Por André Chaves*
A dependência total da tecnologia faz com que percamos as habilidades que tínhamos nos tempos analógicos
A transição do mundo analógico para o digital tem sido uma revolução que redefine não apenas a forma como vivemos, mas também como pensamos e interagimos com o mundo ao nosso redor. Esse movimento, impulsionado pela rápida evolução da tecnologia, oferece uma série de benefícios em termos de eficiência, conveniência e acesso à informação. No entanto, ao mesmo tempo, levanta inúmeras questões complexas e preocupações significativas no curto e médio prazos.
A meu ver, uma das principais preocupações é a potencial perda de habilidades analógicas essenciais. À medida que nos acostumamos cada vez mais a depender de atalhos (dispositivos digitais para realizar tarefas que antes requeriam habilidades práticas e analógicas), há o risco real de desvalorização e eventual obsolescência dessas habilidades. Isso não apenas limita a nossa capacidade de adaptação a situações adversas em que a tecnologia digital não está disponível, mas também compromete a diversidade de competências que historicamente tem sido essencial para a resiliência e a inovação cultural.
A dependência quase universal de sistemas digitais para realizar tarefas cotidianas, desde a comunicação até a gestão financeira, significa que qualquer interrupção ou falha técnica pode ter consequências amplas e potencialmente catastróficas. Essa vulnerabilidade não apenas expõe nossa dependência excessiva de tecnologia, como também destaca a necessidade urgente de desenvolver redundâncias e planos de contingência robustos para garantir a resiliência em face de falhas inesperadas.
Isso sem falar das preocupações sobre a saúde mental e o bem-estar. O constante acesso a informações digitais, juntamente com a pressão crescente para estar sempre conectado e disponível, contribui para uma sobrecarga cognitiva e emocional que pode levar a problemas como ansiedade, depressão e burnout. Além disso, o uso excessivo de mídias sociais e tecnologias digitais tem sido associado ao aumento da solidão e da desconexão social, apesar da aparente conectividade global que essas plataformas prometem.
Enquanto abraçamos os avanços transformadores do mundo digital, é imperativo que consideremos cuidadosamente os impactos complexos e multifacetados que essas mudanças estão tendo em nossa vida e na sociedade. Equilibrar o potencial promissor da tecnologia digital com a preservação de valores fundamentais, habilidades analógicas essenciais e a segurança de indivíduos e comunidades é um desafio crucial para garantir um futuro sustentável e inclusivo para todos. (Estou escrevendo este artigo ouvindo Trick of the Tail, do Genesis, no vinil. Nem tudo está perdido!)