Histórias de um fotógrafo mergulhador

Fotografia

08/06/2026

Histórias de um fotógrafo mergulhador

No Dia Mundial dos Oceanos, o fotógrafo e mergulhador Pedro Arieta revisita experiências que vão de encontros com a vida marinha a mergulhos em alguns dos destinos mais desafiadores do mundo

Por Redação

Um polvo que agarrou sua câmera e se recusou a soltá-la. Um pedido de casamento registrado logo após um mergulho. Uma câmera que começou a inundar a 50 metros de profundidade. E a passagem pelo Arco do Blue Hole, em Belize, um dos pontos mais desafiadores do mergulho mundial.

No Dia Mundial dos Oceanos, o fotógrafo e mergulhador Pedro Arieta relembra histórias que viveu debaixo d’água. Dos anos como guia em Dahab, no Egito, aos encontros inesperados no fundo do mar, suas memórias revelam bastidores que foram parar em cliques analógicos.

Teve algum mergulho que foi inesquecível ou marcante?

Muitos. Mas disparado em primeiro lugar é o Arco no Blue Hole. É tentando fazer esse mergulho que muitos morrem todos os anos. Além de ser muito profundo, além de 56 metros de profundidade, há um longo trecho, o teto do arco, de uns 40 metros, em que não há como subir por causa do teto. A mágica desse mergulho está nessa formação de coral que é chamada de arco. O mergulho começa dentro do Blue hoje; descendo, tudo começa a ficar escuro devido à profundidade, até que um arco de luz gigantesco aparece. É a luz entrando de fora do Blue hoje para dentro, através do arco. Que começa a 53 metros de profundidade e vai até 108m. Você então entra embaixo desse arco e nada por quarenta metros próximo ao teto até sair do lado do mar aberto. Foi esse mergulho que Jacques Cousteau elogiou tanto e deixou essa região conhecida como a meca do mergulho.

Consegue pensar em 5 histórias envolvendo a fotografia e o mergulho?

O Polvo, esse ano mesmo, cheguei perto demais com a câmera de um polvo embaixo de um coral. Ele pegou a câmera e não largava mais; mesmo eu puxando com toda minha força, não soltava. Com medo de perder a câmera, não larguei, e ele só soltou quando um parceiro de mergulho o distraiu pela parte de trás dele…. Câmera inundada.

Como eu uso esse modelo de câmera de filme que precisa sempre de manutenção, já inundei algumas câmeras, afinal elas todas têm entre 25 e 30 anos. Mas a mais frustrante foi quando cheguei para mergulhar no canyon em Dahab e, no primeiro mergulho da viagem, quando estava a 50 m de profundidade, reparei em umas pequenas bolhas saindo da câmera. Era ela inundando… no primeiro mergulho da viagem…

Costumo fotografar mergulhadores de apneia, mas eu uso tanque sempre. Certa vez estava sozinho fotografando atletas de apneia quando um instrutor de apneia veio perto de mim. Ele estava preocupado por eu estar sozinho, mas, quando mostrei a câmera para ele, ele entendeu o que eu estava fazendo ali.

Uma vez saindo de um mergulho, vi um mergulhador saindo com pressa da água. Ele queria sair na frente para buscar algo no meio das suas coisas na areia. Logo em seguida saíram outras pessoas da água. Quando uma delas chegou perto, ele se ajoelhou. Ele tinha pegado um anel e estava pedindo sua namorada em casamento. Isso tudo eu ainda estava vestido com o equipamento e a câmera na mão. Por sorte, pude fotografar o momento e depois dar a foto para eles.

No ponto de mergulho chamado Canyon, em Dahab. Se alguns mergulhadores passaram por lá um pouco antes de me aproximar, as bolhas deles escapam pela areia e frestas de abertura desse canyon, formando uma cortina de bolhas muito bonita que costumo fotografar. Muitas pessoas, quando veem essas fotos, pensam que são os corais ou plânctons produzindo oxigênio. Mas são apenas bolhas de mergulhadores que acabaram de passar por baixo…

Quais os melhores lugares em que você já mergulhou?

Dahab, Belize e Zanzibar foram os melhores disparados.