Cinema, música e cozinha leve marcam o novo restaurante de Gero Fasano
Gourmet
03/11/2026
Leggero marca uma nova fase gastronômica de Gero Fasano, com pratos sazonais e referências à sua coleção pessoal de filmes e discos
Por Redação
O nome Leggero, que significa leve em italiano, ajuda a explicar a proposta da nova casa de Gero Fasano em São Paulo. Ao lado do Hotel Fasano São Paulo Itaim, o restaurante apresenta uma cozinha diferente daquela que caracteriza as demais operações do grupo. A ideia é trabalhar com menos ingredientes, valorizar os produtos e deixar que cada elemento tenha espaço no prato.
A marca Leggero foi registrada por Gero há cerca de 20 anos, mas só agora se transforma em restaurante. O cardápio, segundo o próprio restaurateur, é o mais singular que já criou e também o mais próximo de sua maneira de comer no cotidiano.
A proposta parte de uma premissa simples: comer bem sem recorrer ao excesso. Não há pratos como risoto, pernil ou ossobuco. Em seu lugar, entram preparações sazonais, vegetais, massas frescas, carnes e peixes, com combinações que respeitam o sabor de cada ingrediente. A maioria dos pratos trabalha com, no máximo, quatro elementos. “Quando é preciso colocar ingredientes demais, corre-se o risco de mascarar o produto”, explica Gero.
A brasa tem papel importante nessa cozinha. Inspirada também na tradição da Puglia, no sul da Itália, a técnica aparece principalmente no preparo dos vegetais, que deixam de ocupar apenas a posição de acompanhamento. A seção Le Verdure abre o cardápio com opções como palmito grelhado com creme de ricota e espinafre, endívia assada com batatas e ervas e funcho grelhado com mostarda Dijon e salsa de avelã.
Os carpaccios também ganham uma seção própria, que reúne preparações de vegetais e proteínas. Entre elas estão abobrinha, tomate com muçarela de búfala, aceto balsâmico e manjericão, além de beterraba assada com alcaparras e queijo de cabra. Nas opções de peixe e frutos do mar, aparecem o atum fresco com laranja e limão-siciliano e o polvo com pepino e azeitonas taggiasche. O clássico Manzo, presente em outros restaurantes do grupo, recebe maionese de limão e rúcula selvagem.
Nas saladas, a Panzanella combina tomate, muçarela de búfala, pepino, pão italiano, azeitonas, alcaparras e manjericão. Já a Zucca reúne abóbora grelhada, brócolis, vagem holandesa, espinafre, radicchio e noz-pecã, com molho de romã.
A cozinha italiana aparece também nas massas frescas, apresentadas em formatos e combinações menos convencionais. O cardápio inclui tortellone de abóbora, lasanheta recheada com batata, vagem, molho bechamel, pesto e pinoli, ravioli de peixe branco ao molho de vinho e limão e tortello Maremmano, de espinafre e ricota, servido com molho bolonhesa.
Na grelha, são seis opções de carnes, entre elas roast beef ao próprio molho com ervilhas e galeto com azeite de ervas frescas. Os peixes também podem ser acompanhados por guarnições escolhidas pelo cliente, como couve-flor ao molho de alcaparras e alho-poró na brasa com pesto e azeitonas.
As sobremesas seguem a proposta de simplicidade, embora não deixem de lado preparações mais indulgentes. Há sfogliatine di mele, massa folhada fina com maçã cozida, raspas de laranja e sorvete de baunilha; torta de ricota com pera assada, limão-siciliano e amêndoas; abacaxi na parrilla com sorvete de baunilha; e mousse de chocolate com calda amarga e crocante de pistache.
A cozinha e seus responsáveis
A concepção gastronômica é de Gero Fasano, com coordenação e direção de Lomanto Oliveira, chef-executivo do Hotel Fasano São Paulo Itaim e integrante do grupo há quase 25 anos. Ao longo da carreira, Oliveira também passou pelas cozinhas dos hotéis Fasano no Rio de Janeiro e em Salvador, além do restaurante Fasano São Paulo.
A chef Carolina Marques responde pela operação diária. Ela entrou no grupo em 2017, como cozinheira no Hotel Fasano Angra dos Reis, e depois trabalhou no Fasano Boa Vista. Após um período de quatro anos fora da empresa, retornou em maio de 2026 para assumir o novo projeto.
Cinema e música na mesa
A gastronomia é apenas uma das referências que orientam o Leggero. O projeto arquitetônico, assinado por Isay Weinfeld, também incorpora duas paixões antigas de Gero: cinema e música.
Antes de assumir os negócios da família, o restaurateur estudou cinema em Londres. A cinefilia permaneceu presente em sua vida e tem em O Poderoso Chefão, de Francis Ford Coppola, um de seus principais símbolos. Lançado em 1972, o filme já foi assistido por Gero mais de 50 vezes, segundo ele.
No Leggero, a referência aparece em uma das paredes do salão, revestida por pôsteres originais de filmes adquiridos na Itália. A ligação de Gero com a obra de Coppola já havia aparecido em outros projetos, como no restaurante Gero, no Rio de Janeiro, e no livro 55 Pitacos de Gero Fasano, que termina com a célebre frase do personagem Peter Clemenza: “Leave the gun. Take the cannoli”.
A música também ocupa lugar próprio no restaurante. Gero montou a seleção sonora em parceria com o jornalista e escritor Arthur Dapieve. São cerca de 370 faixas, que percorrem gêneros como jazz e rock, pensadas para acompanhar a refeição sem competir com a conversa.
À noite, a programação ganha a presença do DJ André Torquato, que apresenta um repertório ao vivo em formato de “cardápio musical”. Os clientes podem escolher as músicas em uma comanda. Parte da identidade visual do espaço vem ainda da coleção particular de Gero: 75 discos de vinil, muitos autografados, revestem uma das paredes. Entre os artistas representados estão David Bowie, Leonard Cohen, Bob Dylan, Tom Jobim e Radiohead.
Na entrada, desenhos exclusivos do ilustrador Felipe Jardim completam o ambiente. O resultado é um restaurante em que a proposta de leveza não se limita ao cardápio. Ela aparece também na relação entre comida, arquitetura, cinema e música, referências que ajudam a contar um pouco mais sobre o próprio Gero Fasano.