaurante.
Existe também uma demanda muito forte por ambientes que ofereçam privacidade sem perder a qualidade do serviço. Conseguimos atender desde reuniões corporativas até festas maiores.
A agenda costuma ter bastante procura ao longo do ano.

O Rancho Português ficou conhecido também pela carta de vinhos. Como esse trabalho foi desenvolvido?

O vinho sempre foi tratado como parte central da experiência. Hoje temos cerca de 800 rótulos portugueses na unidade da Vila Olímpia.
Quando pensamos na proposta do restaurante, entendemos que uma casa portuguesa precisava priorizar vinhos portugueses. Isso virou uma filosofia da operação.
No momento, cerca de 98% da nossa carta é formada por rótulos de Portugal. Trabalhamos com vinhos de diferentes regiões e faixas de preço.
O cliente já associa o Rancho Português à possibilidade de encontrar rótulos raros, safras especiais e uma grande variedade de vinhos portugueses.

Quais rótulos se destacam mais?

Hoje somos um dos maiores vendedores de Pêra-Manca e Barca Velha no Brasil. São vinhos muito procurados e que nem sempre fáceis de encontrar.
Temos safras especiais e uma adega bastante completa. Isso atrai clientes que gostam de vinho e também consumidores que querem conhecer mais sobre os rótulos portugueses. A procura aumentou muito nos últimos anos.

A criação de uma importadora própria foi consequência desse crescimento?

Ao mesmo tempo, existia uma preocupação muito grande com hospitalidade. O cliente precisava se sentir acolhido, seja em um almoço executivo, em uma reunião de família ou em uma comemoração.
Esse conceito acabou funcionando muito bem porque conseguimos unir gastronomia tradicional, serviço e estrutura.

O restaurante passou por uma expansão importante nos últimos anos. Como aconteceu esse crescimento?

De forma natural. Em 2014 abrimos uma unidade no Rio de Janeiro, na região da Lagoa Rodrigo de Freitas. O espaço anteriormente funcionava como pizzaria. A resposta do público foi muito boa. Recebemos premiações importantes e o restaurante passou a ser reconhecido como uma referência de culinária portuguesa no Rio.
Depois vieram novas operações. Em 2019 inauguramos o Rancho Português em Mairiporã (SP), dentro da estrutura da Graal. Em 2024 abrimos outra operação em Pindamonhangaba (SP), dividindo estrutura com o Pinguim.
Hoje temos diferentes modelos de negócio funcionando de maneira integrada.

Recentemente vocês também investiram em eventos. Como surgiu essa ideia?

O espaço de eventos surgiu a partir de um pedido constante dos clientes. Muitas pessoas queriam realizar casamentos, aniversários, batizados, confraternizações e eventos corporativos dentro do Rancho Português.
Em 2023, decidimos criar duas salas específicas para isso: a Sala Douro e a Sala Lisboa. Uma comporta cerca de 70 pessoas e a outra aproximadamente 200 convidados. O resultado foi muito positivo. Hoje temos uma procura muito grande por esses espaços, principalmente para eventos empresariais e celebrações familiares.

Qual é o diferencial desse espaço?

O principal diferencial é a integração entre gastronomia, atendimento e estrutura. O cliente consegue realizar um evento com a mesma experiência que encontra no restaurante.
Existe também uma demanda muito forte por ambientes que ofereçam privacidade sem perder a qualidade do serviço. Conseguimos atender desde reuniões corporativas até festas maiores.
A agenda costuma ter bastante procura ao longo do ano.

O Rancho Português ficou conhecido também pela carta de vinhos. Como esse trabalho foi desenvolvido?

O vinho sempre foi tratado como parte central da experiência. Hoje temos cerca de 800 rótulos portugueses na unidade da Vila Olímpia.
Quando pensamos na proposta do restaurante, entendemos que uma casa portuguesa precisava priorizar vinhos portugueses. Isso virou uma filosofia da operação.
No momento, cerca de 98% da nossa carta é formada por rótulos de Portugal. Trabalhamos com vinhos de diferentes regiões e faixas de preço.
O cliente já associa o Rancho Português à possibilidade de encontrar rótulos raros, safras especiais e uma grande variedade de vinhos portugueses.

Quais rótulos se destacam mais?

Hoje somos um dos maiores vendedores de Pêra-Manca e Barca Velha no Brasil. São vinhos muito procurados e que nem sempre fáceis de encontrar.
Temos safras especiais e uma adega bastante completa. Isso atrai clientes que gostam de vinho e também consumidores que querem conhecer mais sobre os rótulos portugueses. A procura aumentou muito nos últimos anos.

Foto: Anna Carolina Negri

A criação de uma importadora própria foi consequência desse crescimento?

Exatamente. Como trabalhamos com um volume grande de vinhos, vimos a necessidade de criar uma importadora própria. Assim nasceu a Importadora Alves, que permite trazer vinhos diretamente dos produtores portugueses para o Brasil. Isso ajuda a manter qualidade, regularidade e preços mais competitivos.
Também conseguimos desenvolver rótulos exclusivos, como o Terra dos Alves, produzido na região do Douro. Hoje é um dos vinhos mais vendidos da casa.

O Festival da Sardinha se tornou um dos principais eventos do restaurante. Como surgiu essa tradição?

O Festival da Sardinha nasceu inspirado em uma tradição portuguesa muito forte. Em Portugal, durante o período de pesca da sardinha, muitos restaurantes colocam churrasqueiras nas calçadas para assar sardinhas na brasa.
A preparação é muito simples. A sardinha vai inteira para a churrasqueira, apenas com sal grosso. Depois é servida com batatas ao murro e broas de milho.
Trouxemos essa ideia para São Paulo e o evento cresceu muito rápido. Hoje o festival reúne entre 1.800 e
2 mil pessoas em um único dia. Assamos cerca de uma tonelada de sardinha durante o evento.

Qual é o impacto desse festival para o restaurante?

O festival virou uma tradição para muitos clientes. As pessoas acompanham as datas e se programam para participar. O evento acontece das 11h às 22h, com churrasqueiras funcionando o dia inteiro. Antes realizávamos o festival a cada dois meses, mas hoje ele acontece trimestralmente. É um momento importante porque aproxima ainda mais o público da cultura portuguesa.

Quais pratos mais representam o sucesso do Rancho Português?

O bacalhau continua sendo o principal símbolo da casa. Temos diferentes preparações e uma procura muito grande durante o ano inteiro. Outro prato que faz bastante sucesso é o leitão à moda da Bairrada. É uma receita muito tradicional em Portugal e acabou se tornando uma das marcas do restaurante. Nas sobremesas, o pastel de nata ganhou enorme destaque.
O volume de produção de pastel de nata impressiona. Como funciona essa operação?
Hoje o grupo vende aproximadamente 400 mil pastéis de nata ao mês. É uma operação grande.
Criamos uma fábrica em Resende para produzir a massa utilizada nas diferentes unidades do grupo. Isso garante padronização e qualidade.
A ideia é que o cliente encontre o mesmo produto em qualquer operação ligada ao grupo, seja em São Paulo, Minas Gerais, Santa Catarina ou em outras regiões.

Quais são as datas mais movimentadas do restaurante?

A Semana Santa é o período mais intenso do ano. Entre Sexta-Feira Santa, sábado e Domingo de Páscoa chegamos a vender cerca de
3 toneladas de bacalhau. Nessas datas a fila de espera pode ultrapassar duas horas.
Também temos movimento muito forte no Dia das Mães e no Dia dos Pais. São ocasiões em que as famílias escolhem o restaurante para celebrar. Apesar da espera, percebemos que existe um vínculo emocional muito forte do público com a casa.

Qual é a capacidade atual da unidade da Vila Olímpia?

O salão principal comporta 250 pessoas. Somando os espaços de eventos, conseguimos chegar a cerca de 500 lugares. Isso exige uma operação bastante organizada, em especial em datas comemorativas e festivais. Trabalhamos com equipes grandes e planejamento antecipado para atender a demanda.

Além do Rancho Português, o grupo também participa de outras operações gastronômicas importantes. Como funciona essa estrutura?

O grupo atua em diferentes segmentos da gastronomia. Existem operações ligadas ao Barbacoa, Due Cuochi, Adega Santiago, Pinguim e outras marcas. Cada restaurante tem identidade própria, mas existe uma troca muito grande de experiência, gestão e operação. Isso fortalece o grupo como um todo.

Quantos funcionários vocês têm atualmente?

Só nesta unidade temos 75 colaboradores. No grupo inteiro, trabalham 14 mil pessoas. Nosso principal compromisso é cuidar bem dos clientes, dos colaboradores e também dos parceiros e fornecedores que caminham conosco. Sempre digo que trabalhar com pessoas é o que mais gosto e aquilo que considero meu maior aprendizado dentro da gastronomia.

Isso ajuda a criar equipes mais fiéis?

Temos colaboradores aqui desde a inauguração. No grupo, há profissionais com 20, 30 e até 40 anos de trajetória conosco. Aprendi muito observando essa relação de confiança e pertencimento. Acredito que, quando a empresa cuida das pessoas, elas passam a cuidar da empresa. Costumo dizer nas reuniões que cada colaborador é responsável pelo negócio. Todas as funções são importantes, da equipe de limpeza à administração. Quando cada pessoa cuida do seu trabalho com dedicação, a operação funciona de forma natural.

E isso se reflete diretamente no atendimento?

Sem dúvida. O atendimento é essencial. São Paulo tem milhares de bares e restaurantes, então, quando o cliente escolhe estar aqui, entendemos isso como um reconhecimento. Por isso, buscamos fazer com que ele se sinta acolhido. Quando o cliente encontra boa comida, atenção e hospitalidade, ele volta. E mais do que isso: passa a recomendar a experiência para outras pessoas.