“A próxima decisão tecnológica pode ser parar de comprar tecnologia”, diz CEO da Webpeak

Negócios

06/08/2026

“A próxima decisão tecnológica pode ser parar de comprar tecnologia”, diz CEO da Webpeak

Em meio ao avanço da inteligência artificial, executivo da Webpeak defende que empresas revisem softwares e integrem operações antes de investir em novas ferramentas.

Por Redação

Nos últimos anos, a digitalização das empresas foi marcada pela adoção contínua de novos softwares para atender diferentes áreas do negócio. Agora, esse movimento começa a mudar. Em vez de ampliar o número de ferramentas, organizações têm revisado contratos, eliminado sistemas pouco utilizados e concentrado esforços na integração da infraestrutura tecnológica já existente.

A mudança ocorre em um momento em que os investimentos em inteligência artificial continuam acelerados, mas convivem com um cenário de baixa utilização de parte das soluções contratadas. De acordo com o SaaS Management Index 2026, da Zylo, 36% das licenças de softwares no modelo SaaS permanecem subutilizadas, enquanto os gastos com aplicações nativas de inteligência artificial cresceram 108% no mesmo período.

Além do custo das licenças, muitas empresas enfrentam um desafio operacional provocado pelo acúmulo de plataformas contratadas ao longo dos anos. É comum que áreas como vendas, marketing, atendimento e financeiro utilizem sistemas diferentes, dificultando o compartilhamento de informações e criando bases de dados fragmentadas.

Esse cenário será tema da participação da Webpeak no B2B Summit 2026, que acontece nos dias 12 e 13 de agosto, em São Paulo. Patrocinadora Master+ do evento, a empresa defenderá que os ganhos de produtividade passam, antes de novas aquisições, pela revisão da estrutura tecnológica existente.

Segundo Marcos Custódio, CEO da Webpeak, o modelo adotado durante a transformação digital priorizou a incorporação constante de novas ferramentas, criando ambientes complexos e, muitas vezes, redundantes.

“A transformação digital foi construída sobre uma lógica de adição: surgiu uma necessidade, contratou-se um software. Isso trouxe avanços, mas também criou operações difíceis de administrar. Em muitas empresas, a próxima decisão tecnológica não será comprar outra ferramenta. Será parar, revisar o que existe e eliminar o que deixou de gerar valor”, afirma.

No mercado, esse tipo de estrutura costuma ser chamado de “Frankenstein tecnológico”: operações compostas por diferentes plataformas que executam funções específicas, mas que não compartilham informações de forma integrada. Como consequência, aumentam o retrabalho, a duplicidade de dados e o tempo necessário para consolidar informações antes da tomada de decisão.

A chegada da inteligência artificial tornou esse cenário ainda mais evidente. Embora a tecnologia acelere análises e automatize processos, ela depende da qualidade e da integração dos dados para gerar resultados consistentes. Segundo a Webpeak, projetos de revisão da arquitetura tecnológica podem reduzir em até 60% os custos com licenciamento, dependendo da estrutura de cada empresa.

Parceira da Zoho no Brasil e terceira colocada no ranking global da companhia, segundo informações da própria empresa, a Webpeak atua na implementação e integração de sistemas corporativos. A experiência, segundo Custódio, mostra que um dos principais desafios atuais é definir quais ferramentas devem ser integradas, substituídas ou descontinuadas.

Para o executivo, os impactos da fragmentação vão além da operação interna. Quando as informações dos clientes permanecem distribuídas entre diferentes sistemas, as empresas perdem capacidade de identificar oportunidades comerciais, personalizar propostas e ampliar o relacionamento com sua base.

“Uma empresa pode ter dados em abundância e, ainda assim, conhecer pouco o cliente. Quando cada área enxerga apenas uma parte da relação, perde-se contexto. E uma proposta sem contexto tende a ficar genérica, o que leva a negociação de volta ao preço”, afirma.

O tema também estará presente na programação do B2B Summit. Custódio comandará duas mesas de debate: “Além da transação: como transformar a carteira em relacionamentos perpétuos”, sobre estratégias de CRM, dados e Go-to-Market, e “Commodity x Valor: como fugir da briga por preço”, com executivos da Mastercard, Eternit, Bridgestone e BASF. O CEO também apresentará a palestra “Descomplicando o crescimento: por que unificar sua operação é a decisão mais urgente de 2026”.

Depois de um ciclo marcado pela expansão do portfólio de softwares corporativos, a discussão começa a ganhar outro foco: antes de investir em novas tecnologias, muitas empresas passaram a avaliar quais das ferramentas já contratadas continuam fazendo sentido para o negócio.