Por uma nova ordem mundial
Artigos
01/07/2026
A “normalização” das guerras afeta até mesmo quem vive distante das zonas de conflito
Por Nei Calderon
O cenário mundial contemporâneo exibe uma perigosa fragmentação, marcada por múltiplos conflitos armados — mais de trinta guerras ativas — que redesenham fronteiras e desestabilizam cadeias produtivas. Este panorama não é fruto do acaso, mas da imposição de uma “nova ordem” onde decisões unilaterais, frequentemente lideradas pelos Estados Unidos e alguns aliados, não buscam respaldo de organizações multilaterais como a ONU e a OTAN. A ação preventiva, interpretando divergências como ameaças iminentes, fundamenta uma estratégia de expansão do uso da força.
Essa postura unilateralista, agindo à revelia do direito internacional, gera impactos avassaladores. Para as populações diretamente afetadas, a dignidade da pessoa humana é anulada pela destruição de infraestruturas, deslocamentos forçados e colapso dos sistemas de saúde. A economia global também é afetada, provocando a insegurança dos investidores, estendendo os efeitos da guerra para além das zonas de combate.
Sob uma perspectiva quântica — considerando a sociedade como um sistema interconectado e não linear —, a irradiação desses efeitos é profunda. A “ação” em uma zona de conflito gera uma “reação” imediata no comportamento social coletivo global. A constante exposição a imagens de horror cria uma dessensibilização e uma aceitação da “normalidade” do estado permanente de guerra. Essa normalização afeta o inconsciente coletivo, gerando ansiedade, medo e uma sensação de fragilidade civilizatória, mesmo em regiões distantes do conflito físico.
A aceitação de decisões unilaterais, sem a mediação do multilateralismo, enfraquece as normas de convivência pacífica. Quando a OTAN e a ONU são contornadas, a força supera o direito, e o mundo se aproxima de um cenário caótico, onde a soberania é substituída por interesses hegemônicos.
Conclui-se que a sobrevivência da humanidade depende da construção de uma nova ordem mundial. Ela deve abandonar o unilateralismo predatório e abraçar um multilateralismo genuíno, capaz de considerar todos os efeitos irradiados — físicos, econômicos e psicológicos. Preservar a dignidade da pessoa humana não é apenas evitar sua morte, mas garantir as condições para que cada indivíduo possa buscar sua realização e a felicidade, em vez de viver sob o medo constante da guerra. A paz não é apenas a ausência de conflitos, mas a presença de um sistema que valorize a vida sobre o poder, pressuposto necessário para a criação de uma sociedade mais justa e mais humana.