Todo dia é dia de evento

Entrevista

16/06/2026

Todo dia é dia de evento

Há mais de 20 anos o Grupo R1, de Raffaele Cecere, atua no segmento — com muito sucesso, por sinal

Por Fran Oliveira
Retratos de Germano Lüders

Com mais de 21 anos de experiência no mercado de eventos, o Grupo R1 se destaca pelas soluções completas em audiovisual, cenografia sustentável, produção e agora tecnologia inovadora por meio da R1 Eventech. A empresa é reconhecida pela excelência dos projetos, compromisso com a sustentabilidade e por sempre colocar a inovação como foco.

Nascido em São Paulo, Raffaele Cecere, criador da companhia em dupla com o sócio Rodrigo Caetano, iniciou sua vida profissional aos 14 anos como estoquista em uma loja de roupas e, dois anos depois, passou para a área de vendas. Em 1996, teve seu primeiro contato com a internet e, um ano mais tarde, fez um curso de manutenção de computadores, passando a prestar serviços nessa área. Três anos depois, resolveu empreender e abriu sua primeira empresa no ramo de e-commerce.

Em 2004, após vender seu e-commerce, Cecere fundou a R1 Solutions, reunindo a expertise adquirida ao longo de sua carreira, incluindo passagem por uma organizadora de eventos. A empresa é líder no setor e realiza mais de 10 mil eventos por ano.

Trabalhando junto a redes hoteleiras e centros de eventos, Cecere percebeu parceiros que não têm tempo para contratar fornecedores distintos quando os serviços são complementares.

Em 2012, a marca se atualizou para deixar mais claro o direcionamento da R1 Soluções Audiovisuais. Hoje, além das redes hoteleiras, a companhia atua fortemente com as grandes TMCs (Travel Management Companies) e centros de eventos e convenções estratégicos. Com o crescimento exponencial da empresa, Cecere adquiriu participação da TES Cenografia e começou a realizar eventos de todos os tamanhos, seja uma pequena reunião ou uma grandiosa convenção de vendas.

Recentemente o grupo abriu uma nova empresa focada no desenvolvimento de tecnologia para eventos, a R1 Eventech, oferecendo hoje uma solução completa para eventos corporativos. É conselheiro da ALAGEV (Associação Latino-Americana de Gestão de Eventos e Viagens) e conselheiro do SPCVB (São Paulo Convention & Visitors Bureau).

THE PRESIDENT _ Quem é Raffaele Cecere?

Raffaele Cecere – Sou pai de três filhos e natural de São Paulo. Estou com 46 anos de idade e minha trajetória empresarial já dura 23 anos. Tenho muito orgulho, pois comecei a empresa, na prática, sem nenhum recurso. E atualmente somos uma das maiores empresas de eventos do país.

Fale um pouco sobre a trajetória do Grupo R1.

Iniciei minha carreira como programador de computador. Em 2001, ingressei em uma agência de eventos para trabalhar na área de TI. Então, me deparei com o mundo de eventos, que era, até então, totalmente desconhecido para mim. Minha veia empreendedora falou mais alto. E, em 2004, saí da empresa e abri a R1 na garagem da casa da minha tia. Como todo bom brasileiro, iniciei, realmente, sem grandes recursos. Mas no primeiro ano de atuação ganhei meu primeiro milhão. Não foi fácil, mas foi uma coisa muito vitoriosa. Sempre tive foco. A R1 é uma empresa familiar. Meu primo, Rodrigo Caetano, é meu sócio desde o dia zero da empresa. De lá para cá, o crescimento foi muito forte. Hoje a R1 é uma das maiores empresas no segmento de eventos corporativos do país.

O que é a TES Cenografia?

É mais um braço da R1. Atualmente, o grupo é composto por seis empresas. Todas voltadas para o fornecimento de serviços para eventos. Em 2013, compramos a TES Cenografia, que, hoje, é um dos principais ativos do grupo. A TES faz uma cenografia completamente diferente. Uma cenografia que não utiliza madeira, não utiliza lona… Compramos essa empresa e ganhamos de presente todos os produtos que ela fornecia. A TES trabalha com alumínio e tecido.
E o alumínio é reaproveitado. Então, hoje, no setor de eventos, certamente somos uma das empresas mais eficientes e ecológicas do país.

Como transformar o meio ambiente por meio de ações sustentáveis?

O que muitas pessoas não sabem é que o mundo de eventos gera muito lixo. São toneladas e toneladas de lixo que, após os eventos, são descartadas. Não é o que pensamos ser uma boa prática. Quando optamos por comprar uma empresa, nós procuramos por uma que tivesse, de fato, um produto sustentável.
Os tecidos que são utilizados na comunicação visual viram boneca de pano por meio de uma parceria que temos com o Grupo Primavera, que é uma ONG, na cidade de Campinas (SP). São 500 crianças que recebem suporte dessa ONG, em que as mães dessas crianças desenvolvem um trabalho comunitário. Elas confeccionam bonecas. Não só bonecas, mas também brinquedos com todo tipo de material que dê para usar o tecido. Isso é vendido e revertido em renda para essas mães. É um ESG completo. É muita coisa. Estamos falando de, em média, 30 mil metros lineares de tecido por mês. Hoje a ONG está produzindo, também, roupa de cama, cortinas, lençóis e camisetas com o tecido que doamos. E isso está indo para o Nordeste. Está ganhando uma proporção muito legal.

Você falou de números. Os seus números, os números da R1, são bastante expressivos em todos os sentidos. Como é que isso se deu? Foi trabalho, foco?

Algumas estratégias que aplicamos lá atrás surtiram efeito. Principalmente no pós-pandemia, incluindo as parcerias com os hotéis. Hoje, por exemplo, estamos fazendo essa entrevista no Palácio Tangará, em São Paulo, que é um dos nossos postos de serviços. Somos a empresa oficial do Tangará. Essa foi uma estratégia que deu muito certo. Temos o orgulho de chegar à marca de mil eventos por mês. Voltados sempre para o mundo corporativo, que é o nosso foco. Às vezes as pessoas perguntam: mas vocês fazem show? Sim, fazemos show, desde que seja para a empresa. Então a empresa faz o evento e, no final, tem o show.

Tecnologia, do seu ponto de vista, é ponte?

Total. Agora estão falando muito de inteligência artificial e tudo mais. Nenhuma tecnologia vem para substituir necessariamente. Ela vem para contribuir e ajudar. Há muito medo nesse sentido. Mas, se não fosse a tecnologia, não chegaríamos onde estamos. E, óbvio, isso causa muito temor nas pessoas, porque o novo causa temor. As pessoas precisam estudar, porque, realmente, têm postos de serviços que vão ser tomados pela tecnologia. Acho que, daqui para a frente, com o advento de novas tecnologias, muitos cargos serão criados, muitas profissões que até então a gente desconhecia. Acredito muito na força da tecnologia.

Ainda no campo da tecnologia, o que R1 Eventech traz como soluções diferenciadas?

A R1 Eventech vem para reforçar o compromisso de entregar eventos de alto impacto e relevância, com foco em transformar a experiência do público e conectar marcas de maneira única. Ou seja, tecnologia interativa, realidade aumentada, credenciamento inteligente e plataformas personalizadas.

O que o motiva, pessoalmente, na construção de uma empresa no setor de eventos corporativos?

Acho que, depois que você alcança alguns objetivos na vida, ter uma empresa deixa de ser simplesmente um ganho financeiro e passa a ser um propósito. Hoje empregamos, diretamente, mais de 450 pessoas e, indiretamente, passamos de 1.200. Então, eventos, muitas vezes, são a porta de entrada para o primeiro trabalho. Eles dão oportunidade para pessoas que até então não têm grande escolaridade. É a história do primeiro emprego. Os eventos têm essa força. Para mim, é um orgulho muito grande poder ter uma empresa e saber que movimentamos tanta coisa. Mudamos a vida das pessoas. Aqui no Tangará tem um técnico que nós já propiciamos que ele fosse a Paris, conhecer um outro país. Damos a oportunidade para que essas pessoas experimentem uma realidade diferente da que, talvez, elas vivam. Estar em um hotel seis estrelas, respirar um outro tipo de ambiente é o que nos faz crescer. Eu não tenho dúvida de que o ambiente modela as pessoas. E poder fazer isso por elas é muito importante.

A R1 se tornou um adjetivo para os eventos corporativos?

Hoje, a gente brinca que a nossa marca é uma grife. Fazer evento com a R1, com toda certeza, se tornou algo desejável pelas empresas que são os nossos clientes. A gente brinca que somos a Coca-Cola do setor de eventos.

Vocês estão, basicamente, nos estados de São Paulo e Pernambuco?

Atendemos o Brasil inteiro. Como postos de serviço, estamos em Pernambuco, no Recife, e estamos olhando para todo o Nordeste também. São Paulo, por si só, já é um país. É muita coisa que temos aqui. Agora, talvez, seja o momento de olhar para outros estados. E, quem sabe, fazer boas parcerias. Sou paulistano do bairro da Saúde, onde vivi boa parte da minha vida. Adoro aquele bairro.

Aquisições e expansão. Alguma novidade nesse sentido?

Recebemos um aporte de US$ 20 milhões de uma empresa chinesa para estruturas de cenografia. Vamos começar — a partir do ano que vem — a “pisar” em uma outra atividade, ou seja, pavilhões para feiras, que é uma área em que até o momento a gente não atua. A nossa parceria com a China está se consolidando. Acho que essa é uma direção interessante. Além de outros movimentos, como estreitar mais ainda nossa relação com os espaços e com redes hoteleiras, para que tenhamos uma participação maior na administração desses lugares.
Então, são esses dois movimentos. E, cada vez mais, verticalizando, trazendo mais empresas para compor o nosso hall de serviços, desde locação de móveis até desenvolvimento de tecnologias. A gente está aí observando algumas empresas para comprar até 2030.