Pesquisa além da internet: o papel das bibliotecas na educação atual
Artigos
22/05/2026
Além de incentivar a leitura, bibliotecas físicas ajudam jovens a construir repertório, aprofundar pesquisas e desenvolver raciocínio próprio
Por Patrícia Alves
Mesmo em tempos de inteligência artificial e pesquisas instantâneas na internet, as bibliotecas físicas seguem como espaços fundamentais para o aprofundamento do aprendizado e o desenvolvimento do senso crítico. Recentemente, alunos da SIS Brasília participaram de uma experiência imersiva na biblioteca da Universidade de Brasília (UnB), onde aprenderam, na prática, como realizar pesquisas acadêmicas longe das telas e explorar diferentes fontes de conhecimento de maneira mais reflexiva.
Apesar do avanço das plataformas digitais, especialistas apontam que as bibliotecas continuam desempenhando um papel relevante na formação educacional. O conceito de bibliotecas híbridas, que unem acervos físicos e digitais, vem ganhando força justamente por estimular uma relação mais crítica e aprofundada com a informação.
Para Henrick Oprea, diretor da SIS Brasília, o contato com livros, catálogos e materiais físicos estimula a autonomia intelectual e fortalece a capacidade analítica dos estudantes. “A biblioteca física exige mais investigação e reflexão. É um ambiente que estimula a concentração e a construção de conhecimento de forma mais profunda”, afirma.
Segundo o educador, algumas práticas podem tornar a experiência nas bibliotecas ainda mais rica e eficiente. A primeira delas é definir claramente o tema da pesquisa antes de iniciar a busca. Ter uma pergunta central ou um objetivo bem delimitado ajuda a otimizar o tempo e direcionar a procura por materiais mais relevantes.
Outro ponto importante é aprender a utilizar o sistema de catalogação das bibliotecas. Entender como os livros são organizados por áreas de conhecimento e categorias facilita o acesso a conteúdos relacionados e amplia as possibilidades de descoberta durante a pesquisa. “Quando o estudante aprende a interpretar códigos e categorias, ele descobre caminhos novos dentro da própria pesquisa”, destaca Oprea.
O diretor também recomenda explorar diferentes fontes sobre o mesmo assunto. Comparar autores, abordagens e pontos de vista permite ampliar a visão crítica e evita interpretações superficiais. Além disso, fazer anotações durante a leitura ajuda a organizar ideias, registrar referências importantes e desenvolver argumentos mais consistentes. “Escrever durante a pesquisa melhora a compreensão e ajuda o aluno a desenvolver raciocínio próprio”, comenta.
A orientação dos bibliotecários é outro recurso valioso. Esses profissionais podem indicar materiais relevantes, explicar métodos de busca e sugerir obras complementares que enriquecem o processo de aprendizagem. “Muitas vezes, uma orientação rápida do bibliotecário faz toda a diferença para aprofundar a pesquisa”, diz o educador.
Por fim, Henrick Oprea ressalta a importância de reservar tempo para explorar além do planejamento inicial. Caminhar pelas estantes e se permitir descobrir novos temas e autores pode gerar conexões inesperadas e ampliar o repertório cultural dos estudantes. “A biblioteca também é um espaço de descoberta. Às vezes, o estudante encontra conexões importantes justamente quando desacelera e explora novos caminhos”, conclui.
Além de incentivar hábitos de leitura e concentração, a experiência em bibliotecas físicas contribui para equilibrar o uso das tecnologias digitais com métodos tradicionais de aprendizagem, promovendo uma relação mais crítica, consciente e aprofundada com a informação.