Tempo de entressafra
Artigos
11/08/2026
O Brasil entra em um período de decisões para reconstruir confiança, equilíbrio fiscal e perspectivas de crescimento
Por Deia Gorayeb*
Os dias encurtam, as temperaturas caem e o Brasil parece respirar mais devagar. O calendário cruza a metade do ano, empresas revisam estratégias, investidores recalculam riscos e famílias reorganizam seus planos. A poucos meses das eleições presidenciais, as expectativas começam a disputar espaço com as realizações.
Ao mesmo tempo, a Copa do Mundo ainda domina as conversas. Entre favoritos, surpresas e rivalidades históricas, milhões de pessoas acompanharam partidas que lembram uma verdade simples: grandes vitórias dificilmente são fruto do acaso. Elas são construídas muito antes do apito inicial, com estratégia, preparo, disciplina e capacidade de corrigir rotas.
Enquanto a Copa mobiliza torcidas, a economia continua disputando seu próprio campeonato. O persistente rombo fiscal continua desafiando o país. Em um cenário de intensa competição por investimentos, a confiança internacional tornou-se um ativo estratégico, construído pela consistência das políticas públicas, pela estabilidade das instituições e pela previsibilidade das decisões econômicas. Credibilidade não é detalhe. É patrimônio.
À primeira vista, inverno, Copa do Mundo, eleições, política monetária e contas públicas parecem assuntos sem qualquer relação. Não são. Todos conduzem à mesma reflexão: o Brasil vive uma entressafra.
A entressafra não significa ausência de movimento. Pelo contrário. É quando as decisões mais importantes são tomadas sem aplausos. É o momento de revisar estratégias, corrigir rotas e preparar o terreno para a próxima safra. A entressafra é o momento de agir, porque o tempo continua correndo e a repetição dos erros cobra seu preço.
Assim como no campo, a entressafra não é um período de espera passiva. É quando se prepara o solo, escolhem-se as sementes e corrigem-se falhas antes da próxima colheita. O tempo não espera — nem na agricultura, nem na economia. Safras perdidas raramente decorrem de um único erro, mas da recorrência de decisões equivocadas, da displicência diante dos sinais e do adiamento das correções necessárias. O preço da negligência sempre chega. Às vezes na colheita; outras, na perda de confiança; no aumento dos custos; na redução da competitividade e nas oportunidades que deixam de existir.
O reposicionamento fiscal não se constrói no curto prazo. Exige tempo, disciplina, previsibilidade e a capacidade de adaptação de toda a sociedade, elementos indispensáveis para a recomposição do equilíbrio econômico e o fortalecimento da confiança institucional.
Enquanto o inverno segue seu curso e a Copa desperta paixões em todo o planeta, o Brasil também se aproxima de suas próprias decisões. Nos dias 4 e 25 de outubro de 2026, os brasileiros disputarão as partidas que definirão os próximos quatro anos de sua história. O futuro começa no voto.