Canetas emagrecedoras ampliam demanda por acompanhamento de diferentes especialidades
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01/10/2026
Com a entrada de novos medicamentos no mercado, endocrinologia e nutrição ganham espaço no acompanhamento da perda de peso; dermatologia e estética corporal podem participar conforme as necessidades de cada paciente
Por Amélia Whitaker
A perda de peso com o uso de medicamentos pode trazer mudanças que não aparecem apenas na balança. Enquanto o endocrinologista acompanha a resposta ao tratamento, o nutricionista avalia a alimentação e a preservação da massa muscular. Em alguns casos, alterações na pele e no contorno corporal também levam o paciente a procurar atendimento dermatológico. O cenário abre espaço para clínicas que reúnem diferentes áreas da saúde em um mesmo endereço.
A movimentação ocorre em meio à ampliação do mercado de medicamentos da classe GLP-1. A patente da semaglutida venceu no Brasil em 20 de março de 2026. Desde então, a Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) autorizou novas versões sintéticas do princípio ativo, incluindo produtos genéricos e similares indicados para o tratamento do diabetes tipo 2.
O potencial de expansão também aparece nas projeções do setor. Em relatório divulgado em dezembro de 2025, analistas do UBS BB estimaram que o mercado brasileiro de canetas emagrecedoras, calculado em R$ 11 bilhões naquele ano, poderia alcançar R$ 20 bilhões em 2026. A expectativa considerava a entrada de concorrentes após o fim da patente e a possibilidade de redução dos preços.
Para o Grupo CULT, que reúne serviços de saúde, estética e bem-estar na Vila Olímpia, em São Paulo, o acompanhamento de pacientes que utilizam esses medicamentos envolve questões que vão além da redução do peso. A resposta à medicação, os hábitos alimentares e as mudanças na composição corporal precisam ser avaliados de acordo com o histórico e os objetivos de cada pessoa.
“Não basta olhar quantos quilos o paciente perdeu. Precisamos entender como ele está respondendo à medicação, se apresenta efeitos adversos e o que acontece com a composição corporal durante o processo. O peso é uma parte dessa avaliação”, explica Dr. Aldo Grisi, endocrinologista do Grupo CULT.
A redução do apetite provocada por esses medicamentos pode dificultar a ingestão adequada de nutrientes. Por isso, o acompanhamento nutricional considera a quantidade de proteína consumida, a distribuição das refeições e possíveis deficiências alimentares. A prática de exercícios de força também faz parte das estratégias utilizadas para preservar a massa muscular durante o emagrecimento.
“Muita gente chega comendo menos, mas nem sempre consegue manter uma alimentação que atenda às necessidades do organismo. Nosso trabalho é ajustar essa rotina, observar a ingestão de proteínas e ajudar a preservar a musculatura. Emagrecer não significa simplesmente reduzir a quantidade de comida”, afirma a Dra.Amanda Figueiredo, nutricionista do Grupo CULT.
As mudanças na aparência também podem entrar na conversa. Dependendo da quantidade de peso perdido, da idade e das características individuais, algumas pessoas percebem flacidez ou redução do volume facial. A avaliação dermatológica permite identificar essas alterações e discutir possibilidades de cuidado, sem que procedimentos estéticos sejam uma etapa obrigatória do tratamento.
“Tem paciente que chega incomodado com a perda de volume no rosto. Outro percebe que a pele não acompanhou a mudança do corpo. Antes de pensar em qualquer procedimento, precisamos avaliar o que aconteceu e entender o que essa pessoa deseja tratar”, observa Dr. Eduardo Mazão, médico cirurgião plástico do Grupo CULT.
Quando existe interesse em intervenções estéticas, o planejamento pode envolver profissionais habilitados para cuidados faciais e corporais. A indicação depende da avaliação individual, do momento do emagrecimento e das expectativas do paciente.
No Grupo CULT, o atendimento entre especialidades é organizado por meio de encaminhamentos internos. A estrutura reúne odontologia, dermatologia, ginecologia, endocrinologia, nutrição, psicologia, psiquiatria, fonoaudiologia, medicina chinesa e estética facial e corporal. Dessa forma, o paciente pode procurar outras áreas no mesmo endereço quando houver necessidade.

“Reunimos os profissionais no mesmo espaço para que o planejamento tenha mais troca, clareza e continuidade. Isso muda a experiência de quem chega e também a maneira como a equipe acompanha cada caso”, afirma Erika de Paula, ortodontista, fundadora e CEO do Grupo CULT.
A proposta é dar continuidade ao acompanhamento conforme as necessidades surgem, inclusive depois da fase de perda de peso. O objetivo não se limita ao resultado na balança, mas inclui a manutenção dos hábitos alimentares, a preservação da capacidade física e o cuidado com a saúde ao longo do tempo.