Em Paris, Tiago Braga transforma paisagens do Pampa em esculturas têxteis

Arte

09/09/2026

Em Paris, Tiago Braga transforma paisagens do Pampa em esculturas têxteis

Mostra ocupa novo espaço da Brazil Modernist durante a Paris Design Week 2026 e fica em cartaz até 15 de outubro

Por Redação

O artista e designer gaúcho Tiago Braga, fundador e diretor criativo da Oiamo, apresenta em Paris sua primeira exposição individual. Intitulada “Terra Entre: Camadas de uma paisagem de fronteira”, a mostra investiga os imaginários do extremo sul do Brasil a partir de uma instalação escultórica construída principalmente com lã.

A exposição inaugura o novo endereço da Brazil Modernist na capital francesa, em um apartamento-galeria preservado desde os anos 1950. O espaço tem uma história ligada aos círculos artísticos e intelectuais da Paris do pós-guerra, incluindo a presença da filósofa e escritora Simone de Beauvoir.

O vernissage acontece em 12 de setembro, das 18h às 21h, em programação paralela à Paris Design Week 2026. A visitação será aberta de 14 de setembro a 15 de outubro.

Uma paisagem além do imaginário tropical

Em Paris, Tiago Braga transforma paisagens do Pampa em esculturas têxteis

O ponto de partida de Terra Entre é o Pampa, bioma de clima temperado que se estende pelo sul do Brasil, Uruguai e Argentina. A pesquisa de Braga parte justamente da distância entre essa paisagem e a imagem tropical frequentemente associada ao Brasil.

Em vez de representar diretamente o território, o artista trabalha com elementos relacionados ao clima, aos deslocamentos, às mestiçagens e aos conhecimentos e práticas compartilhados ao longo da região de fronteira.

Essa investigação aparece em esculturas que exploram relações entre luz e sombra, volume e textura. Sem recorrer a formas figurativas, Braga cria estruturas que lembram organismos e formações naturais. Corpos e vultos surgem da lã e ocupam diferentes planos, escalas e suportes.

A matéria-prima também faz parte da pesquisa. O artista utiliza lã das raças ovinas Corriedale e Moura, provenientes de rebanhos do Pampa. O material é obtido durante a tosquia anual dos animais e mantém suas tonalidades naturais, sem tingimento.

A lã passa por um processo manual de transformação. Cada folha de feltro é moldada à mão, e a sobreposição das camadas define volumes e superfícies das obras. O resultado preserva características da matéria e incorpora referências ao clima, ao território e aos modos de vida associados à criação de ovinos na região.

Obras inéditas

Entre os trabalhos apresentados em Paris está Vigília, série inédita de esculturas luminosas de piso produzida em edição limitada de 18 exemplares. As peças utilizam a luz como elemento de composição e são distribuídas pelo espaço da exposição.

A série Derivas reúne volumes luminosos para paredes e tetos, incorporando a arquitetura à própria composição. Já em Vulto, a lã é aplicada ao mobiliário de forma a se tornar parte da estrutura da peça, aproximando as linguagens da arte e do design.

A mostra também apresenta trabalhos de diferentes períodos da produção de Braga selecionados pela relação com a pesquisa de Terra Entre. Entre eles estão Coxilhas, série limitada de relevos murais em feltro, e os candeeiros Hornero, que utilizam a iluminação para aprofundar a investigação do artista sobre matéria e atmosfera.

A exposição marca a estreia de Tiago Braga em uma mostra individual em Paris e amplia sua atuação internacional entre o design colecionável e a arte contemporânea.

Serviço – Terra Entre: Camadas de uma paisagem de fronteira
Primeira exposição individual de Tiago Braga em Paris
Realização: Brazil Modernist
Vernissage: 12 de setembro de 2026, das 18h às 21h
Exposição: 14 de setembro a 15 de outubro de 2026
Local: Brazil Modernist – 107 Rue de Vaugirard – 75006 Paris, França