Leitura digital já faz parte da rotina de 49% dos brasileiros, aponta pesquisa

Mercado

09/09/2026

Leitura digital já faz parte da rotina de 49% dos brasileiros, aponta pesquisa

Pesquisa inédita mostra que o hábito vai além dos e-books e inclui notícias, newsletters, redes sociais, quadrinhos e histórias seriadas

Por Redação

Quase metade da população brasileira já se identifica como leitora digital. É o que aponta uma pesquisa inédita realizada pela NielsenIQ BookData em parceria com a Skeelo, que ouviu 3 mil pessoas com mais de 10 anos, entre 1º e 11 de junho, em todas as regiões do país. O levantamento analisou os hábitos de consumo de conteúdos digitais e traçou um perfil desse público.

Segundo informações da VEJA São Paulo, que acompanhou a divulgação da pesquisa “Perfil e Hábito do Leitor Digital Brasileiro”, 49% dos entrevistados afirmam consumir conteúdos digitais. Dentro desse grupo, 30,8% acessam notícias, blogs, fóruns e newsletters; 25,3% consomem livros digitais, como e-books, audiolivros e PDFs; e 18% acompanham histórias seriadas, fanfics, quadrinhos e mangás.

Apesar da variedade de formatos, os conteúdos digitais mais consumidos nos últimos 12 meses foram os vídeos, mencionados por 57,2% dos entrevistados. Na sequência aparecem mensagens curtas e bate-papos em redes sociais, com 45,8%, e textos mais longos publicados em redes sociais e aplicativos de mensagens, com 32,2%.

O smartphone é o principal dispositivo utilizado para acessar esses conteúdos, seguido por computadores e notebooks, tablets e Smart TVs. Os leitores das classes A e B apresentam maior utilização de e-readers.

Quem é o leitor digital brasileiro

O levantamento mostra uma presença maior de adultos entre os leitores digitais. Pessoas de 25 a 34 anos representam 20% desse público, enquanto a faixa de 35 a 44 anos corresponde a 22%. Quem tem mais de 55 anos também representa 20%.

As mulheres são maioria, com 56% dos leitores digitais, e o Sudeste concentra 45% desse público. O Nordeste aparece na sequência, com 24%, enquanto Centro-Oeste e Norte representam 7% cada.

Na divisão por classe social, a C reúne a maior parcela dos leitores digitais, com 46%. Quando comparada à participação de cada classe na população brasileira, porém, A e B apresentam maior concentração nesse grupo. A classe A representa 3% da população e 7% dos leitores digitais, enquanto a B corresponde a 22% dos brasileiros e a 29% desse público.

Leitura ainda fica atrás de outros hábitos

Apesar da presença crescente do digital, a leitura aparece apenas na oitava posição entre os principais hábitos de lazer dos entrevistados. Antes dela estão o uso de redes sociais, plataformas de streaming, música, vídeos nas redes sociais, descanso, televisão e atividades esportivas.

Entre os leitores digitais, entretanto, o consumo de diferentes plataformas é frequente. Metade afirma acessar canais de notícias diariamente. Newsletters são consumidas todos os dias por 36%, enquanto plataformas de ficção seriada e fanfics chegam a 33% e quadrinhos digitais a 30%.

No caso dos e-books, 24% dos leitores afirmam ler diariamente. Outros 24% acessam esse formato entre quatro e seis vezes por semana, enquanto 27% fazem isso de uma a três vezes na semana.

“Os dados apontam que o leitor digital consome mais plataformas e em intensidade maior do que os não leitores”, afirma Mariana Bueno, coordenadora de pesquisa econômica e para indústria da NielsenIQ BookData.

Praticidade pesa na escolha do formato

Entre os consumidores que leem e-books, a facilidade de acesso aparece como um dos principais fatores de escolha. Também são citados a possibilidade de transportar os livros sem ocupar espaço físico, o preço, a compra sem necessidade de ir a uma loja ou esperar uma entrega e recursos de acessibilidade, como o ajuste do tamanho da fonte.

No caso dos audiolivros, a possibilidade de realizar outras atividades enquanto se ouve uma obra, o acesso a qualquer momento, a narração e a redução da exposição às telas aparecem entre as vantagens apontadas pelos consumidores.

Já entre aqueles que preferem livros impressos, as mulheres representam 63% do público, enquanto 45% pertencem à classe C e 45% têm mais de 34 anos.

Conteúdo ilegal também aparece entre os hábitos

A pesquisa também identificou um cenário relevante para o mercado editorial: o acesso a conteúdos digitais por meios não autorizados.

Entre os entrevistados, 48,8% afirmam fazer downloads gratuitos em fontes consideradas não confiáveis, enquanto 41,5% recebem arquivos digitais compartilhados por amigos ou familiares. O dado coloca a circulação de conteúdos sem autorização entre os pontos de atenção para o avanço da leitura digital no país.

Para Rodrigo Meinberg, CEO e fundador da Skeelo, a pesquisa busca justamente dimensionar um mercado que cresceu com a expansão do acesso à internet e aos smartphones, mas ainda carecia de dados sobre seus hábitos de consumo.

“As telecomunicações resolveram um problema do mercado editorial, todos com ao celular tem acesso a livros gratuitos. Mas existe uma carência de dados sobre esse consumo, a gente queria trazer à tona qual o tamanho real do mercado digital do livro no Brasil”, afirmou durante o lançamento do estudo.

Com informações de Veja São Paulo