Liderança financeira: como empresas estão “alugando” executivos
Artigos
09/06/2026
Capital caro impulsiona a busca por liderança financeira sob demanda
Colaboração: Fabio Rossetto, cofundador e CGO da Rossetto & Lorenzi
Há um padrão que se repete em empresas de diferentes setores e tamanhos. A receita cresce, o produto é validado, o mercado reconhece o negócio. E mesmo assim o caixa aperta, a margem some e ninguém sabe exatamente por quê. A causa, quase sempre, não é falta de vendas. É falta de governança financeira.
E a solução tradicional, contratar um CFO sênior em tempo integral, custa caro, leva tempo e frequentemente está fora do alcance das empresas que mais precisam dessa disciplina. É nesse vazio que o modelo ganhou tração. E no Brasil, essa tração virou boom.
Esse profissional não é um consultor que entrega um relatório e vai embora. É um executivo financeiro que atua de forma parcial e estruturada, por dias por semana ou horas por mês, com responsabilidade real por decisão, governança e resultado.
A consultoria tradicional tende a entregar diagnóstico e recomendações, um plano. Esse executivo entra na cadeira, ajuda a decidir, instala rotina de gestão, cobra cadência e faz a execução acontecer com o time.
O modelo cresce por razões concretas. Quando o capital fica caro, e no Brasil dos últimos anos ele ficou muito caro, a empresa precisa de um executivo financeiro de verdade. Juros altos e crédito seletivo aumentam a pressão por caixa, exigem disciplina de investimento e tornam a previsibilidade de resultado uma questão de sobrevivência. Menos narrativa, mais execução.
As empresas que mais buscam esse perfil estão em três momentos típicos. O crescimento que fragiliza, quando a receita sobe mas margem e caixa não acompanham. A transformação, quando o negócio perdeu eficiência e previsibilidade no caminho.
E o turnaround, com pressão de caixa, dívida acumulada e urgência de renegociação. O traço comum são organizações com produto validado, mas sem maturidade financeira equivalente ao tamanho que atingiram.
Na prática, o primeiro movimento é sempre construir visibilidade real do caixa e do motor econômico, implantar um ritual semanal com poucos indicadores e sair do achismo para a previsibilidade. No Brasil que opera com custo de capital alto e volatilidade crescente, isso deixou de ser um diferencial.