De olho no design

Arte

27/04/2026

De olho no design

Lauro Andrade criou alguns dos maiores eventos do setor no país. E continua a mil

Lauro Andrade é um dínamo. Em 2012, quando, com muita ousadia, criou, na capital paulista, a primeira DW! Semana de Design de São Paulo, muita gente duvidou dos resultados. Ele não ligou. Continuou trabalhando muito e apostando alto, apesar das dificuldades. Hoje, a DW! não é só uma realidade — e um sucesso. Também deu origem a outros eventos de porte, incluindo o DW! Tour (Balneário Camboriú, Rio de Janeiro e Brasília) e a feira High Design Home Office Expo.

Nascido em Florianópolis (SC) há 54 anos, Andrade adotou São Paulo como cidade. É fundador e diretor da Summit Promo. Formado em administração de empresas pela Universidade Estadual de Santa Catarina, tem mestrado em gestão pela Universidade Federal de Santa Catarina e aperfeiçoamentos nos Estados Unidos (1996 e 2017) e Alemanha (2000). 

Foi executivo da Canguru Embalagens, Pizza Hut, Brahma, Instituto de Estudos Avançados e Sebrae. Também trabalhou como diretor da Anfacer e da Expo Revestir. Sim, é um executivo experiente — além de um dínamo.

THE PRESIDENT _ Sua formação e os primeiros passos da sua carreira ajudaram a moldar a DW! Semana de Design de São Paulo como um ecossistema — e não apenas como um evento. Em que momento você percebeu que São Paulo precisava de uma semana de design com ambição global?

Lauro Andrade – Minha formação sempre transitou entre comunicação, branding e articulação de redes criativas. Como executivo de marcas e eventos do setor, acompanhei de perto o que acontecia em Milão, Londres, Berlim e Nova York. Percebi que São Paulo já possuía densidade criativa, indústria e mercado para sustentar algo semelhante. Faltava uma plataforma estruturada que conectasse esses agentes.

Em 2010, ficou claro para mim que não bastava termos bons designers; era preciso criar um ecossistema capaz de integrar criadores, marcas, varejo, imprensa e público. A DW! nasce, há 15 anos, dessa visão: não apenas como evento, mas como infraestrutura cultural para a promoção do design nacional.

Quais foram os maiores desafios — logísticos, financeiros ou de legitimidade — para transformar uma ideia em um festival urbano de grandes proporções?

Enfrentamos todas as etapas de estruturação de um projeto de grande envergadura. Foi necessário formar uma equipe qualificada e engajada, legitimar a proposta junto ao mercado, captar recursos, coordenar agendas e entregar, com excelência, aquilo a que nos propúnhamos. Transformar uma ideia em um festival urbano exigiu articulação ampla e minuciosa, visão de longo prazo e persistência.

Quando ocorreu a primeira edição?

Em 2012. Um ano antes, nos primórdios da DW!, éramos cerca de 40 profissionais, com uma programação concentrada e bastante setorial. Hoje reunimos mais de 1.500 criativos, 150 marcas, estúdios e instituições e múltiplos distritos. A escala se ampliou bastante: realizamos DW! Tours em outras capitais do país, como Rio de Janeiro, Brasília, e também em Balneário Camboriú, além de marcarmos presença em feiras internacionais. Se tivesse de destacar a principal transformação de lá para cá, diria que foi a maturidade do ecossistema. O design brasileiro se estruturou, ganhou autoconfiança e passou a ser reconhecido por seu DNA próprio.

Lauro Andrade realizou a primeira DW! São Paulo em 2012. Foto: Gal Oppido

Ao chegar a 15 edições, como você avalia as mudanças para que o evento se tornasse também um hub de conexões e negócios?

O DW! sempre foi urbano, colaborativo e plural — e isso preservamos. O que precisou evoluir foi a estrutura e a nossa própria capacidade de acompanhar o crescimento do festival. A adesão crescente, ano após ano, nos desafiou a encontrar soluções criativas. Criamos distritos, consolidamos a DW! como plataforma de lançamentos estratégicos, ampliamos o debate qualificado e expandimos a atuação para o ambiente digital.

Assim, nos consolidamos como um hub de conexões e negócios. A densidade produtiva aumentou, assim como o impacto econômico. A DW! deixou de ser apenas parte do calendário para se tornar um ambiente permanente de relacionamento e geração de oportunidades.

Como você enxerga hoje o posicionamento do design brasileiro no cenário internacional? Em quais frentes avançamos — e onde ainda somos mais consumidores do que protagonistas?

Avançamos significativamente na consolidação de uma identidade autoral e na valorização de materiais, narrativas e processos locais — tanto que o tema deste ano é Legado Criativo. Somos reconhecidos pela potência criativa, pela diversidade cultural e pela capacidade de síntese estética.

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